Sunday, October 16, 2011

Via da Prata e Caminho Francês (Ago 2011)


O Caminho Francés ou a rota das estrelas, é o Caminho de Santiago por excelência. È uma rota milenar, com quase 800 km, que partindo de Saint Jean Pied de Port, se dirige para Oeste sempre acompanhado pela Via Láctea. Passa por grandes cidades, como Pamplona, Burgos, Léon, Astorga, Ponferrada, Sarria, Melide e por muitas aldeias. É muito rico em termos paisagísticos, históricos e culturais. Era pelas estrelas que se guiavam os peregrinos da Idade Média. Nessa altura viviam de esmolas e do que apanhavam nos campos.

A Via da Prata é um percurso de cerca de 700 km que começa em Sevilha e segue para norte. Passa em grandes cidades, como Cáceres, Salamanca, Zamora, Benavente. Em Granja de Moreruela, os peregrinos têm duas opções, continuar para Norte em direcção a Astorga e apanhar o Caminho Francês, ou virar à esquerda e continuar pelo Caminho Sanabrês até Santiago de Compostela. Trata-se de um caminho milenário que foi construído durante o império romano, com fins militares e para facilitar a administração do império.
Ainda hoje existem muitos vestígios romanos (pontes, miliários, calçadas, etc.).
O nome “plata” nada tem a ver com o metal precioso, mas tem origem na palavra árabe “balaath” que significa pavimento empedrado.

Viagem Lisboa – Salamanca (de comboio) Ter 9 Agosto 2011

Este dia foi para viajar de Lisboa até Salamanca. O comboio SudExpress saiu de Santa Apolónia ás 16h30 e chegou a Salamanca ás 00h30 (hora espanhola). Tive que viajar em carruagem cama, pois os lugares sentados estavam esgotados. Levei a bicicleta numa caixa e foi fácil arrumá-la por cima dos beliches.

A aproximação à cidade de Salamanca é bonita, com o comboio a contornar uma parte da cidade, sempre com excelentes vistas da catedral iluminada.
Saí da estação e tive que montar a bicicleta (guiador, pedais, rodas e suporte de bagagem). Como faltavam dois parafusos para o encaixe do suporte, tive que improvisar com fitas até ao dia seguinte.

Era quase 1h30 da manhã e faltava arranjar sítio para dormir. Pedi um mapa na estação e fui à procura dum parque de campismo. Desci até ao rio Tormes, atravessei a ponte e ainda pedalei uns 4km até chegar ao parque de campismo “Régio”. Não havia portões, nem ninguém à porta. Montei a tenda e dormi lindamente, mas tive que vestir mais uma camisola, pois a noite estava fria (14º). No dia seguinte, saí do parque da mesma forma que entrei…ninguém deu pela minha presença.

Etapas
1ª etapa - 10 Ago Salamanca-Riego del Camiño (121km - 7h14)
2ª etapa - 11 Ago Riego del Camiño–Sta Catalina Samoza (122km - 7h01)
3ª etapa - 12 Ago Sta Catalina Samoza–Triacastela .....(125km - 8h04)
4ª etapa - 13 Ago Triacastela–Arzua (109km - 8h43)
5ª etapa - 14 Ago Arzua-Santiago (41km - 2h51)
TOTAIS 518Km - 35h53

1ª etapa - Qua 10 Ago 2011 - Salamanca – Riego del Camiño
(121km - 7h14)

Depois de sair do parque de campismo, por volta das 8h30, fui à procura de uma loja de ferragens. Alguns quilómetros à frente, passei por um Leroy Merlin. Mas tive que esperar pela hora de abertura (10h). Depois de comprar os parafusos e fixar bem o suporte, pude prosseguir viagem.


Entrei em Salamanca pela bela ponte romana (interdita a carros), visitei a Catedral e fui buscar a Credencial do Peregrino à “Casa da Iglésia”. Voltei à Catedral para o primeiro carimbo da peregrinação.
Com todas estas voltas, já eram 11h30, já tinha pedalado mais de 10km e ainda não tinha saído de Salamanca.
Passei na espetacular “Plaza Mayor” e finalmente sai de Salamanca, pela “calle Zamora” e continuei sempre em frente até à Praça de Touros”, onde comecei a apanhar sinalização do caminho. A primeira parte do caminho não é muito interessante e decorre sempre paralelo à N-630. Como não reparei na indicação de viragem para Aldeiaseca de Armuna, continuei pela N-630. Virei mais à frente para passar em Castellanos de Viliquera e fiz a primeira paragem para comer uma tortilha e uma coca-cola em Calzada de Valdunciel. Aproveitei também para apertar melhor o guiador.
A partir desta aldeia foram cerca de 20km sem passar em qualquer povoação e por isso sem qualquer possibilidade de abastecimento. O caminho segue sempre ondulado ao lado da N-630. O piso é de saibro grosso, com muito seixo solto, o que juntamente com o calor torna a viagem lenta e desgastante.

Cheguei a Cubo de la Tierra del Viño ás 14h, já sem água, pelo que bebi outra coca-cola e comprei uma garrafa de água.
A partir daqui o caminho afasta-se da N-630 e torna-se mais interessante, mais variado, com melhor piso e com algumas descidas divertidas. Até Zamora são grandes extensões abertas e amplos horizontes… sem sombras.
Na aproximação de Vilanueva de Campeán passei por vários miliários (modernos). Entretanto já se via Zamora lá bem ao fundo, continuava muito calor e eram muitos kms sem qualquer sombra.

Quando cheguei a Zamora, na margem esquerda do rio Douro, dei uns mergulhos na praia fluvial, que tem excelente vista para a Catedral do outro lado do rio. A água estava um espectáculo. Atravessei a ponte medieval, de onde se podem ver as ruínas da velha ponte romana. Visitei a zona antiga, a catedral, o castelo e a Igreja da Madalena e procurei a saída, pois já passava das 18h30 e ainda estava a cerca de 30km do destino.
Como estava de novo com fome fiz uma paragem à saída de Zamora, para beber uma imperial e comer outra tortilha.
Depois de retomar a viagem, passei por um supermercado e pensei que talvez fosse melhor comprar comida para o jantar e pequeno almoço do dia seguinte, pois a localidade de destino era uma pequena aldeia. Ainda bem que o fiz, pois se não tivesse transportado mais 3 kg de comida, durante 30km, teria ficado enrascado.
Ainda fiz uma paragem em Montamarta, junto á barragem de Riobayo, para mais uma imperial e umas tapas de polvo.
Logo a seguir o caminho levava-nos a contornar a barragem e ao longe viam-se as ruínas do castelo de Castrotorafe. E foi neste belo cenário e ao pôr do sol que furei … em 3 lados, pelo que tive que substituir a câmara de ar.

Como eram quase 21h e o sol já se estava a esconder no horizonte, fiz os restantes quilómetros pela estrada N-630.
Já passava das 21h30 quando cheguei ao albergue de Riego del Camiño, onde estavam apenas 2 peregrinos. Fiquei sozinho num quarto para estar mais à vontade, fugir dos roncadores e também porque no dia seguinte eles iria sair mais cedo do que eu.
Telefonei para casa, tomei uma banho delicioso e finalmente jantei … escrevi o diário e fui dormir.

2ª etapa - qui 11 Agosto 2011 Riego del Camiño – Sta Catalina Somoza
(122km – 7h01)


Acordei às 7h30 e comecei a pedalar às 8h30. A manhã estava fresca e até Benavente não senti os efeitos do calor.
Rapidamente cheguei a Granja de Moreruela, onde o caminho bifurca para Astorga ou para Sanábria. A partir daqui foi pedalar a bom ritmo nuns estradões com bom piso. O livro falava de uma ponte de ferro, mas as setas mandaram-me para norte, passei por cima da auto-estrada e só depois virei à esquerda para Benavente. A estrada secundária era muito agradável e passei por mais uma bela ponte romana.
Em Benavente fiz a primeira paragem num jardim. Era dia de feira e comprei umas laranjas, que comi enquanto descansava deitado na relva do jardim.

Foi complicado sair da cidade, por não haver sinalização dentro das localidades e porque era dia de feira.
Entre Benavente e Vilabrazaro, foi sempre a pedalar bem, pois a estrada era de bom piso e sem tráfego.
Em Alija do Infantado, povoação muito interessante, fiz uma visita á fonte termal, onde enchi os cantis com uma água fresca e muito saborosa e visitei a parte antiga, onde ficam as grutas que os habitantes usam para conservar o vinho e outros alimentos.

A partir daqui foram muitos quilómetros, sempre na margem direita do rio Orbigo.
Gostei muito de La Bañeza, onde passei em plena hora do calor e onde parei numa esplanada par descansar e beber uma coca-cola.
Passei noutra ponte romana, a ponte de la Vizana, onde estavam jovens a tomar banho… e apeteceu-me fazer o mesmo.

Mas alguns minutos voltei ao caminho, debaixo de um enorme calor. A estrada era de bom piso e atravessava um campo de azinheiras. Já próximo de Astorga, passei noutra ponte romana, que é o que resta da antiga estrada romana da via da Prata. Entretanto, ao fundo já se avistava a cidade de Astorga.
Com a chegada á bela cidade de Astorga, termina a via da Prata e terminam as enormes planícies sem sombras e com um sol escaldante. A partir daqui a nossa viagem continuou pelo caminho francês. A sinalização melhorou substancialmente.

Comprei uns bolos e um sumo natural e estive a descansar em frente do Paço Episcopal - bela obra de Gaudi, onde tirei umas fotos. Comprei umas lembranças.
Já eram 19h30 e eu já pedalava desde as 8h40.
Ainda faltavam cerca de 11km para o meu destino, a aldeia de Santa Catalina de Somoza. A primeira parte foi rápida, mas nos últimos quilómetros o caminho foi subindo progressivamente. Eu sentia a bicicleta pesada, mas não me apercebia que estava a subir. Pensei que já era falta de força depois de tantas horas a pedalar, mas estava mesmo a subir. Em Santa Catalina de Somoza, arranjei logo albergue à entrada da aldeia (6€) e foi lá que jantei uma deliciosa carne estufada regada com duas imperiais.



3ª etapa – 12 Agosto Santa Catalina de Somoza -Triacastela
(125km - 8h04)

Hoje foi o dia em que saí mais cedo. Eram 8h10 e já estava a pedalar. O objectivo era fazer as duas maiores subidas do caminho francês.

Como não tinha fome, andei alguns quilómetros, até parar em El Ganso onde tomei o pequeno almoço.

Durante toda a manhã fui passando por algumas centenas de peregrinos. Como o caminho segue paralelo à estrada, optei por pedalar na estrada, porque o piso era melhor e também porque havia imensos peregrinos no caminho e era preciso estar sempre a avisar “bici”.
Já estavam acima dos 1000m e foi sempre a subir até aos 1500m. Passou um grupo de espanhóis por mim, ainda tive a tentação de ir com eles, mas optei por ir no meu ritmo, pois ainda estava no início da jornada.
É uma subida muito dura, mas a chegada à Cruz de Ferro, um dos locais mais míticos do caminho francês, é sempre muito emocionante. É um local bonito, onde de acordo com a tradição cada peregrino deve depositar uma pedra trazida de casa, que deve ter um peso equivalente aos seus pecados!

A partir daqui foram 20km de descida estonteante até Molinaseca por vezes a velocidades superiores aos 60km/h.
Atravessamos a bela aldeia de El Acebo e a descida continuou até Molinaseca, uma vila muito bonita, com uma aprazível praça junto à ponte romana e com uma enorme oferta de restaurantes, bares e residenciais. Fiz uma paragem para descansar e comi um bocadillo e uma coca-cola.

Á saída de Molinaseca encontra-se o albergue municipal que tem um excelente aspecto, com a particularidade de ter algumas camas montadas no alpendre.

A passagem por Ponferrada, uma grande cidade, de grande importância industrial, foi muito tranquila. Comprei umas lembranças junto ao majestoso castelo dos Templários e numa loja com saldos, aproveitei para comprar uns lençóis baratos (6€) para substituir o saco-cama que era demasiado quente.

A partir de Ponferrada o caminho continua por estradas de alcatrão planas e tranquilas até Cacabelos. Aqui almocei uma pizza e 2 cañas. Nesta altura já tinha feito 62km e era 13h50.
Á saída de Cacabelos, fica o albergue municipal, construído em redor do adro da Igreja da Virgem das Angustias, com cabines duplas (4€).

A povoação seguinte é Vila Franca del Bierzo. A partir daqui o caminho é praticamente plano, ao lado do rio Valcarce e da Estrada Nacional. Para segurança dos peregrinos foi construída um passeio pedonal com um separador em betão.
Estava imenso calor e o que ía valendo eram as sombras das árvores do lado esquerdo. Em Vega de Valcarce comprei umas bananas e comi um gelado. Um pouco mais à frente, as setas indicam a descida para Las Herrerias, uma aldeia verdejante, mesmo no fundo do vale, com vacas a pastar e um ribeiro a correr. Estava a 725 m de altitude e o alto do Cebreiro a 1340m. À saída de Las Herrerias, as setas mandam os ciclistas pelo alcatrão, enquanto os peregrinos a pé vão pela esquerda, por um trilho de montanha inacessível a ciclistas.
A partir daqui é sempre a subir. São cerca de 11km, sempre com inclinações a rondar os 10%. Demorei mais de 2 horas a chegar ao alto. O sol não dava tréguas, continuava acima dos 30 graus, não havia sombras e meu conta-quilómetros marcava 6-7 km hora. Tive que fazer várias paragens, para recuperar. A determinada altura da subida havia duas opções e eu fui pela recomendada para ciclistas, a que passava por La Laguna de Castilla, a última povoação da província de León. A partir do Cebreiro entramos na província da Galiza e o caminho passa a estar marcado com marcos de 500 em 500m, indicando a distância que falta para Santiago. A subida é duríssima, mas a paisagem é magnífica.

Foi com emoção e alívio que cheguei ao Cebreiro, um local muito bonito e um dos mais emblemáticos do caminho francês. Foi aqui que foi construído o primeiro albergue de peregrinos, no ano 836. Existem também, bares, lojas de lembranças e cabanas celtas em perfeito estado de conservação.

O Cebreiro é também conhecido pelo “milagre do cálice”. De acordo com a lenda, no ano 1300 durante a missa, um monge que levava a cabo a celebração da missa, mas fazendo-a com pouca fé, e depreciando o sacrifício dum camponês, a única pessoa presente, quando lhe estava a dar a hóstia, esta transfornou-se em carne e o vinho em sangue. O cálice do milagre ainda existe é a mais valiosa relíquia da igreja pré românica de “Santa Maria la Real”, que tem quase 1000 anos (ano 1072).
O camponês devoto e o incrédulo celebrante estão sepultados na Capela dos Milagres no Cebreiro.
Consta que a rainha Santa Isabel, no ano de 1488, quando regressava da peregrinação a Santiago, quis levar o cálice para um local mais seguro. Mas poucos quilómetros à frente, os cavalos recusaram-se a continuar. A rainha entendeu isto com um sinal divino de que o cálice deveria permanecer no Cebreiro.
Depois de saborear esta passagem pelo Cebreiro, e porque o sol ainda estava alto, e pensando eu que a partir daqui era sempre a descer, decidi prosseguir e continuar mais alguns quilómetros.
Mas ainda haviam algumas subidas e depois de descer, tive que voltar a subir para o Alto do Poio (1355m), o mais alto local do caminho na Galiza.
Fui pedalando, atento a algum albergue. Encontrei apenas algumas casas de turismo rural, pelo que decidi continuar até Triacastela. Para terminar o dia em beleza, voltei a desfrutar de mais uma descida espectacular até Triacastela, dos 1355m até aos 735m. Aqui uns peregrinos disseram-me que os albergues estavam todos cheios, e que a única alternativa era acampar nos relvados em redor do albergue municipal. Era mesmo o que eu queria, pois nas noites anteriores não dormi lá muito bem, pelo calor e pelos roncadores. Montei a tenda num sítio sossegado próximo da tenda de outra família que também estava a fazer o caminho de bicicleta e com um atrelado “bob”. Paguei 5€ para poder usar os balneários.

E para acabar o dia em beleza e para repor as calorias gastas, nada melhor do que jantar um menu do peregrino (salada mista, ovos mexidos com batatas fritas e uma caña).

5º dia – 12 Agosto 2011 - Triacastela - Arzua
(109 km - 8h43)


Esta noite acampei em Triacastela e apesar de o colchão não ser o melhor, dormi bem, sem calor e sem roncadores.
Quando acordei estavam 9 graus e comecei a pedalar por volta das 8h30. Estava mesmo frio.
O caminho até Samos é espectacular, tranquilo, com muitas sombras, com uns riachos nos prados verdejantes. Convida a pedalar nas calmas.
A descida para Samos, com vistas espectaculares sobre o imponente mosteiro, é imperdível. Foi aqui, numa esplanada em frente ao mosteiro que tomei o pequeno almoço.

Continuei e os trilhos são espectaculares, com muitas sombras e prados verdejantes, a lembrar o caminho português.
Muitas vacas a pastar e muito cheiro a bosta pelas aldeias por onde passava.
Depois de Sarria, apanhei algumas subidas, o caminho é mais ondulado, mas sempre tranquilo e com sombras.
Em Ferrarias parei para almoçar uns ovos com chouriço e batatas fritas e uma caña. E tive a companhia de um peregrino muito conversador, que estava a fazer o caminho francês pela 7ª vez, desta vez acompanhado pela esposa.

Já estava perto de Portomarin, povoação muito bonita, na margem direita do rio Minho, em que se destaca a Igreja Fortaleza.

Depois de ter descansado um pouco no jardim de Portomarin, carimbei a credencial, tirei umas fotos e continuei o caminho.

Estava muito calor e era a subir, pelo que optei por ir por terra, onde haviam mais sombras e os caminhos eram mais agradáveis.
Passei em Ligonde, e enchi os cantis com água fresca da fonte do peregrino.
Uns quilómetros depois de Palas del Rei, falhei uma indicação e andei algum tempo perdido. Optei por avançar e tentar retomar o caminho mais à frente. Tive que perguntar pelo caminho para Melide e só voltei a encontrar setas amarelas em Coto, a primeira aldeia da Coruña. Aqui reecontrei um restaurante onde tinha almoçado em 2007, da primeira vez que fiz o caminho francês.
Entretanto, com o fresco do entardecer, foi óptimo pedalar tranquilamente… mas ainda tive umas subidas boas até chegar a Melide.

Melide é uma grande vila, e aproveitei para ir a um supermercado comprar comida.
Como me estava a saber bem pedalar com o fresco, continuei até Arzua, para ficar mais perto de Santiago. Ainda parei no pitoresco albergue de Ribadiso, que fica mesmo á beira dum rio e rodeado de árvores. O albergue estava cheio, ma disseram-me que em Arzua podia pernoitar no pavilhão municipal. Foi o que fiz, pedalei mais 3km até Arzua, instalei-me no pavilhão, em cima duns colchões de ginástica, tomei um banho e jantei.


6º dia – 14 Agosto 2011 - Arzua – Santiago de Compostela
(41km – 2h 51)

Depois de uma noite bem dormida num confortável colchão no Pavilhão Municipal de Arzua, levantei-me cedo e antes das 8h30 já estava a pedalar.
Como tinha comida, tomei o pequeno almoço no pavilhão.

O dia amanheceu fresco, com nevoeiro e chuva miudinha. Havia muita gente no caminho e notava-se que o passo era mais apressado, pois todos queriam chegar a Santiago neste dia. Passei por alguns belos trilhos de floresta, fiz algumas paragens para carimbar a credencial de peregrino e estive mais algum tempo junto à Capela do Monte do Gozo, onde tirei as últimas fotos antes de chegar a Santiago.

O dia continuava chuvoso, mas era chuva miudinha e não incomodava a progressão. Desci do Monte do Gozo, atravessei a parte alta da cidade de Santiago e cheguei à zona antiga por volta das 11h. Como era domingo, a praça do Obradoiro, assim como as ruelas que lá vão desembocar, estavam repletas de peregrinos e turistas.
Apesar de não ser a primeira vez, a chegada à catedral de Santiago é sempre emocionante. Foi a primeira vez que cheguei a Santiago a tempo de assistir à missa do peregrino.

Pedi para me tirarem uma foto à chegada e fui à oficina do peregrino, buscar a minha 9ª “Compostela”, a segunda pelo caminho francês. Esperei pela minha esposa para juntos assistirmos à missa do peregrino, que ocorre todos os dias ao meio-dia. A catedral estava completamente cheia e ambiente é único.

Depois da missa já chovia com mais intensidade em Santiago, comprámos umas lembranças, e comemos umas tapas numa esplanada da zona antiga.
Montei as barras no carro que estava no estacionamento subterrâneo, e só depois de ele sair é que pude montar a bicicleta.

Balanço final
Correu tudo muito bem. A bicicleta esteve impecável, apenas um furo a registar
Os caminhos da Via da Prata são bons e tranquilos, com poucas subidas e enormes rectas pelo meio de campos de restolho de trigo. Mas as poucas sombras e o calor tornam este caminho desgastante e monótono. É raro ver um peregrino. Em 2 dias e 220km apenas passei por 5 peregrinos.

As cidades de Salamanca, Zamora e Benavente são espectaculares e merecem que se gaste algum tempo, nas ruelas e a visitar os monumentos. O banho que tomei no rio Douro, em Zamora, foi um dos bons momentos desta viagem.
No caminho francês adorei os caminhos, sempre agradáveis e variados, com sombras e com bom piso. Achei fantástico a quantidade de peregrinos pelos quais fui passando e com quem fui conversando ou simplesmente cumprimentando.
Os peregrinos têm de uma maneira geral um comportamento impecável e respondem com um sorriso à saudação de “bom camiño”
Existe uma enorme oferta de albergues privados ou municipais e quartos a preços razoáveis. Há também muitos bares e restaurantes, com menú do peregrino a preços a rondar os 8€.
Foi um boa experiência fazer os caminhos sozinho, pois tive mais tempo para estar concentrado nos meus pensamentos e senti-me completamente livre, para fazer o “meu” caminho, à minha maneira e no meu ritmo.
E passei em locais muitos bonitos – Zamora, Astorga, Cruz de Ferro, El Acebo, Molinaseca, Samos, Cebreiro, etc.

Espectacular.

Vitor Milheiro

3 comments:

Luis Eme said...

mais um excelente diário de viagem.

abraço Vitor

Ecovias de Portugal said...

Excelente relato. Fica um bichinho .. :)

Mirna said...

Como é bom fazer essas viagens, eu quero ir de férias em algum lugar, em algum momento eu espero fazer o mesmo, mas de qualquer maneira agora eu estou trabalhando muito em restaurantes em santana