Friday, August 2, 2019

Caminho Português da Costa


O Caminho Português da Costa
 

        De Caldas da Rainha a Santiago de Compostela de bicicleta (550km)

Pedalar das Caldas da Rainha até Santiago de Compostela foi o desafio a que me propus no início deste verão, na companhia dos meus amigos Nuno Faria e Alfredo Silva e  do meu irmão Luís Milheiro se associou a este desafio acompanhando-nos com o carro de apoio.

Como já conhecíamos o Caminho Central, que percorre montes e vales por caminhos tranquilos, mas ondulados, (Lisboa, Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Águeda, Ponte de Lima, Valença, Tui, Pontevedra, Padrón) e é fisicamente mais exigente, principalmente para quem viaja com alforges …
…este ano decidimos  experimentar um itinerário diferente. Escolhemos o Caminho da Costa que é maioritariamente plano, aproveita as muitas ciclovias e passadiços existentes na orla costeira portuguesa e galega e durante mais de 400km tem o mar por companhia,




Percorremos um total de 550 quilómetros, que foram divididos em 5 etapas:
1ª etapa  -   118km ……....Caldas da Rainha – Figueira da Foz
2ª etapa   -  151km ………..Figueira da Foz - Porto
3ª etapa   -  116km ………..Porto - Caminha
4ª etapa   -   97km ……..… Caminha - Pontevedra
5ª etapa   -   68km ……….. Pontevedra – Santiago

Na 1ª etapa saímos das Caldas da Rainha e por Alfeizerão e Vale da Cela, chegámos à costa na praia da Nazaré. Depois de apreciamos as sempre belas vistas do Sítio da Nazaré, continuámos pela excelente ciclovia Atlântica, que passa em S. Pedro Moel, Praia da Vieira, Pedrógão, lagoa da Ervedeira e termina 40 quilómetros depois, já próximo da Figueira da Foz, local onde terminámos esta etapa, tendo pernoitado no simpático Hostel 402.

Iniciámos a 2ª etapa em direção a Buarcos, atravessámos o cabo Mondego até à praia de Quiaios e apanhámos a terrível estrada florestal que passa perto da praia da Tocha e segue até Mira. Depois de alguns quilómetros ao lado da vala de Mira, chegámos ao Cais do Areão, onde a ria de Aveiro nos passa a fazer companhia por mais de 40km.



Depois de uma sardinhada na Costa Nova, apanhámos o ferry que atravessa o rio Vouga para S. Jacinto. Continuámos pelas praias da Torreira, Furadouro, Esmoriz, Espinho, e entrámos nas espetaculares ciclovias do concelho de Vila Nova de Gaia, (Miramar, Madalena, Afurada..) que nos conduzem até à margem sul do rio Douro. Já o sol se tinha escondido há algum tempo quando passámos a ponte D. Luís e o cais da Ribeira e finalmente chegámos à Pousada de Juventude da cidade do Porto.


Na 3ª etapa o desafio foi percorrer toda a costa minhota, passando por tranquilas e recatadas praias, e por outras conhecidas e movimentadas como Matosinhos, Mindelo, Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora e Moledo. Cruzámos vários rios (Douro, Leça, Cávado, Ave, Lima, Âncora e Minho) e foi ao fim da tarde que chegámos a Caminha, localidade que se espraia pela margem sul do estuário do rio Minho. Pernoitámos no Hostel Arca Nova.





A 4ª etapa iniciou-se com a travessia do rio Minho para La Guarda e foi sempre junto ao mar que percorremos a costa de Vigo, passando pelas praias de Oía, Baiona e Nínguan e atravessando a enorme cidade de Vigo.





Depois de contornarmos a ria de Vigo, chegámos a Redondela, localidade onde o caminho se despede do mar e entronca no Caminho Central. A partir daqui a paisagem mudou completamente. Em vez do mar passámos a ter a companhia das verdejantes paisagens da Galiza e o caminho é um sobe e desce de belos e divertidos trilhos, que percorrem florestas, atravessam tranquilas aldeias rurais e cruzam algumas cidades.


Depois da Ponte Sampaio e da calçada romana, percorremos os últimos quilómetros até ao Albergue de Pontevedra, que fica no início da cidade, mesmo junto à estação ferroviária.




Na 5ª e última etapa (68km), a primeira paragem foi em Caldas dos Reis, junto à fonte termal. Em Padron, em dia de feira semanal, comprámos uns frangos assados e almoçámos junto ao rio Ulla. Depois de mais uns quilómetros por ondulados e tranquilos trilhos, começámos a avistar a cidade onde, segundo a lenda estão os restos mortais do apóstolo Tiago. E foi com alegria e emoção que subimos os últimos quilómetros e entrámos nas ruelas medievais que conduzem os peregrinos até à Praça do ObradoiroDepois de uma breve visita à  magnífica catedral, cujo interior estava em obras, comprámos algumas lembranças e fomos à Oficina do Peregrino receber a merecida Compostela.





E assim terminou este desafio, que foi a minha 15ª peregrinação a Santiago de Compostela .
Correu tudo de acordo com o previsto, sem avarias mecânicas, sem problemas físicos e sempre com companheirismo e boa disposição.
Um obrigado especial aos meus companheiros de viagem Nuno Faria e Alfredo Silva, por terem aceite o desafio de me acompanharem nesta peregrinação e por terem tido sempre uma atitude positiva, mesmo nos momentos mais duros... e ao meu irmão que  foi uma preciosa ajuda e permitiu que viajássemos com pouca bagagem








 



1 comment:

Luis Eme said...

Grande Peregrino!

15, é obra!

abraço