Monday, October 5, 2015

História dos grandes viajantes de bicicleta


História dos grandes viajantes de bicicleta

 


Introdução

 

A história do cicloturismo começa com a invenção da bicicleta. Desde o princípio que a bicicleta mostrou ser uma excelente forma de viajar. Entre os pioneiros das viagens de bicicleta, existem alguns nomes incontornáveis que ainda hoje são fonte de inspiração para muitos cicloturistas.

 

As pessoas que sentem o apelo pelas grandes viagens e que optam pela bicicleta como meio de transporte, encontram nesta forma de viajar:

  • independência e auto suficiência,
  • uma velocidade da pedalada perfeita para ver o mundo,
  •  a possibilidade de visitar lugares inacessíveis,
  •  uma ótima forma de interagir e conhecer as populações,
  •  novidade e surpresa todos os dias
  •  ausência de impacto sobre o ambiente.
     
    As motivações que levam estes viajantes a percorrer o mundo de bicicleta são várias:

  • Alguns viajam para fugir de uma vida monótona e repetiva.
  • Há quem viagem para se sentir livre, para se libertar das amarras de um quotidiano rotineiro, cheio de obrigações, em que as pessoas não vivem, apenas sobrevivem
  • Viajam para co mundo tal como ele é e não como alguns países poderosos nos querem fazer acreditar que é.
  • Para conhecer novas culturas, outras povos, outros costumes, outra gastronomia
  • Há quem ande á procura de si próprio e viaje para conhecer a sua  verdadeira essência
  • Há quem viaje por solidariedade, para angariar fundos ou para denunciar injustiças e dar voz a quem não tem voz
  • Ser surpreendido pela natureza e pelas pessoas
  • Fuga a um modo de vida “convencional”
      
    Os grandes viajantes de bicicleta

     
    O primeiro turista de bicicleta conhecido foi o americano Thomas Stevens, que em  1884 deixou São Francisco numa bicicleta  Columbia de roda alta com o objetivo de se tornar o primeiro homem a andar de bicicleta através dos Estados Unidos. Quando chegou a Boston decidiu continuar a pedalar pelo resto do mundo. Partiu para Londres onde iniciou uma viagem pela Europa, Médio Oriente e Ásia.
    A bicicleta era pesada e não permitia levar muita bagagem, mas Stevens foi preserverante.
    Registou as suas aventuras da sua odisseia de três anos, no livro “Around the world on a bycicle”, que se tornaria num clássico da literatura de viagens e aventura do século XIX.
     
Em 1889, três franceses pedalaram durante oito dias os 720 quilómetros que separam Bordéus de Paris.


Na primavera de 1892, o jovem americano Frank G. Lenz partiu de sua casa em Pittsburgh para circundar o globo em cima da bicicleta.

Levou consigo uma câmera fotográfica e periodicamente, enviava fotos e artigos para a revista Outing, que o patrocinou

Dois anos, 22 000km e muitas aventuras mais tarde, depois de cruzar os Estados Unidos, Japão, China, Birmânia, Índia e Pérsia, e quando estava prestes a entrar na Europa para a reta final, Lenz desapareceu. Julga-se que foi assassinado na Turquia o que teve um grande impacto nos Estados Unidos, o que o tornou uma lenda.

 









 

Em 1895, Annie Londonderry tornou-se a primeira mulher a pedalar em torno do mundo. O desafio de Londonderry foi dar a volta ao mundo de bicicleta em 15 meses e de ganhar 5.000 dolares. Esta aventura foi um teste da capacidade de uma mulher para cuidar de si mesma. Apesar de nunca ter andado de bicicleta, ela aceitou o desafio deixando o marido e os filhos. Around The World On Two Wheels  é o livro de sua jornada extraordinária escrita por seu sobrinho Peter Zheutlin.

 
 

Francis Birtles entre 1905 e 1909 circum navegou a Austrália por duas vezes e atravessou o continente por sete vezes.

Em 1909 publicou o livro “Lonely Lands” onde relata as suas aventuras.

 


              

Em 1934, o alemão Fred Birchmore, com 25 anos, iniciou uma volta ao mundo em que pedalou mais de 40 mil quilómetros pela Europa, Ásia e Estados Unidos.

Esta aventura é relatada no livro “Around the world on a bycicle”.

 

             

Em 1946, Wendy Law de 19 anos e Shirley Duncan de 19 anos, companheiras de escola, iniciaram uma viagem de bicicleta pela Austrália, que duraria 3 anos, só regressando a Melbourne em abril de 1949.

 





 

Entre as mulheres cicloturistas mais famosas destaca-se o nome de Dervla Murphy. Esta irlandesa ficou conhecida  pela sua primeira longa viagem de bicicleta, quando em 1963 pedalou da Irlanda até à Índia, que relata no livro “Full tilt- Ireland to India with a bicycle”

Mais de 40 anos depois, com 81 anos, Dervla  continua a viajando por mulas, bicicletas ou barcos e escrever livros  sobre suas aventuras.

 




 

Estávamos no ano de 1959, quando o alemão Walter Stolle disse à namorada que ia viajar pelo mundo durante 3 anos…só regressaria passados 18 anos tendo visitado 159 países e percorreu mais de 600 mil quilómetros.

        



 

Heinz Stucke o mais viajado cicloturista da história, viaja há mais de 50 anos e já pedalou mais de 600 mil quilómetros. O seu nome está no livro do Guiness World Records por ser o único homem que já pedalou por todos os países do mundo.

 



Louise Stherland, começou a viajar de bicicleta desde muito nova, mas a sua viagem mais fantástica, aconteceu em 1978, aos 52 anos, quando partiu sozinha para uma viagem de 4.400 km através da selva amazónica. Ela foi a primeira pessoa a pedalar naquela região e escreveu um livro sobre sua viagem, apropriadamente intitulado “The Impossible Ride.”

Impressionada pela carência do povo da Amazónia, Louise dedicou os 7 anos seguintes a conseguir fundos para criar uma Clínica Móvel que prestasse atendimento médico aqueles povos.



 

Bernard Magnouloux pedalou durante 5 anos (entre 1982 e 1987), à volta do mundo, viajando por 45 países, com  a sua “Rosinante”, uma bicicleta de 15 dólares com a qual pedalou 77 000kms por África, Ásia, e Américas, vivendo com uma média de £ 2 por dia.

No seu livro “Travels with rosinante”, um dos mais fascinantes diários de viagem ele conta porque achou a América do Sul um continente hostil.

 



Barbara Savage e o seu marido Larry, em 1978 iniciaram uma volta ao mundo e em 2 anos pedalaram mais de 37 mil quilómetros passando por 25 países .

Miles From Nowhere é  o relato da viagem e também uma homenagem à memória de Bárbara que perdeu a vida  jovem durante um acidente enquanto treinava.

 



 

O casal Bruce Junek e Tass Thacker, companheiros de aventuras há mais de 30 anos, fizeram a sua primeira volta ao mundo em bicicleta no início da década de 80, numa viagem que durou 26 meses e passou por 22 países.

 




 

Tim e Cindie Travis sairam de casa em 2002 e passaram a década seguinte  a pedalar pelas Américas, Austrália, Nova Zelândia e Ásia.

Escreveram vários livros. No livro “Down the road in South América” relatam as suas aventuras nas altas montanhas dos Andes, as noites mais frias e as situações perigosas.








John Hathaway é uma lenda no cicloturismo. Pedalou mais de 176 00km desde que começou as suas viagens de bicicleta em 1953.


Em 1972-74 deu uma volta ao mundo (81 000km), tendo visitado 52 países nos 6 continentes, o que lhe valeu o nome inscrito no Guinness Book of World Records.

 









Lloyd  Sumner  iniciou em 1970  uma volta ao mundo que duraria 4 anos  e que relata no livro The Long Ride É uma história que atravessa culturas, países e personalidades.  Durante esta viagem escalou o Monte McKinley , o Monte Branco e o Kilimanjaro com equipamento emprestado e pouca preparação.

 


                 
Josie Dew  começou a viajar de bicicleta muito jovem em 1985 e nunca mais parou.
Na sua primeira grade viagem, cruzou a Europa com o namorado. Já escreveu 7 livros sobre as suas viagens e nos últimos anos começou a viajar com os seus filhos.





A britânica Anne Mustoe, aos 58 anos  e acabada de se aposentar, iniciou a sua primeira viagem de bicicleta pelo mundo em 1987.

Usando rotas históricas como inspiração, Anne Mustoe seguiu as antigas estradas romanas na Europa, viajou pela rota dos conquistadores  na América do Sul e pedalou ao longo da lendária Rota da Seda.

Completou a sua segunda volta ao mundo em 2010, percorrendo 16 720km e atravessando 24 países.

 


   

George J. Hawkins  no final dos anos 90, pedalou durante  3 anos  mais de 28 000kms desde  Anchorage, Alaska até à Terra do Fuego, na ponta da América do Sul e relatou a sua viagem no livro “ A bycicle journey to the botton of the americas”

 

           



Dominic Gill  deixou o emprego em 2005 e partiu do Alasca numa bicicleta “tandem” com o objetivo de chegar a Ushuaia, a cidade mais austral da América do Sul.

 Ao longo da viagem, que durou 26 meses, Dominic cobriu mais de 29000 kms ao longo da costa oeste das Américas, passou por 15 países e compartilhou a sua “tandem” com 270 companheiros que quiseram ajudá-lo na sua longa jornada.


        


 

Eric Schambion e Amaya Williams já pedalaram juntos mais de 140, 000 km por 96 países em todos os seis continentes habitados e o seu objetivo é tornarem-se tornar o primeiro casal a percorrer todos os 195 países do planeta.

 




 

Tom Kevill-Davies  saiu de Nova York com o objetivo de pedalar pelas américas, uma das maiores aventuras gastronómicas realizadas até hoje.

Tom percorreu mais de 16 mil quilómetros através das Montanhas Rochosas, Califórnia, América Central,  o Brasil, Colômbia,  à procura da comida perfeita que relata no livro “The hungry cyclist”.



Numa semana, Scott Stoll perdeu o emprego, o seu melhor amigo, a sua namorada e sua confiança. Sua resposta resultou em quatro anos a viajar pelo mundo de bicicleta, 41 444kms, 50 países e 6 continentes em busca de respostas para os grandes mistérios da vida.

 O livro “Falling Uphill” relata como foi esta epopeia com momentos de pura sobrevivência e momentos de pura iluminação.

 

              

Vítor Milheiro  (2015)



1 comment:

Luis Eme said...

Além da história, parece mesmo que a bicicleta é uma companheira fiel para a vida.

Resistente a quase tudo.

(gostei do teu artigo na "Gazeta" - que devias publicar aqui - e até pensei que bom que seria fazeres esse levantamento em Almada, que até já ganhou prémios internacionais, sem ter uma única ciclovia no centro urbano...)

abraço Vitor