Saturday, September 20, 2008

De Caldas a Santiago em BTT (Ago 2008)


Depois de termos feito os Caminhos de Santiago por várias vezes (quatro no Caminho Português e uma no Caminho Francês), decidimos este ano começar a pedalar a partir das Caldas.
O desafio foi percorrer durante 6 dias, de BTT e em autonomia, os cerca de 540 km entre as Caldas e Santiago de Compostela.
Alinharam neste desafio o Ricardo Ferreira, o Nuno Ribeiro e o Vítor Milheiro.
Os outros companheiros foram ter a S. Pedro de Rates e fizeram connosco as 3 últimas etapas.
Apesar de não haver caminho marcado junto à costa, a nossa opção foi pedalar durante os 3 primeiros dias o mais possível próximo do mar, por caminhos e estradas secundárias.

No primeiro dia depois de passar por S. Martinho e Nazaré, apanhámos a excelente ciclovia que passa por S. Pedro de Moel e vai até à Praia da Vieira. Continuamos dentro do pinhal de Leiria por Pedrógão e Leirosa. Como ainda era cedo e o cansaço não era muito, continuámos até à Figueira da Foz, passámos o cabo Mondego e foi ao pôr do sol, ao fim de 7 horas a pedalar, que chegámos a Quiaios, onde ficamos num “bengali” no parque de campismo.


 











No segundo dia, depois de passarmos pelas praias de Tocha e Mira, seguimos junto à vala de Mira até ás margens da ria de Aveiro, que nos iria fazer companhia durante os seguintes 50km. Como o dia estava excelente, tomámos um banho na praia da Vagueira. Depois de passar pela Costa Nova, apanhámos o ferry para S. Jacinto e continuámos a pedalar até ao Furadouro onde ficámos em casa de amigos.

No terceiro dia partimos com a expectativa de dar um mergulho nas praias de Esmoriz ou Espinho, mas a temperatura fresca e o nevoeiro, fez-nos mudar de ideias. Assim, continuamos a pedalar, à beira do mar, na espetacular ciclovia que vai de Espinho até Vila Nova de Gaia. Com a entrada no Rio Douro o nevoeiro foi-se embora e a nossa passagem pelo Porto foi banhada por um sol magnífico. Foi a partir da ponte D. Luís, que começamos a seguir as setas amarelas do Caminho de Santiago. E foi no coração do Porto que parámos para almoçar umas deliciosas “francesinhas”.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Depois de alguns quilómetros na zona urbana do Porto, entrámos finalmente na tranquilidade dos Caminhos de Santiago. O destino era o albergue da aldeia medieval de S. Pedro de Rates, instalado numa antiga casa rural. Foi aqui o ponto de encontro com os companheiros que iriam fazer connosco os últimos 220km.

Estávamos no quarto dia e a expectativa era grande, pois dos catorze, apenas quatro já tínhamos feito o caminho.
Esta etapa passava por Barcelos e Ponte de Lima, em pleno coração do Minho. O almoço foi em Ponte de Lima e o ponto alto da etapa foi a sesta que dormimos num relvado cheio de sombras, à beira do rio Lima. Antes de chegar ao albergue de Rubiães, recuperado a partir duma antiga escola primária, ainda faltava a dura travessia da serra da Labruja, que obrigou a grandes períodos com a bicicleta ás costas. Esta serra, e em particular a passagem pela Cruz dos Franceses (ou Cruz dos Mortos) é um local mítico, pois foi aqui que, há 200 anos, os habitantes desta região deram uma valente tareia nos invasores franceses.













O quinto dia começou tranquilo até Valença. Em Tuy, subimos as íngremes calçadas da zona antiga até à Catedral. E foi a partir daqui que apanhámos uma valente chuvada durante mais de 20km. Só em Mós o bom tempo voltou.
Em Redondela, uma paragem para beber uma cidra antes de pedalar os últimos quilómetros até ao albergue de Pontevedra.

E finalmente a última etapa. A primeira paragem foi em Caldas dos Reis, onde banhámos os pés nas quentes águas da fonte termal (46º). Na passagem por Padron, em dia de feira, não resistimos à passagem por uma churrasqueira. Comprámos frangos, pão e bebidas e almoçamos na margem do Rio Ulla, rio por onde, segundo a lenda, entrou a barcaça com corpo do apóstolo Tiago, que havia sido decapitado na Terra Santa.
Com o aproximar da cidade de Santiago as forças voltaram e foi com alegria e emoção que subimos os últimos 2km até à Praça do Obradoiro, em frente da Catedral. Depois das últimas fotos, fomos à oficina do peregrino buscar a “Compostela”, visitámos a magnifica

catedral e compramos algumas lembranças.












 
A peregrinação deste ano correu muito bem. Não houve acidentes, nem avarias graves – apenas dois furos. O ambiente foi sempre de amizade e boa disposição e todos partilharam o espírito de que o mais importante dos Caminhos de Santiago não é chegar, mas sim usufruir do caminho.
 
As etapas:
1º dia – Caldas – Quiaios (133km)
2º dia – Quiaios – Furadouro (104km)
3º dia – Furadouro – S. Pedro de Rates (90km)
4º dia – S. Pedro de Rates - Rubiães (70km)
5º dia – Rubiães – Pontevedra (71km)
6º dia – Pontevedra – Santiago (69km)

1 comment:

Luis Eme said...

grande aventura... isso é que foi dar ao pedal!

abraço Vitor