sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Caminho Português da Costa


O Caminho Português da Costa
 

        De Caldas da Rainha a Santiago de Compostela de bicicleta (550km)

Pedalar das Caldas da Rainha até Santiago de Compostela foi o desafio a que me propus no início deste verão, na companhia dos meus amigos Nuno Faria e Alfredo Silva e  do meu irmão Luís Milheiro se associou a este desafio acompanhando-nos com o carro de apoio.

Como já conhecíamos o Caminho Central, que percorre montes e vales por caminhos tranquilos, mas ondulados, (Lisboa, Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Águeda, Ponte de Lima, Valença, Tui, Pontevedra, Padrón) e é fisicamente mais exigente, principalmente para quem viaja com alforges …
…este ano decidimos  experimentar um itinerário diferente. Escolhemos o Caminho da Costa que é maioritariamente plano, aproveita as muitas ciclovias e passadiços existentes na orla costeira portuguesa e galega e durante mais de 400km tem o mar por companhia,




Percorremos um total de 550 quilómetros, que foram divididos em 5 etapas:
1ª etapa  -   118km ……....Caldas da Rainha – Figueira da Foz
2ª etapa   -  151km ………..Figueira da Foz - Porto
3ª etapa   -  116km ………..Porto - Caminha
4ª etapa   -   97km ……..… Caminha - Pontevedra
5ª etapa   -   68km ……….. Pontevedra – Santiago

Na 1ª etapa saímos das Caldas da Rainha e por Alfeizerão e Vale da Cela, chegámos à costa na praia da Nazaré. Depois de apreciamos as sempre belas vistas do Sítio da Nazaré, continuámos pela excelente ciclovia Atlântica, que passa em S. Pedro Moel, Praia da Vieira, Pedrógão, lagoa da Ervedeira e termina 40 quilómetros depois, já próximo da Figueira da Foz, local onde terminámos esta etapa, tendo pernoitado no simpático Hostel 402.

Iniciámos a 2ª etapa em direção a Buarcos, atravessámos o cabo Mondego até à praia de Quiaios e apanhámos a terrível estrada florestal que passa perto da praia da Tocha e segue até Mira. Depois de alguns quilómetros ao lado da vala de Mira, chegámos ao Cais do Areão, onde a ria de Aveiro nos passa a fazer companhia por mais de 40km.



Depois de uma sardinhada na Costa Nova, apanhámos o ferry que atravessa o rio Vouga para S. Jacinto. Continuámos pelas praias da Torreira, Furadouro, Esmoriz, Espinho, e entrámos nas espetaculares ciclovias do concelho de Vila Nova de Gaia, (Miramar, Madalena, Afurada..) que nos conduzem até à margem sul do rio Douro. Já o sol se tinha escondido há algum tempo quando passámos a ponte D. Luís e o cais da Ribeira e finalmente chegámos à Pousada de Juventude da cidade do Porto.


Na 3ª etapa o desafio foi percorrer toda a costa minhota, passando por tranquilas e recatadas praias, e por outras conhecidas e movimentadas como Matosinhos, Mindelo, Póvoa de Varzim, Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora e Moledo. Cruzámos vários rios (Douro, Leça, Cávado, Ave, Lima, Âncora e Minho) e foi ao fim da tarde que chegámos a Caminha, localidade que se espraia pela margem sul do estuário do rio Minho. Pernoitámos no Hostel Arca Nova.





A 4ª etapa iniciou-se com a travessia do rio Minho para La Guarda e foi sempre junto ao mar que percorremos a costa de Vigo, passando pelas praias de Oía, Baiona e Nínguan e atravessando a enorme cidade de Vigo.





Depois de contornarmos a ria de Vigo, chegámos a Redondela, localidade onde o caminho se despede do mar e entronca no Caminho Central. A partir daqui a paisagem mudou completamente. Em vez do mar passámos a ter a companhia das verdejantes paisagens da Galiza e o caminho é um sobe e desce de belos e divertidos trilhos, que percorrem florestas, atravessam tranquilas aldeias rurais e cruzam algumas cidades.


Depois da Ponte Sampaio e da calçada romana, percorremos os últimos quilómetros até ao Albergue de Pontevedra, que fica no início da cidade, mesmo junto à estação ferroviária.




Na 5ª e última etapa (68km), a primeira paragem foi em Caldas dos Reis, junto à fonte termal. Em Padron, em dia de feira semanal, comprámos uns frangos assados e almoçámos junto ao rio Ulla. Depois de mais uns quilómetros por ondulados e tranquilos trilhos, começámos a avistar a cidade onde, segundo a lenda estão os restos mortais do apóstolo Tiago. E foi com alegria e emoção que subimos os últimos quilómetros e entrámos nas ruelas medievais que conduzem os peregrinos até à Praça do ObradoiroDepois de uma breve visita à  magnífica catedral, cujo interior estava em obras, comprámos algumas lembranças e fomos à Oficina do Peregrino receber a merecida Compostela.





E assim terminou este desafio, que foi a minha 15ª peregrinação a Santiago de Compostela .
Correu tudo de acordo com o previsto, sem avarias mecânicas, sem problemas físicos e sempre com companheirismo e boa disposição.
Um obrigado especial aos meus companheiros de viagem Nuno Faria e Alfredo Silva, por terem aceite o desafio de me acompanharem nesta peregrinação e por terem tido sempre uma atitude positiva, mesmo nos momentos mais duros... e ao meu irmão que  foi uma preciosa ajuda e permitiu que viajássemos com pouca bagagem








 



domingo, 30 de junho de 2019

Caminho de Finisterra


O Caminho de Santiago de Finisterra

 


Introdução

Depois de 13 peregrinações pelos Caminhos de Santiago achei que era o momento para fazer o Caminho de Finisterra.


Muitos peregrinos depois de darem um abraço ao apóstolo no altar da Catedral de Santiago e receberem a sua benção, continuam  “ o caminho das estrelas  em direção ao mar, um perfeito epílogo para terminar a peregrinação, sossegar a alma e purificar o corpo nas águas revoltas do Atlântico na Costa da Morte”.


1ª etapa – Santiago – Córcubion  (74km)

A viagem para Santiago fez-se de carro. Depois de uma paragem em Ponte de Lima para pernoitar na Pousada da Juventude, no dia seguinte cheguei a Santiago pouco depois das 9h00. Estacionei o carro em parque não pago, a cerca de 500m da Catedral, comecei a pedalar eram cerca de 10h00.

O tempo estava cinzento, mas agradável para andar de bicicleta. Os primeiros quilómetros do percurso são muito bonitos, sempre verdejantes e através de bosques com caminhos muito bem cuidados e ladeados por muros de pedra.


Como era Semana Santa encontrei muitos peregrinos pelo caminho, o que me fez ficar apreensivo em relação à lotação dos albergues. Por precaução, em Negreira comprei um colchonete numa loja chinesa, para a eventualidade de ter que dormir no chão.


O primeiro ponto de interesse desta etapa foi a ponte medieval do rio Mazeira, que fica perto de Negreira, uma vila de média dimensão.

A partir daqui o tempo piorou. Entre Negreira e Oliveiroa apanhei uns pingos de chuva. Neste troço atravessei muitas quintas e pequenas aldeias rurais, onde parece que a grande indústria por estas bandas é a produção de estrume, cujo cheiro nos persegue durante vários quilómetros.


Pelo meio apanhei uma íngreme subida que teve que ser feita a pé e que passa por um miradouro de onde se avista a barragem de Fervenza.


Depois de Hospital cheguei a um cruzamento onde tive de decidir se ía por Múxia ou por Corcubión. Como a previsão meteorológica para o dia seguinte era de chuva e vento de sul, optei por seguir por Cee e Corcubión.


Depois da bifurcação, foi sempre debaixo de chuva e nevoeiro que percorri os últimos 15 quilómetros até ao albergue de S. Roque (Corcubión) onde pernoitei. Um simpático hospitaleiro e um grupo de espanhóis muito animados, tornaram o serão uma festa com um karaoke improvisado. O jantar foi confecionado pelo hospitaleiro, tal como o pequeno-almoço …e o pagamento foi donativo.

  2ª etapa  Corcubion -  Finisterra – Múxia – Oliveiroa (76km)

Depois de um pequeno-almoço no albergue, iniciei a 2ª etapa e foi debaixo de chuva que percorri os primeiros quilómetros bordejando a bela praia de Longosteira até ao cabo Finisterra.


A paisagem é muito bonita mas a chuva e o vento tornou dura a chegada ao cabo de Finisterra, onde tirei umas fotos e carimbei a credencial no restaurante do hotel.


Regressei a Fisterra para apanhar o caminho para Múxia. Entretanto o tempo melhorou e foi possível desfrutar de uma caminho muito bonito, com belas vistas sobre o mar da Costa da Morte. Depois de passar por Lires, onde existe um café e albergue, foram vários quilómetros a subir até Lourido. 

Depois de uma enorme descida comecei a avistar Múxia e foi sempre à beira do mar que fiz a aproximação a esta bela vila e cheguei ao Santuária da Virgem da Barca, local bonito e cheio de história. Esta igreja, que fica em cima do mar, foi muito maltratada há acerca de 2 anos a quando dos violentos temporais naquela costa.


Contornei o monte e foi com um belo sol, num jardim em frente da marina que almocei.

Entretanto iniciei o caminho de regresso a Santiago, o objetivo foi dormir em Oliveiroa. Mas tive algumas dificuldades em encontrar o caminho de regresso em direção a Dumbría, pois as setas estavam marcadas a pensar em quem vai na direção oposta. Felizmente levava GPS que me permitiu avançar sem grandes enganos.


Este troço não é particularmente bonito, menos verdejante e com muito eucalipto.

Passei em Dumbría, uma povoação bem cuidada e voltei a passar na rotunda da bifurcação e depois foi sempre a descer até Oliveiroa, onde pernoitei no albergue privado Casa Loncho, que possui valências de albergue, residencial e restaurante. Esta aldeia é um bom exemplo de uma pequena povoação que foi revitalizada para dar apoio aos inúmeros peregrinos que por ali passam.



3ª etapa -  Oliveiroa-Santiago  (55km)

Este foi a etapa de regresso a Santiago. Faltavam cerca de 55km para Santiago e saí por volta das 9h00, depois do pequeno-almoço no restaurante da Casa Loncho.



A meteorologia esteve boa, mas não foi uma etapa fácil. O caminho é muito ondulado, com subidas mais acentuadas e mais compridas no sentido de Santiago, que obrigaram a vários bocados com a bicicleta à mão. Nos primeiros 20km o cheiro a estrume foi uma constante e uma tendinite no joelho obrigou-me a defender ainda mais.


Em Negreira, fiz uma pequena paragem para lanchar junto a uma avenida de pequenas lojas.


Os últimos quilómetros foram um verdadeiro carrocel de subidas e descidas, com trilhos muito bonitos pelo meio de bosques densos, donde se começa a avistar ao longe as torres da Catedral. Depois de atravessar a Ponte Sarela, fiz a última subida até à praça do Obradoiro, que estava repleta de peregrinos, pois estávamos em plena Semana Santa.


Comprei algumas lembranças, fui à oficina do peregrino carimbar a credencial e regressei ao carro.

E assim concluí mais uma peregrinação a Santiago, desta vez pelo Caminho de Finisterra, caminho que encerra muitas histórias e lendas e belas paisagens.

 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Uma viagem de bicicleta pela costa portuguesa


Introdução

Pedalar por toda a costa portuguesa era um sonho de há muitos anos, recentemente tornado realidade. Ao longo de vários fins de semana, na companhia de familiares e amigos, fomos percorrendo os mais de 900 quilómetros da nossa costa, indo ao encontro do encanto das praias, arribas, estuários, baías, promontórios e cidades costeiras do nosso litoral.





A Costa Verde (110km)

Começámos em Caminha, junto à foz do rio Minho e fomos até à Praia do Moledo, pela ecovia do Cristelo, que atravessa a Mata do Camarido. Sempre junto ao mar, continuámos até Vila Praia de Âncora pela ecovia do caminho do sargaceiro.




Para evitar o desconforto das estradas empedradas do litoral minhoto percorremos alguns quilómetros na N-13 e chegámos a Viana do Castelo pela ciclovia litoral norte que se inicia na frente atlântica da cidade, passa pelo centro histórico e termina junto do rio Lima. Depois de atravessar a velha ponte Eiffel, agora exclusivamente pedonal, regressámos à N-13 em direção a Esposende, que abordámos pela ciclovia ribeirinha que segue ao longo da marginal norte do Rio Cávado. Esta etapa terminou no camping de Ofir.



No dia seguinte, tentámos ir junto à costa, mas só encontrámos estradas empedradas, pelo que regressámos à N-13 até à Póvoa de Varzim, onde começa a extensa ciclovia da marginal atlântica, que termina em Vila do Conde junto ao Forte de S. João Baptista.


Depois de passar a ponte sobre o rio Ave a viagem continuou pelas praias de Mindelo e Angeiras e foi pelo passeio marginal de Leça da Palmeira que chegámos ao Porto de Leixões. Entrámos em Matosinhos pela ponte móvel sobre o rio Leça e de novo em ciclovia, pudemos desfrutar da beleza daquela marginal marítima que começa em Matosinhos, continua pela praia da Foz e entra pelo rio Douro até ao cais da Ribeira.


A Costa de Prata (280km)

Depois de almoçar uma francesinha na baixa portuense, entrámos em Vila Nova de Gaia pelo tabuleiro inferior da ponte D. Luís e continuámos pelo passadiço da margem esquerda do Douro até à Afurada. Daqui até Espinho, foram 20 quilómetros de ciclovias espetaculares, que sempre ao lado do mar, cruzam as praias da Madalena, Senhor da Pedra, Miramar e Granja.



Após atravessarmos a movimentada praia de Espinho pela ecovia do litoral Espinho- Silvalde, fizemos um pequeno desvio para espreitar a barrinha de Esmoriz. Logo a seguir, na Cortegaça prosseguimos viagem pela tranquila ciclovia que vai até ao Furadouro onde começámos a ter a companhia da Ria de Aveiro. Sempre ao lado da ria passámos na praia da Torreira e em S. Jacinto apanhámos o ferry que faz a travessia da barra de Aveiro.




Já na Costa Nova, continuámos em ciclovia pelas praias da Vagueira e Cais do Areão, terminando a etapa na Praia de Mira. No dia seguinte, prosseguimos pela esburacada estrada florestal, que passa próximo da praia da Tocha e continua até Quiaios, no sopé da serra da Boa Viagem.




 Para chegar à Figueira da Foz, em vez de subir a serra, optámos por atravessar o cabo Mondego pelo estradão da pedreira, ao lado de falésias perigosas com vistas magníficas. Com o farol à vista, lá no alto, foi preciso vencer a primeira subida em mais de 200 quilómetros!

Depois do farol, foi sempre a descer até à praia de Buarcos, onde tem início a ciclovia da Figueira da Foz, que percorre todo o passeio marítimo e continua pela marina até à estação ferroviária. Após uma paragem na marginal para um refresco, atravessámos a imponente ponte sobre o rio Mondego e continuámos durante alguns quilómetros pela N-109, passando próximo das praias da Costa de Lavos, Leirosa e Osso da Baleia.



Na povoação do Carriço, desviámos à direita para apanhar uma das mais belas e extensas ciclovias nacionais, que se estende até à Nazaré por mais de 40 quilómetros, com passagem pela lagoa da Ervedeira, praia do Pedrógão, praia da Vieira, S. Pedro de Moel, Polvoeira, Paredes de Vitória e Praia Norte da Nazaré. Já se avistava o Santuário da Nossa Senhora da Nazaré quando abandonámos a ciclovia.



Depois de apreciar a espetacular vista do Sítio, descemos até à bela praia da Nazaré, onde o aroma do peixe grelhado nos convidou a almoçar num restaurante ribeirinho. De novo na estrada, passámos o porto de abrigo e subimos a Serra dos Mangues. É uma subida dura, mas a deslumbrante vista lá do alto para as praias dos Salgados e da Nazaré compensa o esforço. Mais à frente, depois de fazermos um pequeno desvio em terra batida para espreitar a bonita praia da Gralha, descemos até à baía de S. Martinho do Porto, que contornámos até Salir do Porto, prosseguindo pela ciclovia da estrada Atlântica até à Foz do Arelho.



Continuámos pelas margens da lagoa de Óbidos, que foi percorrida ao longo da bela ecopista que a contorna em todo o seu perímetro, até à Praia dos Pescadores. A caminho da Praia d’el Rei pedalámos alguns quilómetros em estrada e só próximo da praia de Almagreira voltámos aos caminhos de terra para um pouco de emoção nos divertidos trilhos que, sempre ao lado do mar, nos levam até à praia do Baleal, onde fizemos nova paragem agora para saborear um gelado enquanto apreciávamos os surfistas. Seguimos até Peniche pela ciclovia e contornámos a península passando pelo Cabo Carvoeiro, Forte e Porto de Abrigo.


Prosseguimos pelas praias dos Supertubos e Consolação, e por trilhos sobre as falésias, continuámos até S. Bernardino. A partir daqui, devido ao acidentado da costa, a opção foi pedalar pela N-247 até ao desvio para a praia da Areia Branca (Lourinhã). Só voltámos às ciclovias depois de Porto Novo (Vimeiro), a caminho da praia de Santa Cruz.





A Costa de Lisboa (180km)

De novo por trilhos junto à falésia, continuámos até à praia da Foz do Sisandro. Passámos o rio pela ponte de madeira e sempre por estradas secundárias visitámos as praias da Calada, S. Lourenço e Ribeira de Ilhas. Já o sol se tinha escondido no horizonte quando chegámos à Ericeira, onde terminou esta etapa.




No dia seguinte, após atravessar a foz do rio Lizandro - local repleto de memórias das semanas de campo quer vivi nos meus tempos de tropa em Mafra - prosseguimos até à praia de S. Julião, de novo por trilhos em cima de magníficas falésias.

Até à praia do Guincho, devido à inexistência de ciclovias, circulámos a maior parte do tempo por estradas ou caminhos de terra próximo do mar, passando pelas conhecidas praias do Magoito, Azenhas do Mar e Praia das Maçãs, sempre com a bela vila de Sintra a espreitar lá no alto. Depois de uma paragem na Praia das Maçãs, voltámos a subir bastante até ao desvio para o cabo da Roca – o ponto mais ocidental da Europa. Continuámos a subir até Malveira da Serra, para depois saborear os cerca de sete quilómetros de descida até à praia do Guincho.




Pela ciclovia que segue sempre junto ao mar e com o vento a soprar nas nossas costas, foi num instante que chegámos à Marina de Cascais. Depois de uma paragem na Praia dos Pescadores e de um gelado no Santini, continuámos pela marginal, uma das mais bonitas costas do nosso país.
Mas aqui a vida dos ciclistas não é fácil. Porque não podemos circular no passeio marítimo, temos de pedalar na perigosa estrada marginal. Apesar de ser proibido a nossa opção foi seguir em cima do passeio da estrada marginal. Só em Caxias voltámos às ciclovias, desfrutando da tranquilidade e beleza das margens do rio Tejo e seria assim até Belém, onde ainda houve tempo para comer o famoso pastel de Belém, antes de apanhar o cacilheiro para a Trafaria.



Já margem sul do rio Tejo, prosseguimos pela ciclovia da Costa da Caparica até à Fonte da Telha e a partir daqui, por uma estrada de terra, contornámos a margem norte da lagoa de Albufeira. Depois de lanchar à beira da lagoa, continuámos pela Aldeia do Meco e fomos visitar o cabo Espichel.

Voltámos à estrada e descemos até à praia de Sesimbra pela entrada do castelo, Depois de uma nova paragem, desta vez para um gelado, tivemos que voltar a subir muito até entrar no Parque Natural da serra da Arrábida. Atalhámos por um caminho de terra muito bonito que atravessa uma pedreira e nos leva até à estrada N-379, perto do miradouro da Ponta dos Lagosteiros. A partir daqui foi mais uma descida vertiginosa que nos conduziu até ao Portinho da Arrábida, onde o calor nos convidou a dar um mergulho naquelas águas transparentes e apelativas. Mais frescos, continuámos tranquilamente pelas praias da Figueirinha e Albarquel, atravessámos a fábrica de cimento do Outão e a etapa terminou em Setúbal, onde o jantar foi choco frito…o petisco mais apreciado na região.



Costa Alentejana (190km)

Na manhã seguinte apanhámos o ferry que atravessa o estuário do Sado até Tróia e entrámos na costa alentejana passando pelas praias da Comporta, Carvalhal, Pinheiro da Cruz e Melides. Junto à praia de Melides, através de um atalho pelo pinhal poupámos alguns quilómetros até à lagoa de Santo André.
Retomámos a N-261 até à Vila de Santo André e ao lado da via rápida continuámos até Sines. Junto à central termo elétrica virámos para São Torpes e sempre pela estrada litoral fomos apreciando as belas praias de Porto Covo. Depois de uma pequena paragem no centro de Porto Covo, descemos até ao pequeno porto e continuámos por um caminho de terra até à praia da ilha do Pessegueiro. Como as dunas não nos permitem continuar junto ao mar, fomos apanhar a CM-1072 a caminho de Vila Nova de Milfontes onde fizemos uma paragem para lanchar.


De volta à estrada, atravessámos a ponte sobre o rio Mira e pedalámos alguns quilómetros pela estrada N-39 até ao desvio para essa maravilha da natureza que dá pelo nome de Cabo Sardão e é o ponto mais ocidental da costa alentejana. Em terras da Rota Vicentina, continuámos até à lindíssima praia de Zambujeira do Mar, por uma bonito caminho de terra, sempre ao lado de imponentes escarpas cavadas a pique em direção ao mar.





Prosseguimos por um caminho de terra até à praia do Carvalhal antes de regressar à estrada N-120 e já o sol se tinha posto quando terminámos esta etapa no camping de S. Miguel.
No dia seguinte, após a travessia da ponte sobre a ribeira de Odeceixe, que marca a entrada oficial no Algarve, fizemos um pequeno desvio de 4 quilómetros pela estrada que segue junto ao rio para visitar a praia de Odeceixe, uma das sete praias maravilha de Portugal. De regresso à estrada nacional, fizemos uma paragem perto de Rogil, na irresistível pastelaria Museu da Batata Doce, onde nos deleitámos com uns deliciosos pastéis de batata doce.




Continuámos sempre a descer até Aljezur e dali seguimos em direção ao mar. Depois de mais alguns quilómetros pelos trilhos da rota Vicentina, passando pelas praias da Arrifana e Vale Figueiras, voltámos à N-268 para atravessar a serra antes de mais uma agradável descida até à praia da Carrapateira com a ajuda do vento forte que soprava de Nordeste. E foi num ápice que chegámos a Vila do Bispo, onde voltámos aos trilhos da rota Vicentina. Chegámos ao Cabo de S. Vicente por um magnífico caminho rodeado de vegetação rasteira e salpicado de flores…com o azul do mar sempre em fundo.



A Costa Algarvia (170km)

Tirámos umas fotos no Cabo de S. Vicente e continuámos até Sagres, apreciando as belas praias encaixadas no fundo de falésias abruptas. Depois de uma breve visita à fortaleza, iniciámos a viagem de regresso a Vila do Bispo pedalando contra um vento forte. Foi com alívio que virámos à direita para apanhar a N-125 em direção a Lagos.
Ainda pensámos seguir pela ciclovia algarvia, mas logo percebemos que tinha um traçado mais acidentado do que a estrada nacional. Só na Raposeira desviámos em direção à praia da Salema e continuámos até Lagos pelas praias do Burgau e da Luz.


Depois de atravessar a bonita cidade de Lagos, voltámos à N-125 em direção ao Alvor, onde retomámos o caminho da costa pelas praias do Vau e da Rocha. Era hora de almoço e mais uma vez não resistimos ao apelativo cheiro a sardinhas assadas bem no coração de Portimão. De volta à estrada, atravessámos a ponte sobre o rio Arade em direção ao Ferragudo e seguimos por trilhos muito bonitos sobre grutas e falésias, passando pelas praias do Carvoeiro, Benagil e Nossa Senhora da Rocha. Só em Armação de Pera regressámos às estradas secundárias a caminho de Albufeira, onde passámos sem parar, tal era a confusão de turistas. Continuámos pela Aldeia das Açoteias e uns quilómetros depois chegámos à cosmopolita Vilamoura, em cuja marina fizemos nova paragem para mais um gelado enquanto apreciávamos os belos iates ali ancorados. Após a passagem por Quarteira entrámos nos trilhos da ria Formosa, por onde pedalámos até às proximidades de Faro.





Atravessámos a cidade de Faro e continuámos até Olhão pela N-125. Voltámos às margens da ria Formosa pela excelente ecopista que passa pela Fuzeta, Cabanas, atravessa Tavira e termina perto de Manta Rota. E foi em ecopista que pedalámos os últimos quilómetros por Manta Rota e Monte Gordo, para terminar este desafio em Vila Real de Santo António, na margem direito do rio Guadiana


Balanço

E assim terminámos esta viagem pela costa portuguesa. Ao longo de 900km descobrimos locais espetaculares e ficámos a conhecer melhor a enorme diversidade e os muitos encantos do litoral português. Este imenso património histórico, cultural e paisagístico, associado ao bom clima durante quase todo o ano, apresenta um enorme potencial para que a nossa costa se torne num importante destino do cicloturismo internacional. Mas isso só acontecerá quando a “rede litoral” de ciclovias deixar de ser uma manta de retalhos, e passar a ser uma ciclovia contínua que permita a qualquer cicloturista percorrer toda a costa em total segurança e tranquilidade, desfrutando das cidades, das praias, da gastronomia e da cultura. Para além das ciclovias, também é fundamental investir em estacionamentos seguros, facilidades nos transportes públicos para o transporte de bicicletas e alojamento especializado para receber cicloturistas.

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