quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Costa da Galiza em bicicleta (Agosto 2013)

                           Costa da Galiza e Minho em bicicleta

3 a 11 de Agosto de 2013

 
 


Etapas

3 Ago
Ribadeo – Foz
36km
4 Ago
Foz – Valdoviño
138 km
5 Ago
Valdoviño - Sada
87km
6 Ago
Sada – Malpica de Bergantinos
95km
7 Ago
Malpica de Bergantinos- Finisterra
94km
8 Ago
Finisterra – Boiro
117km
9 Ago
Boiro – Redondela
110km
10 Ago
Redondela –(La Guarda) – Ofir
134km
11 Ago
Ofir – Porto - Aveiro
144km

                                                                                            TOTAL    955km

INTRODUÇÃO
Em 2012 iniciámos o projeto da Volta à Península Ibérica em bicicleta, pedalando pela costa norte de Espanha desde Irun até Ribadeo, que coincide com o caminho de Santiago do Norte, por isso, em Ribadeo  continuámos até Santiago de Compostela.
Em 2013 o desafio foi recomeçar em Ribadeo e pedalar 760kms pela Costa da Galiza até à fronteira com Portugal. Como ainda tínhamos 2 dias, continuámos até Aveiro onde apanhámos o comboio de regresso a casa, o que deu um total de 955kms.

Etapa 1 Ribadeo – Foz  (36km)
Saímos das Caldas da Rainha por volta das 7h30 da manhã e percorremos de carro os 650km que distam até à cidade de Ribadeo onde chegámos às 16h15 (hora de Espanha).Estamos muito agradecidos ao João e à Anabela que nos deram boleia até ao ponto de partida. Equipámo-nos, montámos os alforges nas bicicletas e começámos a pedalar às 17h00.
 
Foi um percurso tranquilo de 36km até à Foz, quase sempre plano e à beira do mar. Pelo caminho passámos por um antigo viveiro de peixe, por belas e tranquilas praias, envolvidas por campos verdejantes e muitas vivendas sobre o mar.
 
Existe uma espetacular ciclovia que passa pelas várias praias da região, das quais a mais bela e famosa é a praia Las Catedrales, que deve o seu nome turístico à forma peculiar das arribas no lado oriental, cuja forma faz lembrar uma catedral medieval devido aos arcos naturais, os quais só é possível apreciar a pé durante a maré baixa, pois durante a maré alta as grutas e parte dos arcos estão submersos.
 
 Etapa 2   - Foz – Valdoviño  (138km)
Como ontem nos deitámos tarde, hoje só começámos a pedalar pelas 10h00. Continuámos a passar por belas praias encaixadas entre falésias e rochas, como a praia da Areoura.
 
 
Passámos em Nois e em O Vicedo onde comprámos comida numa padaria, pois como era domingo estava tudo fechado. Próximo de Lieiro, passámos por uma grande fábrica de alumínio e por uns viveiros de peixe. Mais à frente na praia de Morás tomámos um banho e almoçámos numa sombra à beira-mar. Depois de passar Ortigueira havia a opção de visitar Estaca de Bares, o cabo mais a norte da península ibérica, mas não fizemos essa opção e continuámos em direção à praia do Porto do Barqueiro.
 
O objetivo era acampar em Cedeira, onde chegámos ao anoitecer. Decidimos jantar primeiro e depois procurar o camping. Mas constatámos que parque de campismo mais próximo ficava a 20 quilómetros, em Valdoviño. Ligámos as luzes e pedalámos mais 1h15 até Valdoviño, onde chegámos pelas 23h00. Montámos acampamento, tomámos um banho e enfiámo-nos na tenda, pois foi um dia muito cansativo. pedalámos 140km  num caminho muito ondulado e com subidas prolongadas... mas também espetaculares descidas.


Etapa 3  - Valdoviño – Sada  (87km)
Começámos a pedalar às 9h00 e voltámos a ter um dia duro com muitas subidas e alguns quilómetros sem ver o mar.  A cidade de Ferrol já se avistava ao longe, mas optámos por seguir pela costa e foi uma boa aposta, pois passámos por locais muito bonitos numa estrada secundária com espetaculares vistas para o mar e via-se La Coruña ao fundo. Foi espetacular a entrada na ria de Ferrol, guardada por duas imponentes fortalezas.
 
Chegámos a Ferrol pelas 15h00 e almoçamos nuna "tasca" da feira medieval, que estava a decorrer no jardim da cidade. Descansámos um pouco e continuámos pela N 651 passando por Pontedeume e por Miño. Quase ao final da tarde começou a chover e quando houve uma aberta procurámos chegar ao parque de campismo mais próximo, que ficava perto da praia de Sada.
 
Etapa 4 – Sada-Malpica de Bergantinos  (95km)
Levantámo-nos cedo, mas tivemos que esperar pelas 9h00, hora a que o rececionista se levantou. O dia acordou cinzento e a ameaçar chuva. Descemos até à cidade de Sada onde comprámos comida e tomámos o pequeno almoço no jardim.
 
Seguimos por Oleiros em direção à Coruña.  Atravessámos a cidade em direção ao centro histórico. Visitámos a Torre de Hércules (sec.II) - o farol  mais antigo do mundo ainda em funcionamento - e passámos pela bela praia da cidade, onde fizemos uma paragem para almoçar.
 
A partir daqui entramos na chamada Costa da Morte, assim chamada devido aos inúmeros naufrágios aqui ocorridos devido à traiçoeira costa rochosa.
 
Saímos da Coruña para oeste em direção às praias e o objetivo era chegar a Malpica de Bergantinos, onde havia um parque de campismo. Foi uma viagem muito agradável, com paisagens magníficas, sempre com o mar ao nosso lado. No fim de cada curva éramos surpreendidos por mais uma bela praia ou uma paisagem grandiosa. Espetacular a vista sobre a península onde fica a povoação e praia de Caión e muito bonitas as praias de Barrañan e de Alvite.
 
 
A seguir à praia de Razo optámos por seguir por um caminho de terra (a ruta dos pinos do mar) , por ser mais perto do mar e foi uma pequena aventura, pois o caminho era muito estreito e acidentado, com silvas e lama nalguns troços e algumas subida realmente duras e prolongadas.  Ficámos com alguns arranhões, mas a paisagem era espetacular. Ao fundo via-se a ilha de Sisarga.
 
Em Buño passámos por uma feira de louça tradicional da região e uns quilómetros depois chegámos à praia de Malpica de Bergantinos, que fica mesmo no final de uma comprida descida,  com prédios altos de cada  lado da estrada que tapam completamente a vista da praia.
 
O sol estava quase a pôr-se quando chegámos à praia de Malpica. Comprámos comida e voltámos a subir, pois o parque de campismo de Sisargas, tranquilo, espaçoso e com muitas sombras, ficava uns quilómetros afastado da cidade. Chegámos ao parque já o sol se tinha posto. No restaurante do parque havia um menú a 7€, pelo que decidimos comer no restaurante e guardar a comida comprada para o dia seguinte. Eram 23h30 quando fomos dormir.

Etapa 5  - Malpica de Bergantinos- Finisterra  (94km)
Depois de um boa noite de sono, apesar de ter caído alguma chuva durante a noite, levantámo-nos e desmontamos o acampamento quando parou de chover. Tomámos o pequeno almoço no parque, pois tínhamos comida do dia anterior. Durante a manhã, por causa da chuva tivemos que nos abrigar várias vezes, o que atrasou um pouco a viagem.
 
Optámos por estradas secundárias até Ponteceso e daí continuámos junto à costa até Laxe. É uma costa muito montanhosa e recortada, que de vez em quando nos surpreende com mais uma bonita e  tranquila praia. Em Ponte do Porto fizemos uma paragem para almoçar.


Dali seguimos em direção a Muxia, vila situada numa língua de terra que entra pelo mar e que é local de passagem obrigatória para os peregrinos de Santiago que culminam o caminho em Finisterra. De entre os edifícios religiosos, o mais conhecido é o Santuário da Virgem da Barca, local de peregrinação desde o século XI e que atualmente, durante a Romaria da Barca, combina celebrações religiosas e pagãs.



Continuámos por estradas tranquilas e com belas paisagens,  que de vez em quando nos deixavam ver o mar.

 
Passámos perto do cabo de Touriñan, que dizem ser um dos mais bonitos da Costa da Morte. Ao fim da tarde chegámos a Cee e descemos até à praia e porto de Corcubión que dá nome ao estuário que nos acompanha até ao cabo Finisterra. Ainda faltavam 7km para o parque de campismo, que ficava à frente de uma bela praia, na estrada entre Corcubión e Finisterra, onde chegámos ao pôr-do-sol. A visita a Finisterra ficaria para o dia seguinte.


Etapa 6  - Finisterra – Boiro  (117km)
O dia amanheceu com sol e o céu limpo. Saímos do parque às 9h20 em direção ao cabo Finisterra, sempre ao lado do mar e passando por belas praias. Em Finisterra visitámos o farol e alguns locais de grande simbolismo para os peregrinos de Santiago, como a “bota do peregrino” e o local onde os peregrinos queimam objetos que transportaram durante o caminho de Santiago. Comprámos algumas lembranças e regressámos a Corcubión pelo mesmo caminho.
 
Continuámos à beira mar, sempre com belas paisagens e o mar sempre ao nosso lado.  Muito bonita a praia de Vouga. Pedalámos mais 40km até Muros, onde parámos para almoçar num jardim e estivemos à conversa com um velho peregrino com um ar muito hippie, que nos falou das suas peregrinações a santiago e que era muito crítico em relação à excessiva comercialização dos Caminhos de Santigo.
 
E a viagem continuou, sempre com vistas fantásticas que nos faziam esquecer as subidas e os quilómetros percorridos. Ao longe ainda se avistava o cabo Finisterra, até que virámos para sul em direção a Muros.
 
Ainda passámos pela praia de Carivota e em Noia deixámos a costa e atalhámos para o interior em direção a Boiro onde chegámos ao final do dia, ainda a tempo dar um salto à praia para um mergulho. Jantámos uns hamburgers e uns pimentos de Padrón no restaurante do parque de campismo.


 
Etapa 7 Boiro – Redondela  (110km)
Saímos do camping em direção a Rianxo e andámos alguns quilómetros afastados da costa até chegarmos à entrada da Ria de Arousa. A ria de Arousa tem uma forte ligação às peregrinações de Santiago, pois de acordo com a lenda, foi por aqui que entrou a barca que levava os restos mortais do apóstolo Tiago em direção a Padrón.
 
 Da ponte sobre o rio Ulla avistam-se as ruínas de um antigo castelo Viking e as réplicas de alguns barcos vikings. Continuámos até à Vila Garcia de Arousa, sempre à beira da ria. Em Vila Nova de Arousa, comprámos comida e fomos para a praia que fica em frente da ilha de Arousa, onde depois de um banho, almoçámos e dormimos a sesta.
 
Depois seguimos até Cambados e daí até à muito movimentada praia de Sanxenxo, com muitas praias de água transparente e a costa repleta de vivendas debruçadas sobre o mar.
 
Uns quilómetros à frente e numa praia mais tranquila fizémos uma paragem para tomar mais uma banhoca e descansar, pois estava muito calor. Estávamos a 15 quilómetros de Pontevedra e foi num ápice que lá chegámos. Visitámos o centro histórico e tomámos uma bebida numa esplanada. Mas como o objetivo era chegar a Redondela, apanhámos a N 505, passámos por Arcade e chegámos ao parque de campismo pouco antes do pôr do sol, ainda tempo de tomar um banho na ria de Vigo, mesmo em frente da ilha de San Simon.
 
Etapa 8 - Redondela –(La Guarda) – Ofir
Desmontámos acampamento e tomámos o pequeno almoço no centro de Redondela. E seguimos em direção a Vigo. A estrada tem vistas magníficas sobre a ria. 
 
Atravessámos a cidade de Vigo e na zona ribeirinha estava a decorrer um festival de skate e BMX. Continuámos junto às praias que às 10h da manhã já estavam apinhadas de gente. Mais à frente apanhámos a ciclovia que passa pela baía de Tiguan e continua até Baiona.
 
Em Baiona fizemos uma paragem para comprar umas deliciosas empadas e almoçámos mesmo em frente ao mar. Depois continuámos sempre à beira mar pela espetacular ciclovia que liga Vigo até La Guarda. Descemos até à estação dos ferry, à beira do rio Minho. Enquanto esperávamos pelo ferry  bebemos uma coca-cola e comemos umas uvas. Ao passar a fronteira, terminava a viagem pela costa da Galiza, durante a qual pedalámos 760kms.
 
Entrámos em Portugal pelas 17h00 e pedalámos até à praia da Foz. Depois atravessámos a mata em direção à praia do Moledo, onde parámos para um mergulho. Continuámos por um caminho de terra à beira mar  que nos levou até Vila Praia de Âncora, onde apanhámos a N 13 em direção a Viana do Castelo. Depois de uma breve visita à cidade, atravessámos a ponte Eiffel e continuámos com destino a Ofir onde ficava o parque de campismo onde pretendíamos ficar. A determinada altura aproximámo-nos de 2 ciclistas de estrada que nos quiseram “despejar”, o que motivou um interessante despique durante vários quilómetros (apesar de já termos 120kms nas pernas e o peso das nossas bicicletas rondar os 25kg) a rolarmos a mais de 30km/h ...e não nos conseguiram fazer descolar. Chegados ao parque, montámos acampamento e jantámos uns deliciosos secretos de porco preto num restaurante mesmo em frente do parque de campismo.
 
Etapa 9  - Ofir – (Porto) – Aveiro  (144km)
Tomámos o pequeno almoço no bar do parque de campismo, enquanto esperávamos pela hora de abertura da receção. Tentámos pedalar junto à costa, mas as estradas eram todas em paralelo e com muita trepidação, pelo que voltámos à N 13. Só perto da Póvoa do Varzim voltámos a apanhar uma  excelente ciclovia. A praia da Póvoa é enorme e como era domingo, havia muita gente na praia e a caminhar ou andar de bicicleta no "calçadão". A partir de Vila do Conde acabou-se a ciclovia e voltámos à N 13 em direção a Matosinhos, onde almoçámos umas deliciosas sardinhas assadas.
 
 Atravessámos Leixões e a caminho da Foz do Douro voltaram as ciclovias à beira-mar. Entrámos no rio Douro, passámos pela Ribeira do Porto repleta de turistas e atravessámos o tabuleiro inferior da ponte D. Luís até Vila Nova de Gaia, que tem espetaculares vistas para a cidade do Porto.
 
Acompanhámos o rio Douro  até à foz durante cerca de 5km e partir daqui foram 20km de ciclovias espetaculares até Espinho. Próximo desta cidade pedalámos alguns quilómetros num passadiço de madeira. A partir de Espinho o objetivo era chegar a Aveiro a tempo de apanhar o comboio regional com destino a Santarém, onde estava a nossa boleia para casa.
 
Balanço
Foi uma viagem espetacular em todos os aspetos. A paisagem é deslumbrante, as praias magníficas, algumas muito tranquilas. Visitámos grandes cidades como Ribadeo, Ferrol, Corunha, Pontevedra e Vigo. No que se refere às dormidas acampámos sempre, mas no norte da Galiza existe uma menor oferta de parques de campismo, o que condiciona os locais de fim de etapa.
 
Em relação às refeições, só à noite jantávamos em restaurante. Durante o dia comprávamos comida em supermercados e comíamos tranquilamente em jardins ou junto às praias. Os meus companheiros de viagem foram espetaculares. Reinou sempre a boa disposição e um perfeito entendimento em relação  a todos os aspetos, mesmo nos momentos de algum stress ou de maior cansaço. E as bicicletas também se portaram muito bem, pois não se registaram quaisquer avarias.
 
Próximas etapas
O projeto Volta à península Ibérica  vai continuar no próximo Outono. Em Outubro, iremos pedalar entre  Espinho e Caldas da Rainha (240km), atravessando a ria de Aveiro em S. Jacinto. E no Carnaval ou na Páscoa iremos concluir a costa de prata e continuar pela costa alentejana e  algarvia.
 
Vítor Milheiro
 

 
 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O Canal du Midi (França)


O Canal du Midi

O Canal du Midi ou Canal dos Dois Mares, situa-se em França e é o mais antigo e prestigiado canal artificial da Europa ainda em funcionamento.
 
 
Foi projetado e construído no século XVII por Pierre Paul Riquet, durante o reinado de Luís XIV, para ligar Garonne ao Mediterrâneo, abrindo assim uma via navegável entre o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo para transporte de mercadorias, evitando os barcos terem que contornar a Península Ibérica.
 
 
O canal foi inaugurado em 1681 e está classificado pela UNESCO como Património da Humanidade desde 1996.
Ao longo do seu percurso de 240km, entre Toulouse e a praia de Marseillan, foram construídas inúmeras pontes, eclusas, túneis e aquedutos. O Canal tem cerca de 20m de largura e uma profundidade média de 1,4m.


Para vencer os desníveis do terreno foram construídas 63 eclusas, das quais as mais espetaculares são as eclusas de Fonserrannnes, 7 eclusas em escada para vencer os 21,5 de desnível, à entrada da cidade de Béziers.

Eclusas de Fonserrannes (Béziers)

No século XIX, com o desenvolvimento do caminho de ferro, o canal perdeu muita da sua importância económica e hoje tem uma vocação exclusivamente turística. Estimam-se em cerca de 50 000, os turistas que todos os anos visitam o canal, de barco ou de bicicleta.

As margens do canal são totalmente cicláveis, na sua maioria em pistas de terra batida. No verão o calor não é grande problema, uma vez que os milhares de plátanos centenários plantados ao longo das suas margens, para consolidar as margens e evitar a evaporação da água, oferecem deliciosas sombras.


Ao longo do canal existem muitos motivos de interesse, pitorescas aldeias, pequenos portos, belas pontes e muitas esplanadas a convidar a momentos de lazer. Atravessa regiões como o Languedoque, Aube e Minerve, e passa por cidades e vilas de importância económica e histórica,  como Toulouse, a quarta cidade da França, onde o Canal du Midi se liga o rio Gerona, e que é conhecida pela qualidade das suas escolas profissionais e universidades e também pela  indústria  aeronáutica,  espacial e eletrónica.
 
Castelnaudary uma simpática vila onde o canal se espraia num bela lagoa
 
Cidadela de Carcassonne
 
Carcassonne espetacular cidade onde a imponente cidadela medieval (património mundial da Unesco desde 1997) assume posição de destaque na margem direita do rio Aude.

Homps
 
 Homps e Le Somail, povoações ribeirinhas com grande movimento no verão devido aos muitos barcos que ali fazem paragens; Narbonne, cidade cujas origens remontam ao império romano, está ligada ao Canal du Midi e ao rio Aude através do Canal de la Robine.
Pont-Canal d'Orb em Béziers
 
Em Béziers, logo a seguir às eclusas de Fonserrannes, o Canal du Midi  atravessa o rio Orb pelo  imponente aqueduto Pont-Canal d’Orb. Esta cidade também é conhecida  pela bela Catedral de St. Nazaire,  pela Pont Vieux  e pela feira anual  de touros, que no mês de Agosto traz a Béziers mais de 1 milhão de visitantes.
 
Béziers - a Catedral de St. Nazaire e a Ponte velha
 
 Agde, a “pérola negra” do Mediterrâneo, outrora importante na pesca e no comércio marítimo, é hoje conhecida como estância balnear e como porto turístico; e a movimentada estância balnear de Marseillan onde o Canal du Midi se encontra com o mar Mediterâneo.

O Canal du Midi de Barco

É enorme a oferta de barcos-hotel e existem algumas dezenas de operadores náuticos na região, com uma oferta de mais de 450 embarcações.
 
A maioria destas pode ser alugada e conduzida sem licença. A velocidade máxima permitida no canal é de 8km/hora. Estes barcos podem transportar entre 6 a 12 pessoas, e há vários programas (semana, fim de semana, 4 dias, só ida, ou ida e volta). Um programa de 4 dias num barco para 8 pessoas custa cerca de 900€, enquanto uma semana  custa cerca de 1600€.  Há também a possibilidade de alugar os tradicionais “péniches”, autênticos hotéis flutuantes com tripulação.
 

Juntamente com o barco podem ser alugadas bicicletas, para os turistas fazerem passeios junto ao canal ou para se deslocarem às aldeias e vilas ribeirinhas.

Um programa interessante é fazer a ida de barco e o regresso de bicicleta.

Barco NICOLS 1000 com capacidade para 8 pessoas

O Canal du Midi de bicicleta

 
São milhares os ciclistas que durante o Verão, percorrem os magníficos trilhos nas margens do Canal du Midi. Famílias inteiras, casais com os filhos, grupos de amigos e também cicloturistas portadores de deficiência com bicicletas de pedalar com as mãos.
 
 
Como o percurso é sempre plano, a tarefa de levar a bicicleta carregada com alforges ou com atrelados, não se torna muito complicada.
Há quem faça passeios de um só dia, mas a maioria pedala durante vários dias e em autonomia.
Ao longo do canal o ambiente é muito descontraído, as pessoas são simpáticas e saudam-se sempre que se cruzam com ciclistas ou com barcos.
A passagem pelas eclusas é sempre um momento de animação e um bom local para uma pausa para descansar, merendar ou conversar com os outros turistas.
 
 
 
No que se refere a alojamento, há uma grande oferta. Alguns optam por ficar em parques de campismo, outros pernoitam nas margens do canal. E há quem prefira o conforto de um quarto de hotel. Outra excelente opção é o aluguer de quartos numa das pitorescas povoações junto ao canal.

Aos ciclistas recomenda-se o sentido Toulouse-Marseillan, porque segue a favor do vento durante maior parte do tempo.

Etapas de bicicleta

Quanto às etapas recomendadas, estas dependem do nível físico dos participantes, dos seus objetivos  e também da bagagem que transportam.
 
Aqueduto do Canal du Midi sobre um rio

Ciclistas menos treinados, que pretendam viajar em autonomia com paragens frequentes para descansar e confraternizar com os outros ciclistas, devem programar etapas diárias entre  30 a 40 km, o que dará cerca de 4 horas a pedalar. Se pretenderem fazer tranquilamente a totalidade do Canal du Midi, de Toulose a Marseillan, devem planear as seguintes etapas:

1 - Toulouse – Vilefranche Lauragais

2  - Vilefranche Lauragais – Bram

3 -  Bram – Trébes

4 - Trébes -  Le Somail

5 - Le Somail – Argeliers

6 - Argeliers -  Béziers

7 - Beziers – Marseilhan

Ciclistas mais treinados, facilmente pedalarão a médias próximas dos  20km/hora. Mas para usufruir do ambiente e das pessoas que passeiam pelo canal, não deverão fazer etapas superiores a 70km diários e poderão percorrer todo o canal em 4 dias.

1 – Toulouse- Castelnaudary

2 – Castelnaudary – Trébes

3 – Trébes – Le Somail

4 – Le Somail – Marseilhan

Para regressar ao ponto de partida (onde ficaram os carros), a forma mais rápida é o comboio, que permite o transporte de bicicletas sem custo adicional.

 
Para obter mais informações sobre o Canal du Midi recomendo a consulta do livro “ Le Canal du Midi à Vélo” (Philipe Calais) e o Guia Oficial du Canal du Midi, (www.plan-canal-du-midi.com ).

 

Vítor Milheiro

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Heinz Stucke - o cicloturista mais viajado do mundo


Heinz Stücke: 50 anos a viajar de bicicleta pelos cinco continentes ...mais de 600 mil quilómetros pedalados


O alemão Heinz Stücke, que este ano comemorou 72 anos de idade, é o cicloturista mais viajado do mundo. Há 50 anos que pedala pelos 5 continentes, tendo já visitado 257 países ou territórios e percorrendo aproximadamente 600 mil quilómetros - o que equivale a 15 voltas ao redor da Terra.

 
Foi precisamente no dia 4 de novembro de 1962, que o operário metalúrgico Heinz Stücke, então com 22 anos, deixou sua cidade natal, Hövelhof, na Alemanha, montado numa bicicleta de três velocidade, para uma viagem qua ainda não terminou. O seu único desejo era deixar para trás o trabalho monótono na fábrica e as pessoas mesquinhas da sua cidade. 


Quando decidiu que a sua vida iria decorrer sobre duas rodas, Heinz Stücke procurou uma bicicleta robusta e de fácil manutenção e uma empresa de bicicletas alemã deu-lhe uma bicicleta “Tripad” de roda 26, com 3 velocidades, travões incorporados no pedal e pesando 25 kg. Stücke reforçou os raios, equipou-a com alforges e foi a sua companheira durante 44 anos. Há uns anos atrás, para aliviar as dores nos ombros e pescoço, soldou um segundo guiador na bicicleta.

 
Transportava regularmente cerca de 50 kg de equipamento. Além da tenda, saco cama, roupas e ferramentas, caixas de slides, etc., também levava folhetos e revistas, que ia vendendo. Quando lhe diziam que era impossível pedalar com tanto peso, respondia que “por vezes subia muito devagar, mas que não era seu objetivo bater records de velocidade”.

No quadro da bicicleta colocou um mapa mundo, onde foi assinalando os locais visitados e as rotas realizadas. Na parte de trás da bicicleta trazia sempre um letreiro com a frase “pedalando á volta do mundo”.

 
Durante muitos anos, os aeroportos não lhe cobravam nada pelo transporte da bicicleta, mas em junho de 2004, quando no aeroporto de Londres lhe pediram 500 libras para transportar a bicicleta de avião, percebeu que tinha que encontrar uma outra solução. Foi nessa altura que trocou a sua velha companheira, por uma bicicleta de 7 velocidades, dobrável e fácil de arrumar em pequenos aviões ou barcos.

 
Pedalava diariamente entre 80 km e 120 km, mas nalguns países da América Latina e Ásia houve dias em que não conseguiu ir além dos 30-60km diários. O seu “record pessoal” foi de 300km em 12 horas, no deserto da Síria, empurrado por um vento fortíssimo.
 
Relativamente a tendas não acertou logo à primeira. Começou por usar uma tenda de campanha, que seria destruída por uma tempestade na Colômbia. Depois comprou uma tenda de nylon, mas por ser baixa e pouco respirável, acordava sempre molhado pela condensação. Ofereceu-a e comprou uma maior que acabaria por arder enquanto dormia com uma vela acesa, até que finalmente adquiriu uma tenda de nylon com duplo teto.

 
Durante estes 50 anos de viagens, Heinz Stücke viveu experiências fantásticas, muitas peripécias e alguns acidentes. A sua velha bicicleta foi roubada por 6 vezes e sempre recuperada. Partiu o quadro da bicicleta por 16 vezes. Sofreu quatro acidentes com carros e foi atropelado por um camião no Chile. No Haiti foi perseguido por uma multidão enfurecida. No Egito foi espancado por soldados tendo ficado inconsciente, nos Camarões foi preso acusado de difamar o estado, nos Estados Unidos, durante uma boleia foi roubado e abandonado por um automobilista numa estação de serviço. No Alasca, durante um inverno rigoroso, aceitou apanhar uma boleia de um carro, que se despistaria, tendo ido parar dentro de um rio de água gelada. Na Indonésia sofreu um grave ataque de disenteria. No Zimbabué foi baleado no pé por rebeldes. Na América Central sofreu queimaduras através de cinzas vulcânicas. Em Moçambique foi atacado por um enxame de abelhas quando tomava banho num rio…

Quando lhe perguntam como financia as suas viagens, responde que graças à bicicleta e à boa vontade das pessoas, sempre encontrou ajuda. Começou por viver de donativos. Quando passou pela Etiópia foi recebido pelo imperador Haile Selassie que lhe deu um donativo de 500 dólares. Mais tarde começou a escrever artigos para jornais e revistas e a vender fotos. Em 1978 uma empresa de fotografia inglesa patrocinou-o com cerca de 5000 dólares por ano, o que dava para ele viver nos países do terceiro mundo. Mais recentemente, em 2009, uma empresa inglesa de bicicletas deu-lhe uma bicicleta desmontável e patrocinou-o com o objetivo de o ajudar a visitar todos os países do mundo e assim entrar no livro Guiness World Record.

Este ano, durante o seu 72º aniversário, Heinz Stücke estava pedalando pelo continente africano, próximo de África do Sul. Talvez seja a última vez que sopra as velas na estrada, pois pretende fazer uma paragem para organizar os seus diários e fotos e preparar a publicação de um livro.

Entretanto, aguarda o reconhecimento do livro Guiness World Record como o ciclista mais viajado de sempre e o único que pedalou por todos os países do mundo.


Vítor Milheiro

Trekking nas Dolomitas (Itália) …uma das mais belas montanhas do mundo

O desafio deste verão foi descobrir alguns dos lugares mais incríveis das montanhas Dolomitas, bem no coração de Cortina d'Ampezzo. No...