terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lisboa-Algarve em BTT (Ago 2009)


Caldas da Rainha - Lagos em bicicleta















Dia 1 - Sab, 1 Agosto

A viagem começou nas Caldas da Rainha, onde ás 8h28, apanhámos o comboio regional para Lisboa.
Eram 11h30 quando descemos em Sete Rios e começamos a pedalar . Debaixo de alguns pingos de chuva, passámos pelo Aqueduto das Águas Livres, por Alcântara, pelas Docas e continuando na zona ribeirinha do Tejo até junto à estação fluvial de Belém.
Apanhámos o cacilheiro às 12h20. Pensando que já era a Trafaria, saímos em Porto Brandão. Quando demos por isso já era tarde … o resultado foi apanhar logo uma enorme subida e fazer mais meia dúzia de quilómetros até à Costa da Caparica, debaixo de uma chuvada que entretanto começava a cair com mais força.
Almoçamos numa pizzaria na Costa da Caparica e eu aproveitar para comprar um chuvisco numa loja chinesa.
Continuámos por estrada até à Fonte da Telha e aqui optámos por seguir até à lagoa de Albufeira, pedalando à beira mar, por vezes com a bicicleta à mão e com umas quedas pelo meio, quando a areia não avisava que era muito macia!
Entretanto a chuva parou e o tempo ficou espetacular. Fizemos uma paragem para tomar um banho naquela praia fantástica, um pouco à frente do local onde nos havíamos cruzado com um casal de nudistas “ gay”.

A travessia da lagoa de Albufeira com as bicicletas ás costas foi fácil, pois a água estava abaixo da cintura.



















Prosseguimos a nossa viagem passando pela aldeia do Meco e fomos visitar o cabo Espichel. Depois foi pedalar em direção ao parque de campismo de Sesimbra.
Tinha sido uma jornada longa. Há 12 horas que estávamos em viagem. Depois de montar as tendas e tomar banho, deliciámo-nos com um saboroso bitoque no restaurante do parque. Fomos dormir por volta das 23h30.

 
Dia 2 – Dom, 2 Agosto

Levantámo-nos sem grande pressa e já passava das 9h20 quando saímos do parque de Campismo de Sesimbra.
Tomámos o pequeno almoço numa pastelaria junto à praia.
E começamos a subir para sul da cidade … as vistas são espectaculares.
Tentámos atalhar pelas pedreiras, mas o trilho estava muito fechado e tivemos que voltar para trás.
A travessia da Serra da Arrábida, é repleta de subidas, mas também de paisagens magníficas. Fizémos uma paragem no Portinho da Arrábida para tomar uma bebida e dar um mergulho. Continuámos até Setúbal sempre junto ao mar. Em Setúbal, um almoço rápido no McDonald´s antes de apanhar o ferry para Tróia.
 



















A paragem seguinte foi na praia da Comporta … mais uma cerveja e outro mergulho… a água estava óptima.
Lanchámos na Comporta e continuámos a viagem até ao Carvalhal, mas fora de estrada, pelo meio dos verdejantes campos de arroz.
Até Melides foi sempre a pedalar a bom ritmo. Continuámos até à lagoa de Santo André por um atalho pelo meio dos pinhais.
Por não termos carta de campista, não nos foi permitido acampar no parque de Melides nem no de Santo André.
Como já estava a escurecer, decidimos ir jantar e só depois procurar um local para pernoitar. Acabámos por montar as tendas debaixo de uns sobreiros, junto ao restaurante onde jantámos.
 




















3º dia Seg, 3 Agosto


Depois de uma noite tranquila junto ao restaurante, acordámos cedo e ás 9h00 já estávamos na estrada. Tomámos o pequeno almoço numa pastelaria em Santo André e entrámos na via rápida de Sines. Passámos pelo centro de Sines e continuámos pela marginal. Passámos pela praia de S. Torpes e logo a seguir as belas praias de Porto Covo, onde fizemos uma paragem para tomar uma bebida e comprar comida para o almoço.
Atravessámos o porto e continuámos por um estradão de terra até à famosa ilha do Pessegueiro, onde parámos para dar um mergulho, almoçar e dormir uma sesta.
Estava-se bem na praia, mas o nosso destino ainda estava a 60km, pelo que tivemos que nos fazer ao caminho. Seguimos por uma atalho de terra que nos levou até à estrada para Vila Nova de Milfontes. Só parámos na praia de Almograve, onde demos mais um mergulho.
Continuámos em direcção ao cabo Sardão, local com vistas magníficas, mas onde o mar mete respeito. Seguimos para a Zambujeira do Mar, por um caminho espectacular, junto à costa, que o faroleiro nos disse ser ciclável.
Chegados a Zambujeira do Mar, assistimos a um magnífico pôr do sol. Seguimos para o parque de campismo e foi o ritual do costume - montar tenda, tomar banho e jantar.
Foram 101 km em 5h10.



















4º dia – Ter, 4 Agosto

Levantámo-nos cedo, tomámos o pequeno almoço numa pastelaria em Zambujeira do Mar e começamos a viagem por num estradão em direcção à praia do Carvalhal.
Voltámos à estrada nacional a caminho de Odeceixe. Depois de passar a ponte que faz fronteira entre o Alentejo e o Algarve, desviámos para a bela praia de Odeceixe. Tentámos continuar a pedalar junto ao mar, pois a paisagem era magnífica, mas a areia era muita e tivemos que voltar para atrás e seguir pela estrada.
Um pouco mais à frente, em Rogil comprámos comida e em Aljezur fizemos uma paragem para almoçar umas sandes bem guarnecidas.
Estava muito calor pelo que pedalámos mais uns quilómetros até à praia da Carrapateira, onde fizemos 2 horas de praia e dormimos uma sesta.
Eram 17h30 quando voltámos à estrada. O objectivo era pedalar até Vila do Bispo e daí seguir para o Cabo de S. Vicente. Porém, o vento forte, o frio e o nevoeiro que entretanto se faziam sentir, obrigaram-nos a alterar os planos e rumar para sotavento na direcção de Lagos, onde o céu continuava azul.
Chegámos a Lagos por volta das 20 horas, com 117 km percorridos.
Acampámos no parque junto ao campo de futebol. Depois de montar tendas e tomar banho, fomos a pé até ao centro de Lagos, onde jantámos uma deliciosa francesinha. Passeámos um pouco pelo centro histórico, sempre cheio de movimento e com muitos artistas de rua. E fomos dormir.





















5º dia – Qua, 5 Agosto
Era o nosso último dia no Algarve, pelo que decidimos aproveitar a manhã na “meia-praia”, onde ficámos até próximo das 13 h. Voltámos ao parque de Campismo, para desmontar as tendas e tomar um banho, antes de seguir para a estação de comboios de Lagos, para apanhar o comboio para Tunes às 14h10. Em Tunes esperámos até às 16h26 pelo comboio com destino ao Barreiro, onde chegámos pelas 20h15. Aqui, apanhámos o barco para o Terreiro do Paço, onde chegámos já depois das 21h00.
Como já não haviam comboios da linha do Oeste, tivemos que passar a noite no parque de campismo de Monsanto.
Ligámos as luzes e foi um belo passeio nocturno à beira do Tejo, pelo Cais do Sodré, Santos, Alcântara, Belém e Algés. E presenciámos um luar fantástico sobre a ponte 25 de Abril.
Tencionávamos jantar numa cervejaria muito conhecida em Algés - o “Relento”, mas era dia de folga. Tentámos outros restaurantes, mas como já passava das 22 horas, as cozinheiras já tinham ido embora. Como a fome apertava, só no restou comer uns hamburgers num centro comercial em Miraflores. Continuámos a pedalar, passámos junto à Decathlon e chegámos ao parque de campismo por volta das 23 horas. Apesar do ruído de fundo dos carros que circulavam na CRIL, foi a noite em que dormi melhor.




















6º dia – Qui, 6 Agosto
E viagem estava quase a chegar ao fim. Levantámo-nos cedo, desmontámos acampamento e rumámos na direcção de Sete Rios. Logo a seguir à Buraca apanhámos uma excelente ciclovia que contorna Monsanto até próximo do Aqueduto das Águas Livres. Chegados à estação, confirmámos a hora do comboio e tomámos tranquilamente um excelente pequeno almoço.
O comboio saiu ás 10h37 e chegou às Caldas cerca das 12h30, a tempo de vermos o final do programa “Há volta” da RTP 1. É que a 1ª etapa da Volta a Portugal tinha começado nas Caldas naquela manhã.




















BALANÇO FINAL

Foram 5 dias muito bem passados. Práticamente tudo decorreu de acordo com o previsto, não houve avarias, nem lesões, nem situações de stress.
O meu companheiro de viagem, foi sempre uma boa companhia e as conversas foram interessantes.
E passámos por sítios fantásticos, com a vantagem de o fazermos ao ritmo da bicicicleta, sentindo os cheiros e o colorido das paisagens.
Falando de números, pedalámos mais de 450km, e cada um de nós gastou 35€ em transportes (comboios e barcos), 38€ em parques de campismo e 97,5€ em comida.

Vitor Milheiro
Ago ´09

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Conselhos para fazer o Caminho de Santiago em BTT -

O Caminho de Santiago não é uma competição, há que desfrutar com calma da experiência, dos lugares que atravessamos e suas paisagens. As pernas, o corpo e o espírito agradecerão.

Não é necessário ser um campeão de BTT para fazer o caminho, porém, não nos devemos atirar de forma ligeira a fazer o Caminho. É preciso preparação física e mental para que esta experiência seja satisfatória. Se terminarmos em segurança pensaremos em voltar a fazer o caminho.

Se fizermos regularmente passeios à volta de 40-50 km estaremos preparados para o caminho.

Se formos em autonomia, nas últimas semanas é aconselhável montar os suportes e os alforges (carregados), para nos irmos habituando ao peso extra que temos que levar e treinar a condução com os alforges.

Recomendamos fazer o caminho pela rota original ainda que isso nos custe alguma subida ou quilómetro extra. A estrada não é boa companheira para o caminho e recordar que não temos nenhuma pressa em chegar.



Anotar as vivências do caminho num gravador ou num bloco de notas, servirá para revivê-lo e dentro de uns anos recordá-lo com mais detalhe.

Não definir objectivos ambiciosos para as etapas.

Devido à dureza de alguns troços do caminho português, a escolha da bicicleta a utilizar é importante. Deverá ser de BTT, o mais leve possível, equipada com pneus de terra, fiável nos equipamentos de que é montada, tendo sempre em conta a facilidade de manutenção e com um bom suporte para a bagagem.

Convém levar um cadeado para trancar a bicicleta para poder visitar igrejas ou monumentos e passear pelas cidades, em segurança e tranquilidade.
Levar sempre água ou bebidas energéticas em quantidade suficiente.
Levar barras energéticas, frutos secos e chocolate para ir comendo ao longo das etapas. É muito importante uma boa nutrição para aguentar as longas e por vezes duras etapas do caminho.
As principais refeições são o pequeno almoço e o jantar. Ao pequeno almoço recomenda-se a inclusão de cereais.
Os almoços dverão ser à base de sandes e fruta.

Principais Albergues no Caminho Português
- Porto ....................260 Km
- S Pedro de Rates ....220
- Ponte de Lima ........160
- Rubiães ................140
- Valença ................115
- Tuy .....................110
- Redondela ..............80
- Pontevedra ............62
- Caldas de Reis ......
..38
- Padron ..................22
- Téo ......................12
- Santiago




Principais albergues em Portugal

Albergue de S. Pedro de Rates - localiza-se a 30 km do Porto e a 14km de BarcelosAlbergue de Rubiães - localiza-se a 19 km de Ponte de Lima e a 17 km de Valença do Minho.Albergue de Peregrinos S. Teotónio – Valença - Localiza-se em Valença do Minho (Junto aos Bombeiros).

Equipamento BTT
Uma semana antes de iniciar o Caminho fazer uma revisão e limpeza completa à bicicleta.
Durante as etapas aconselha-se os participantes a transportarem pelo menos:

- Uma câmara de ar
- Caixa de reparação de furos
- Jogo de desmontas
- Descravador de correntes
- Jogo de chaves tipo canivete
- Bomba
- Lubrificante para a corrente
- Um pedaço de arame ou cordeleta

Lubrificar todos os dias a corrente; fazer reparações ou ajuste na bicicleta todos os dias ao chegar ao local onde vamos passar a noite; ir verificando regularmente a pressão dos pneus.

Equipamento básico adequada à prática do BTT:
- 2 jersey’s de ciclismo de material transpirável
- 2 calções almofadados
- 1 impermeável ligeiro (tipo corta-vento)
- luvas
- capacete
- óculos
- sapatos de sola rígida
- meias transpiráveis
- camel-bak ou cantil
Documentos- Caderno de notas e esferográfica.
- Credencial do Peregrino.
- Bilhete de Identidade.
- Cartão de Segurança Social.
- Telemóvel ou cartão de telefone.
- Dinheiro e cartão de crédito.
- Seguro de acidentes pessoais

Para camping
- Tenda
- Almofada de encher

- Saco cama
- colchonete
Outros equipamentos- canivete multiusos
- lanterna ou frontal
- kit de higiene
- papel higiénico.
- toalha de banho
- chinelos para o duche
- estojo de primeiros socorros
- muda de roupa para depois das etapas
- protector solar
- baton cieiro

Etapas S. Pedro de Rates - Santiago (220km)


Etapa 1 S.Pedro de Rates - Rubiães (66 km)





















 
Etapa 2 Rubiães - Pontevedra (70 km)
 
















 

Etapa 3 Pontevedra - Santiago (65 km)

História do Caminho Português de Santiago


Entre a diversidade de itinerários jacobeus provenientes de todos os cantos da Europa, alguns têm origem em Portugal. Mas entre todos assume particular relevo a estrada real Porto-Barcelos-Valença, onde confluem quase todos os demais, reforçando este percurso como a espinha dorsal dos caminhos portugueses de Santiago.
Foi este o itinerário escolhido pela maior parte dos peregrinos que demandaram Santiago, pelo menos a partir do início do séc. XIV, o que bem se demonstra pelos inúmeros relatos que se conservam nos arquivos compostelanos e nas referências conhecidas aos seus caminheiros mais ilustres a Rainha Santa Isabel, Leão de Rotzmithal, Jerónmo Münzer, el-Rei D. Manuel, Confalonieri, Albani, e provavelmente também S. Francisco de Assis, o Beato Francisco Pacheco e tantos outros egrégios peregrinos que a memória não registou.
Com efeito, com a conclusão da ponte de Barcelos em 1325 e a remodelação da de Ponte de Lima na mesma época, foi possível criar um percurso rectilíneo que evitava a inflexão por Braga e a travessia a vau ou em barca dos rios mais perigosos.
Rates, Barcelos, Ponte de Lima, Valença, Tui, Redondela, Pontevedra e Caldas de Reis definiram o novo itinerário medieval do Porto a Santiago, tendo apenas em comum com a velha via militar romana um ou outro troço urbano e as pontes ainda em uso para vencer as ribeiras mais buliçosas.
No sec XVIII, com a política de melhoramentos empreendida por Fontes Pereira de Melo uma nova estrada alcança Viana do Castelo, transpõe o Lima numa soberba ponte metálica e prolonga-se até Caminha e Valença. Enquanto isto, também a linha dos Caminhos de Ferro vai crescendo atinge Valença em 1882 e penetra em Espanha quatro anos depois.
Barcelos e Ponte de Lima deixarão de ser pontos de passagem obrigatória nas deslocações norte-sul e Viana do Castelo assume claramente a hegemonia e a liderança política e administrativa do Alto Minho.
Este percurso, por isso mesmo, perdeu o interesse, foi abandonado e rapidamente esquecido. O manifesto desinteresse da ligação Barcelos-Ponte de Lima-Valença, preterida por outros acessos mais francos à fronteira, valeu-lhe, assim, alguma preservação, já que os outros percursos que justificavam benfeitorias conservam hoje do original pouco mais que um vago traçado.
No remanso duma paisagem que se tem mantido incólume com o correr do tempo, o caminho foi-se apagando, lentamente, nos lameiros das veigas e nas encostas esqueléticas da Labruja, onde até o mato mal resiste à erosão. Mas o traçado estava lá, razoavelmente conservado, adivinhando-se num cruzeiro, numas alminhas, nuns restos de calçada trilhada por fundas relheiras e quase sempre bem registado na memória da população local.
Quando no início dos anos sessenta, o Pároco de O Cebreiro, D. Elías Valiña Sampedro, apregoava o Milagre Eucarístico na sua Igreja de Santa Maria la Real, estava a dar novo alento às antigas peregrinações jacobeias que celebrizaram aquela intervenção divina. Tomou então este encargo como uma missão, organizou congressos, promoveu associações, reconheceu o Caminho e sinalizou-o, pintando setas amarelas, que ainda hoje se têm como a mais conhecida e segura identificação de um itinerário jacobeu.
Fazia mais de dez séculos que multidões de devotos a Santiago peregrinavam ao seu túmulo e só nos anos mais recentes esta prática esmorecera e quase se extinguira.
Com a sinalização do Caminho Francês o fenómeno disparou, aumentando progressivamente, mês após mês, ano após ano, o número de peregrinos que de todo o mundo e nomeadamente da Europa ocorriam a Santiago de Compostela, calcorreando os velhos caminhos que os estudos e as guias sugeriam. Reabrem-se antigos e novos albergues, editam-se roteiros e mapas, proliferam os estudos monográficos, organizam-se congressos e seminários, constituem-se Associações de Amigos, especializa-se, inclusivamente, a oferta turística das cidades históricas servidas por este itinerário. E o sucesso foi de tal dimensão, que em 1987 o Conselho da Europa o galardoa como Primeiro Itinerário Cultural Europeu e em 1993 a UNESCO classifica-o já como Património da Humanidade.
A Xunta de Galicia, consciente da dimensão universal deste entusiasmo e da sua acção catalizadora da integração europeia, decide explorar outros itinerários jacobeus de reconhecido sentido histórico e promover igualmente a sua reutilização. Inicia as diligências com o velho Caminho Português, indiscutivelmente considerado o mais importante das chamadas rotas secundárias, abrindo concurso público para a sua identificação, caracterização e valorização. E no Ano Santo de 1993 é pela primeira vez divulgado o itinerário entre Tui e Santiago que os Peregrinos preferencialmente utilizavam quando provinham de Portugal.
Este magnífico trabalho foi realizado por uma equipe da Asociación Galega de Amigos do Camiño de Santiago, que em boa hora entendeu que o Caminho Português não se esgotava na Galiza, e diligenciou todos os esforços para obter apoio na investigação em Portugal. Assim se alargou a equipe, primeiro em Valença, onde nasceu a Associação local dos Amigos do Caminho, e depois em Ponte de Lima. E passados quatro anos de rebuscada investigação e trabalho de campo, foi possível fixar o velho caminho para norte de Ponte de Lima, iniciando-se desde logo os trabalhos para sul daquela vila em direcção a Barcelos e ao Porto.
Actualmente, podemos considerar este itinerário definido e fixado entre o Porto e Santiago e em curso um conjunto de actividades que têm em vista a sua recuperação, sinalização e divulgação, promovidas pela Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago, que tem a sua sede em Ponte de Lima.
A recuperação não envolveu ainda e muito menos de uma forma programada, a totalidade do itinerário, como sucede no troço galego por iniciativa da Xunta. São as respectivas Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia que, por solicitação da Associação, realizam acções pontuais de limpeza e redobram cautelas no licenciamento de intervenções públicas e privadas. Mas outros projectos estão também a arrancar a criação de pelo menos dois albergues de Peregrinos; a proposta de classificação do Caminho Português como Património Cultural; e a edição de um roteiro prático, cartografado a escala conveniente, que será um excelente complemento da Guia recentemente publicada em Pontevedra.
A sinalização poderá vir a ter um carácter definitivo, uma vez que o Caminho tem já uma identificação precária com as inconfundíveis setas amarelas, que o tornam acessível a qualquer caminheiro, prevendo-se ainda acrescentar à indicação de Santiago de Compostela a direcção oposta do Santuário de Fátima, esta talvez com uma seta azul. De facto, o Caminho Português de Santiago, no seu retorno, é um Caminho de Fátima, com afluência crescente de Peregrinos que, por devoção à Virgem Maria prosseguem viagem depois de alcançar Compostela

sábado, 20 de setembro de 2008

De Caldas a Santiago em BTT (Ago 2008)


Depois de termos feito os Caminhos de Santiago por várias vezes (quatro no Caminho Português e uma no Caminho Francês), decidimos este ano começar a pedalar a partir das Caldas.
O desafio foi percorrer durante 6 dias, de BTT e em autonomia, os cerca de 540 km entre as Caldas e Santiago de Compostela.
Alinharam neste desafio o Ricardo Ferreira, o Nuno Ribeiro e o Vítor Milheiro.
Os outros companheiros foram ter a S. Pedro de Rates e fizeram connosco as 3 últimas etapas.
Apesar de não haver caminho marcado junto à costa, a nossa opção foi pedalar durante os 3 primeiros dias o mais possível próximo do mar, por caminhos e estradas secundárias.

No primeiro dia depois de passar por S. Martinho e Nazaré, apanhámos a excelente ciclovia que passa por S. Pedro de Moel e vai até à Praia da Vieira. Continuamos dentro do pinhal de Leiria por Pedrógão e Leirosa. Como ainda era cedo e o cansaço não era muito, continuámos até à Figueira da Foz, passámos o cabo Mondego e foi ao pôr do sol, ao fim de 7 horas a pedalar, que chegámos a Quiaios, onde ficamos num “bengali” no parque de campismo.


 











No segundo dia, depois de passarmos pelas praias de Tocha e Mira, seguimos junto à vala de Mira até ás margens da ria de Aveiro, que nos iria fazer companhia durante os seguintes 50km. Como o dia estava excelente, tomámos um banho na praia da Vagueira. Depois de passar pela Costa Nova, apanhámos o ferry para S. Jacinto e continuámos a pedalar até ao Furadouro onde ficámos em casa de amigos.

No terceiro dia partimos com a expectativa de dar um mergulho nas praias de Esmoriz ou Espinho, mas a temperatura fresca e o nevoeiro, fez-nos mudar de ideias. Assim, continuamos a pedalar, à beira do mar, na espetacular ciclovia que vai de Espinho até Vila Nova de Gaia. Com a entrada no Rio Douro o nevoeiro foi-se embora e a nossa passagem pelo Porto foi banhada por um sol magnífico. Foi a partir da ponte D. Luís, que começamos a seguir as setas amarelas do Caminho de Santiago. E foi no coração do Porto que parámos para almoçar umas deliciosas “francesinhas”.


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Depois de alguns quilómetros na zona urbana do Porto, entrámos finalmente na tranquilidade dos Caminhos de Santiago. O destino era o albergue da aldeia medieval de S. Pedro de Rates, instalado numa antiga casa rural. Foi aqui o ponto de encontro com os companheiros que iriam fazer connosco os últimos 220km.

Estávamos no quarto dia e a expectativa era grande, pois dos catorze, apenas quatro já tínhamos feito o caminho.
Esta etapa passava por Barcelos e Ponte de Lima, em pleno coração do Minho. O almoço foi em Ponte de Lima e o ponto alto da etapa foi a sesta que dormimos num relvado cheio de sombras, à beira do rio Lima. Antes de chegar ao albergue de Rubiães, recuperado a partir duma antiga escola primária, ainda faltava a dura travessia da serra da Labruja, que obrigou a grandes períodos com a bicicleta ás costas. Esta serra, e em particular a passagem pela Cruz dos Franceses (ou Cruz dos Mortos) é um local mítico, pois foi aqui que, há 200 anos, os habitantes desta região deram uma valente tareia nos invasores franceses.













O quinto dia começou tranquilo até Valença. Em Tuy, subimos as íngremes calçadas da zona antiga até à Catedral. E foi a partir daqui que apanhámos uma valente chuvada durante mais de 20km. Só em Mós o bom tempo voltou.
Em Redondela, uma paragem para beber uma cidra antes de pedalar os últimos quilómetros até ao albergue de Pontevedra.

E finalmente a última etapa. A primeira paragem foi em Caldas dos Reis, onde banhámos os pés nas quentes águas da fonte termal (46º). Na passagem por Padron, em dia de feira, não resistimos à passagem por uma churrasqueira. Comprámos frangos, pão e bebidas e almoçamos na margem do Rio Ulla, rio por onde, segundo a lenda, entrou a barcaça com corpo do apóstolo Tiago, que havia sido decapitado na Terra Santa.
Com o aproximar da cidade de Santiago as forças voltaram e foi com alegria e emoção que subimos os últimos 2km até à Praça do Obradoiro, em frente da Catedral. Depois das últimas fotos, fomos à oficina do peregrino buscar a “Compostela”, visitámos a magnifica

catedral e compramos algumas lembranças.












 
A peregrinação deste ano correu muito bem. Não houve acidentes, nem avarias graves – apenas dois furos. O ambiente foi sempre de amizade e boa disposição e todos partilharam o espírito de que o mais importante dos Caminhos de Santiago não é chegar, mas sim usufruir do caminho.
 
As etapas:
1º dia – Caldas – Quiaios (133km)
2º dia – Quiaios – Furadouro (104km)
3º dia – Furadouro – S. Pedro de Rates (90km)
4º dia – S. Pedro de Rates - Rubiães (70km)
5º dia – Rubiães – Pontevedra (71km)
6º dia – Pontevedra – Santiago (69km)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Caminho Francês de Santiago em BTT - (Ago 2007)

Entre 2 e 8 de Agosto de 2007, eu e mais dois amigos do BTT Caldas realizámos o desafio de percorrer o Caminho Francês de Santiago em BTT.
Foram mais de 700 km a pedalar em total autonomia, tendo como ponto de partida e chegada Bragança.

1- Bragança- Doney de la Requejada ---------(64 km, 3h 56m, 1226m alt )
2 – Doney Requejada - Cacabelos -------------(103 km, 6h 54m , 1857m alt)
3 –Cacabelos - Portomarim------------------- (123 km , 7h 27m, 2047m alt)
4 – Portomarim - Santiago -------------------(100 km , 7h 30 m, 1908m alt)
5 – Santiago – Ourense------------------------ (117 km, 6h 38m, 2012m alt)
6- Orense – Chaves -----------------------------(100 km, 6h 00m, 1590m alt)
7 – Chaves - Bragança -------------------------(116 km, 7h 08m, 2420m)
TOTAIS -------------------------(723 km, 44h 33m , 13 060 m alt)

O Caminho Francés ou rota das estrelas, é o Caminho de Santiago por excelência. È uma rota milenar, com quase 800 km, que partindo de Saint Jean Pied du Port, se dirige para Oeste sempre acompanhados pela Vía Láctea.
O nosso plano foi sair de Bragança e pedalar para Norte, atravessando a Sierra da Cabrera e apanhar o Caminho francês em Ponferrada. A partir daqui foi seguir as setas amarelas e partilhar com muitas centenas de peregrinos, um caminho antigo, com paisagens magníficas, de grande riqueza cultural e religiosa.




1º dia 2 Agosto 07 (Bragança – Doney de la Requejada)

Depois de 5 horas de carro até Bragança, preparámos as bicicletas que carregadas pesavam 23 kg e iniciámos o “camiño” depois de almoço. Optámos por seguir por Rio de Onor, passámos por Puebla de Sanabria e ao fim de 64 km e quase 4 horas a pedalar, chegámos a Doney de la Requejada, com o sol a esconder-se por detrás das montanhas.
Foi uma etapa dura, porque o terreno era muito acidentado com muitas subidas, o que se comprova pela altimetria acumulada de 1226m e porque eu estava sem ritmo, pois não andava de bicicleta há quase 15 dias. Saímos de altitude de 660m e dormimos a 1226m.

Jantámos no único café da aldeia, onde uma simpática senhora nos preparou um saboroso jantar e nos arranjou um local sossegado com piso macio para acamparmos. Foi uma noite fria e todos estranhámos a “qualidade” do colchão!

2º dia 3 Agosto 07 (Doney de la Requejada – Cacabelos)
No dia seguinte, depois de desmontar acampamento e preparar as bicicletas, fomos ao mesmo (e único) café, onde tomámos o pequeno almoço encomendado na véspera.
Já passava das 9h00 quando iniciámos a subida de 14km, até aos 1836m, que é o trajecto de uma das mais prestigiadas corridas de montanha de Espanha. Demorámos quase duas horas, a uma velocidade média de 8km/h.
Depois foi uma descida vertiginosa, onde em apenas 6km baixámos 500m em altitude.
A viagem continuou pelo vale, passando próximo do lago de Truchillas, e depois pela povoação com o mesmo nome, e mais à frente por Truchas, onde pretendíamos almoçar, mas não havia nenhum café ou restaurante!! Continuámos a pedalar mais 8km até Corporales, onde finalmente encontrámos quem nos servisse uns “bocadilhos” e umas cidras.
Estávamos a 1200m e faltava o segundo desafio do dia, uma subida com 10km, com uma inclinação media de 9% que nos levou até ao alto do Morredero 1965m.
A dureza da subida foi compensada pela beleza da paisagem e pelo alento de sabermos que depois era sempre a descer até Ponferrada.
Chegados ao ponto mais alto, iniciámos uma fantástica descida e fomos surpreeendidos
por uma paisagem ainda mais deslumbrante com vales profundos e pintados de um verde que ao longe parecia veludo.
Foram cerca de 40km quase sempre a descer, por vezes a velocidades acima dos 60km/h.
Perto de S. Cristobal de Valdueza uma pequena paragem para apanhar uma barrigada de cerejas que nos estavam a desafiar ali mesmo á beira da estrada.
E foi num ápice que chegámos a Ponferrada …finalmente estávamos no caminho Francês de Santiago. Começamos a encontrar setas e marcos um pouco antes do castelo dos Templários de Ponferrada.
Como ainda havia duas horas de sol decidimos continuar. Em Cacabelos ficámos no albergue municipal (5€ cada um); são pequenos quartos de duas camas, construídos no adro da igreja da Virgem das Angústias. Tomámos um banho a sério, lavámos roupa e fomos jantar a uma pizzaria.
Neste dia fizemos 104km, em aproximadamente 7 horas e uma altimetria acumulada de 1857m

3º dia - 4 Agosto 07 (Cacabelos-Porto Marim)
Depois de uma noite mal dormida, primeiro pelo ressonar de alguns peregrinos, e depois pelo barulho dos vizinhos do quarto ao lado, que ás 5 da manhã já estavam a abrir fechos das mochilas e a remexer em sacos de plástico.
Fomos quase os últimos a sair do albergue, ás 8h30, tomámos o pequeno almoço uns quilómetros à frente em Vila Franca del Bierzo.
Após 30km tranquilos, passamos por Herrerias, onde tem início a famosa e difícil subida de 14km que nos leva ao alto do Cebreiro, (1300m). O Cebreiro é uma vila muito pequena, que parece saída das histórias de Astérix. Tem uma capela do sec. XI e palhotas celtas muito bem conservadas. É um local muito bonito e um dos pontos mais emblemáticos do Caminho.
Aqui comemos umas uvas deliciosas e assistimos ao primeiro casamento do dia.
Antes de iniciar a descida, havia ainda que passar no alto do Poio (1357m) e depois finalmente um descida espectacular até Triacastela onde almoçamos e dormimos uma sesta durante a hora do calor.
Regressámos ao caminho por volta das 17h , passámos por Samos com o seu imponente mosteiro, onde parámos para beber uma cidra e presenciámos o segundo casamento.
Logo a seguir entrámos num trilho muito bonito e fresco que nos levou até Sarria.
Mas o objectivo era chegar a Portomarin … e ainda faltavam 25km e um a subida até aos 700m . Nesta altura já tínhamos pedalado mais de 100km. Finalmente a descida para Portomarim, foram 8km de curvas abertas, sempre a grande velocidade.
Eram quase 21 horas, com o sol a esconder-se por detrás dos montes, quando atravessámos o rio Minho e chegámos a Portomarin. O albergue estava cheio e não havia parque de campismo. Felizmente o pavilhão da vila estava aberto aos peregrinos, só que não havia banhos. Estávamos muito transpirados, tínhamos pedalado 123 km, durante 7horas e meia e dentro do pavilhão estava um calor insuportável. Foi numa fonte, ao lusco fusco, que tomámos o banho do dia, ao mesmo que outros peregrinos lavavam a louça do jantar. Instalámo-nos no pavilhão… estavam lá perto de 300 peregrinos!! Jantámos num restaurante ao lado da igreja e … dormir, pois a jornada tinha sido longa e dura.
Distancia percorrida – 123km
Tempo – 7h27
Alimetria – 2047m

4º dia – 5 Agosto ( Portomarin – Santiago)
Eram 6 da manhã, o dia estava a nascer e o pavilhão já estava praticamente vazio quando nós saímos. Tomámos o pequeno almoço junto à igreja e começamos a pedalar ás 7h30.
Foi um dia espectacular, marcado por um bonito sobe e desce com paisagens a fazer lembrar o Caminho Português, com muitos caminhos de terra cheios de sombras, e repletos com centenas de peregrinos, com quem íamos conversando ou simplesmente trocando “holá, bon camino” .
O almoço foi numa esplanada, atendido por uma senhora terrivelmente simpática.
Depois do esgotante dia anterior, tencionávamos fazer apenas 70-80km, para desfrutar mais do percurso e comunicar mais com os outros peregrinos.
A partir dos 70km começamos a procurar lugar nos albergues …. Mas estava tudo cheio, ou não podiam ainda receber-nos, uma vez que ainda esperavam peregrinos a pé, e estes tem prioridade sobre os ciclistas.
Passámos por um local muito simpático em Ligonde, onde existe uma fonte do peregrino e muitos voluntários oferecendo café e chá. Ainda conversámos um pouco com dois voluntários portugueses – os únicos portugueses com quem nos cruzámos durante o caminho.
Acabámos por ir pedalando e ficar no albergue do Monte do Gozo, onde chegámos por volta das 18h. Havia camas livres e as condições eram muito boas. Os quartos eram de 8, mas no nosso ficámos só nós… finalmente dormimos uma noite tranquila e confortável.
Depois de um banho, decidimos ir a Santiago (4,5Km), receber a Compostela e jantar. Fomos de bicicleta, mas com roupa de “sair à noite”, apenas com sapatos de bicicleta e (sem capacete, para não estragar o penteado!!).
Voltámos para o Monte do Gozo e depois de uma bebida no bar, uma bela noite de sono.

5º dia – 6 Agosto ( Santiago – Ourense)
Descemos para Santiago de Compostela, onde tomámos o pequeno almoço e passámos a manhã.
Tirámos fotos, fizemos compras, e era quase meio dia quando iniciámos o caminho de regresso até Bragança (300km)
Depois de uma descida até ao rio Ulla a 130m foram muitos kms de subida até mais de 850m de altitude.
Fizemos toda a viagem pela N225 e foi um desafio duro, pelas imensas subidas e porque eu estava com um tendinite no joelho. Só conseguia subir em mudanças leves.
Fiquei preocupado e pensei que talvez fosse mais sensato apanhar uma boleia e esperar pelos meus colegas em Ourense. Mas a boleia não apareceu e lá fui andando e suportando a dor no joelho, compensando fazendo mais força com a perna direita.
Aos 40km já tínhamos 900m de desnível acumulado.
Felizmente que depois de atingir o ponto mais alto do dia, as descidas apareceram e os 40km que no separavam de Ourense foram feitos em apenas 1h30.
A chegada a Ourense foi espectacular. É uma cidade muito bonita, junto ao rio Minho. Perguntámos por camping ou alberghue e alguém nos indicou o albergue de S. Francisco. Era muito acolhedor e o responsável um velho peregrino francês, que falava
pelos cotovelos, num espanhol afrancesado . Depois de um belo banho, tivemos apenas uma hora para jantar, pois o albergue fechava as portas às 23h.
Foi uma das noites em que melhor dormi, a cama era boa e nem dei pelos roncadores.

6ºdia / Agosto – Ourense – Chaves

Aquilo que pensávamos ser uma etapa fácil, revelou-se mais uma etapa com muitas subidas em que pedalámos 100km em 6h00 e uma altimetria de 1590m.
Foi numa espectacular descida até Verin que atingi a maior velocidade de toda a viagem – 76,9Km/h!
Chegados a Chaves e aproveitando os conhecimentos do nosso colega major, dormimos na messe de oficiais no quartel de Chaves – um verdadeiro luxo.
Um passeio por Chaves e um jantar junto ao rio e … descansar, porque amanhã ainda era preciso pedalar mais de 100km até chegar a Bragança.

7º dia 8 Agosto (Chaves – Bragança)
Para variar foi mais uma etapa em que as subidas se sucediam, passámos junto à praia fluvial de Valpaços e almoçamos um delicioso frango assado e entrecosto na Torre Dona Chama .
Pensávamos que a viagem fosse masi fácil, mas os 116km realizados em 7h08 e com uma altimetria de 2420m, revelaram uma das mais duras etapas desta aventura.
Chegámos a Bragança já depois das 18horas.
Jantámos e regressámos ás Caldas onde chegámos por volta das 3h da manhã.

Balanço final

- Tudo correu como planeado, a viagem foi espectacular e a relação com os meus companheiros de aventura foi óptima, sempre cordial e bem humorada.
- foi uma experiência inesquecível; nos dois primeiros dias descobrindo as belas paisagens da Serra da Cabrera: depois foi gratificante o contacto com os outros peregrinos, o ambiente nos albergues e a beleza das paisagens e dos monumentos.
- De realçar o estado de asseio dos albergues, bem como o bom estado e limpeza dos trilhos.
-Os peregrinos têm de uma maneira geral um comportamento impecável.
- Os albergues são muito frequentes e liderados por pessoas simpáticas.
- O percurso está muito bem assinalado .
- Existem muitos pontos de água e de boa qualidade.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Expedições em BTT - alguns conselhos

Preparação da bicicleta

Devido à dureza de algumas expedições, a escolha da bicicleta a utilizar é importante. Assim esta deverá ser o mais leve possível, mas ao mesmo tempo fiável nos equipamentos de que é montada, tendo sempre em conta a facilidade de manutenção.
Quando as etapas são longas, deverá evitar-se a utilização de bicicletas construídas em materiais muito rígidos (ex: alumínio, fibra de carbono) por estes aumentarem a fadiga. A incorporação de suspensão à frente é por assim dizer uma necessidade, e a suspensão total é de considerar se isso não significar um aumento excessivo de peso. No ideal uma bicicleta para esta travessia tal como a planeamos fazer, não deverá ter um peso superior aos 11,5 kg . Os acessórios que eventualmente se venham a fixar à bicicleta deverão ser o mais centrais possíveis. Devem evitar-se os alforges laterais quer à frente quer atrás, que desequilibram a bicicleta em descidas técnicas e zonas trialeiras.

Recomenda-se que a bicicleta seja minuciosamente revista em preparação para a expedição, dando especial atenção ao seguinte:
-
Substituir cabos e bichas das mudanças e travões
- Substituir corrente, cassete e rodas pedaleiras se a corrente não tiver sido mudada nos últimos 500 kms.
- Substituir o guiador se este for de alumínio e tiver mais de 1 ano.
- Limpar, verificar e substituir se necessário, ou lubrificar; caixa de direcção, cubos das rodas, centro pedaleiro e pedais.
- Verificar e corrigir o empenho das jantes
- Substituir os pneus se estes apresentarem desgaste. Aconselha-se o uso de pneus de carcassa resistente, para pisos duros com pedras.

Material de manutenção individual:

Durante as etapas da expedição aconselha-se os participantes a transportarem pelo menos:
- Uma câmara de ar
- Caixa de reparação de furos
- Jogo de desmontas
- Descravador de correntes
- Jogo de chaves tipo canivete
- Bomba
- Lubrificante para a corrente
- Um pedaço de arame ou cordeleta

Se houver carro de apoio levar muitas outras ferramentas e peças sobressalentes para eventuais reparações de maior porte no final das etapas . (Ex: pneus, rodas completas, desviadores, correntes, guiadores, cassetes, tubos de selim, selins, rodas pedaleiras, cranks, pedais e cleats, centros pedaleira, cabos de travão e mudanças, peças para travões de disco, calços, pastilhas, camâras de ar, raios, manípulos de mudanças, etc.).

Alimentação


Durante a travessia as principais refeições serão o pequeno almoço e o jantar. Assim o pequeno almoço deverá ser abundante e substancial (com a inclusão de cereais) . Cada participante deverá pois levar consigo, no carro de apoio a quantidade suficiente dos seus cereais preferidos para toda a travessia, já que na maioria das unidades hoteleiras onde se pernoita não é vulgar oferecerem cereais ao pequeno almoço.
O almoço (pic-nic) será constituído por pequenos lanches do tipo sandes e fruta no inicio ou no meio de cada etapa. Aconselha-se a levarem também como complemento as barras energéticas da vossa preferência.
O jantar em restaurante visará uma ingestão apreciável de hidratos de carbono e proteínas.
Não esquecer que uma boa hidratação é mais importante que uma boa refeição e portanto deverá levar água em quantidade (nalgumas etapas não existe possibilidade de reabastecimento). Seguir as indicações do guia para cada etapa. Aconselha-se o uso de CAMEL BAK de 3 litros em preferência aos cantis, já que aqueles não só transportam maior quantidade de água como a mantêm mais fresca durante mais tempo, ainda, os cantis e seus suportes prejudicam o transporte da bicicleta ao ombro.

Equipamento pessoal para a prática da actividade

Recomenda-se equipamento básico recaindo a escolha em roupa adequada à prática do BTT:
- 3 blusas de ciclismo de material transpirável
- 3 calções almofadados
- 1 impermeável ligeiro (tipo corta-vento)
- luvas
- capacete
- óculos
- sapatos de sola rígida
- meias transpiráveis
- fitas suadeiras para a cabeça


Outras coisas importantes a não esquecer:
- Protector solar
- Batom para o cieiro
- Creme "relax" para massajar as pernas.
- Pomada Halibut para evitar assaduras ( 2 bisnagas por pessoa )
- Pomada para furúnculos
- Detergente liquido para lavar roupa (tipo Soflan)

Trekking nas Dolomitas (Itália) …uma das mais belas montanhas do mundo

O desafio deste verão foi descobrir alguns dos lugares mais incríveis das montanhas Dolomitas, bem no coração de Cortina d'Ampezzo. No...