segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Travessia do Minho e Gerês de bicicleta - de Caminha à Régua em 6 etapas (427 km)

INTRODUÇÃO
Desta vez o desafio foi pedalar em autonomia ao longo da raia no Norte de Portugal. A 1ªetapa foi pela ecopista do rio Minho (Caminha-Melgaço (82km). Nas 3 etapas seguintes o pano de fundo foi o Parque Nacional Peneda-Gerês (Melgaço-Lindoso 73km) (Lindoso-Gerês 64km) e Gerês-Montalegre 68km). A 5ª etapa, pelo planalto que liga Montalegre a Chaves (43km), foi de recuperação da dureza dos dias anteriores. A 6ª e última etapa ligou Chaves à Régua (97km).
Depois de viajarmos para o Porto de carro, fomos deixá-lo à Régua e regressámos ao Porto no comboio da Linha do Douro a tempo de apanhar o inter-cidades para Caminha, onde pernoitámos no Hostel Arca Nova.
1ª etapa - Caminha-Melgaço (82km)
O dia amanheceu com o rio Minho coberto de nevoeiro e a 1ªetapa começou junto ao ferry de Caminha. Foi um pouco antes de Vila Nova de Cerveira, que entrámos na ecopista do Minho e foi sempre à beira do rio que atravessámos Valença e continuámos até Monção, onde almoçámos. De volta à estrada percorremos os 30 km até Melgaço em menos de 2 horas. Como estava bastante calor, depois de nos instalarmos na Pousada de Juventude, fomos dar um mergulho nas piscinas. À noite visitámos o castelo e o centro histórico e fomos jantar no centro de Melgaço.
Antiga Linha entre Valença e Monção convertida em ecopista
Ecopista do rio Minho (Valença ao fundo)
Ecopista do rio Minho
Vista para o Rio Minho da Torre da Lapela
Estátua nas margens do rio Minho
Almoço em Monção
Eram cerca de 15h30 quando chegámos a Melgaço
Como chegámos mais cedo do que o previsto, ainda houve tempo para um banho nas piscinas de Melgaço
Castelo de Melgaço
2ª etapa - Melgaço-Lindoso (73km)
A etapa iniciou-se com uma subida de cerca de 8km até Lamas de Mouro. Depois foram mais 6km até Castro Laboreiro onde parámos para almoçar. Como a estrada não tem continuidade, regressámos a Lamas de Mouro onde fizemos uma paragem na praia fluvial para descansar e dar um mergulho. De volta à estrada passámos pelo Santuário de Nossa Senhora da Peneda e depois de vencer mais uma enorme subida, iniciámos a descida até à barragem de Lindoso. Depois de passar o paredão subimos até à povoação e visitámos o castelo e os espigueiros.
Em Lamas de Mouro fizemos um desvio de cerca de 7km (para cada lado), para visitar a vila de Castro Laboreiro
O almoço - piquenique foi em Castro Laboreiro
Regressámos a Lamas de Mouro e deixámos passar a hora do calor na praia fluvial
Passámos pelo Santuário de Nossa Senhora da Peneda
Nossa Senhora da Peneda do Gerês
A barragem de Lindoso
Espigueiros junto ao Castelo de Lindoso
3ª etapa - Lindoso-Gerês (64km)
Depois de pernoitar em Parada de Lindoso seguimos o conselho de um habitante da aldeia e alterámos o percurso, entrando em Espanha pela cidade de termal de Lobios e passando a fronteira na Portela do Homem
A caminho de Lobios
Junto às termas de Lobios, uma paragem para pôr os pés de molho nas quentes águas termais
Durante a difícil subida entre Lobios e Portela do Homem
Depois da Portela do Homem, virámos à direita e continuámos por uma bela estrada de terra que durante vários quilómetros acompanha a barragem de Vilarinho das Furnas
Por este caminho encontrámos muitos vestígios da antiga estrada romana (Geira Via XVIII) que ligava Bracara Augusta (atual Braga) a Astyrica Augusta (atual Astorga)
Barragem de Vilarinho das Furnas
Durante a descida para São Bento da Porta Aberta, passámos por um local onde parece que terminou o “Covide”
Santuário de S. Bento da Porta Aberta
…e lá ao fundo a bela barragem do rio Caldo
…onde aproveitámos para dar um mergulho
E a 3ª etapa terminou em Caldas do Gerês
4ª etapa - Gerês-Montalegre (68km)
Esta foi a etapa mais dura deste desafio, quer pela altimetria, quer pela inclinação de várias subidas. Foi um sobe e desce em que se subiu bastante mais do que se desceu. Fizemos uma paragem para visitar a cascata de Thaiti. Pedalámos alguns km à beira do rio Fafião e já se via ao longe lá no alto o miradouro de Fafião. Depois foi sempre a subir até à aldeia e ao miradouro, onde almoçámos. Depois de descer à barragem de Cabril, vieram mais subidas. Gostei em particular do troço entre Sezelhe e Montalegre, em que rodeados de amontanhas atravessamos uma paisagem agrestemas imponente.
Início da etapa mais dura desta travessia, que teve uma altimetria superior a 2000m
Próximo da cascata de Thaiti, a caminho da barragem do Cabril
Rodeados de montanhas impressionantes
Miradouro de Fafião
Barragem do Cabril
Neste dia foi um sobe e desce constante
Barragem da Paradela
E foi perto das 20h00 que terminámos a etapa na vila de Montalegre
5ªetapa - Montalegre a Chaves (43km)
Em Montalegre ainda havia sinais dos festejos de sexta-feira 13. Só depois de Montalegre deixámos definitivamente as grandes montanhas para trás e foi em planalto que percorremos grande parte da etapa. Os últimos quilómetros foram sempre a descer até à bela cidade de Chaves
Igreja de Vilar de Perdizes
Castelo de Chaves
Muralhas do Castelo de Chaves
Ponte Romana de Chaves (Trajano)
7ª etapa - Chaves-Régua (97km)
Esta etapa foi pensada por razões logísticas, para chegar à Régua, onde fomos deixar o carro no 1º dia, regressando ao Porto de comboio na linha do Douro. Foi percorrida pela N2 até Vila Pouca de Aguiar.
Aqui optámos pela tranquilidade e segurança da ecopista do rio Corgo, por onde pedalámos até Vila Real, onde fizemos uma paragem no centro histórico. Em Pedras Salgadas adquirimos o passaporte da N2, que fomos carimbando a partir dali nas localidades por onde passámos. Em Vila Real voltámos à N2 e ainda tivemos algumas subidas antes de Santa Marta de Penaguião. E foi desta forma, sempre a descer até à Régua e envolvidos pelas vinhas do Douro, que chegámos à Régua, concluindo assim mais uma espetacular viagem de bicicleta.
Início da etapa junto ao KM zero da N2. O percurso entre Chaves e Régua foi realizado ao longo da estrada N2.
Passagem pelo KM 30 em Pedras Salgadas
Na nascente, onde bebemos um “shot” de Água das Pedras
E foi desta forma, envolvidos pelas vinhas do Douro, que chegámos à Régua, concluíndo assim mais uma espetacular viagem de bicicleta.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Travessia dos parques de Montesinho e Douro Internacional em bicicleta

Introdução No ano passado, com a Travessia do Minho e Gerês, iniciei o projeto “transraia”, com o objetivo de percorrer por etapas os territórios próximos da fronteira com Espanha. Dando seguimento a este projeto, este ano o desafio foi percorrer os Parques Naturais de Montesinho e do Douro Internacional, num percurso com 490km que começou em Chaves e terminou em Vilar Formoso.
Viajámos de carro até Chaves na véspera e na manhã seguinte fomos deixar o carro a Bragança, regressando a Chaves de autocarro, uma viagem que durou cerca de 3 horas! Nos quatro primeiros dias pedalei em grupo e a partir de S. Julião dos Palácios continuei a solo tendo regressado a casa de comboio. Etapas
1ªetapa – Chaves – Brito de Lomba (46km) Em Chaves, começámos a pedalar pelas 15h30 e depois de 15km tranquilos, começámos a subir e durante os 10km foi sempre a ganhar altitude até próximo de Travancas (alt. 866m). Como estávamos a viajar em autonomia - com as bicicletas a pesar cerca de 20kg - sempre que aparecia uma subida acentuada a velocidade baixava para menos de 10km/h.
No final da subida, fizemos uma paragem para lanchar numa festa que estava a decorrer junto á capela de Santiago em Mairos.
Depois de passar por Segirei, e quase no final da etapa, descemos à praia fluvial de Segirei (infelizmente sem água) antes de fazer a subida final que passa por Sandim e termina em Brito da Lomba, onde pernoitámos na Casa de Brito, uma casa rural restaurada com muito bom gosto.
Como sabíamos que não existiam restaurantes na região, transportámos a comida desde Chaves e jantámos na cozinha do alojamento.
2ªetapa - Brito de Lomba – Dine (68km) Os 1936m de altimetria refletem bem a dificuldade desta etapa. Tivemos que superar várias subidas bem difíceis para quem viajava com bicicletas com alforges e usufruir de muitas descidas vertiginosas onde cheguei a ultrapassar os 70km/h.
Passámos por várias aldeias raianas como Gestosa, Passos da Lomba, Quirás, Pinheiro Novo, Seixas, algumas delas com muitas casas de pedra e telhado em xisto. Só em Moimenta encontrámos uma mercearia, onde comprámos comida para o jantar da 2ª noite, pois também não iríamos encontrar restaurantes.
Depois de passar por Mofreita, descemos para a aldeia de Dine, onde fomos muito bem recebidos na Casa do Canto, onde os proprietários nos prepararam uns ovos mexidos da capoeira e uma salada de tomate da horta, que foram um excelente complemento ao nosso jantar.
Nesta etapa andámos algumas vezes mesmo na fronteira.
3ªetapa - Dine – Bragança (64km) Saímos de Dine e voltámos a subir até à aldeia de Mofreita.
Pelo caminho passámos por alguns castanheiros centenários e continuámos por Parâmio e Vilarinho.
Em Soutelo, deixámos o alcatrão e continuámos por uma estrada de terra que nos levou ao coração da Serra de Montesinho, acima dos 1300m, onde encontrámos locais de enorme tranquilidade e grande beleza paisagística. Iniciámos a descida depois de passar pelas albufeiras de Veiguinhas e Serra de Serrada. Regressámos ao alcatrão próximo da aldeia de Montesinho, onde parámos para fazer uma visita e petiscar no café da aldeia.
Continuámos com passagem pela aldeia de França e foi na companhia do rio Sabor que percorremos os últimos quilómetros até à bela cidade de Bragança, com imensos locais com interesse histórico, nomeadamente o belo castelo medieval.
Neste dia a pernoita foi na Pousada de Juventude de Bragança.
4ªetapa – Bragança – Vimioso (86km) Depois de tomar o pequeno-almoço na Pousada de Juventude, seguimos em direção norte, passando por Varge e continuando em direção a Rio Onor, uma bela aldeia fronteiriça, metade espanhola, metade portuguesa, com casas muito bonitas e muito bem conservadas. Almoçámos à sombra de uma amoreira.
Voltámos à estada e continuámos sempre perto da fonteira passando por Guadramil e Deilão. Em S. Julião dos Palácios o grupo separou-se. As minhas companheiras de viagem regressaram a Bragança pela estrada N308, e eu continuei a solo em Direção a Quintanilha, onde apanhei uma estrada de terra pelo meio de sobreiros e castanheiros, que me levou até à praia fluvial da Fonte do rio Maçãs, que também estava sem água.
De regresso ao alcatrão subi até Pinelo, onde lanchei e depois pedalei mais alguns quilómetros até ao Vimioso onde o jantar foi uma francesinha e a pernoita na Residencial Central.
5ªetapa - Vimioso – Vilarinho de Galegos (104km) Saí de Vimioso já passava das 9h30 em direção a norte para continuar pela raia, passando pelas povoações de Avelanoso, São Martinho da Angueira, Constantim, Ifanes, Aldeia Nova e Vale da Águia. Nesta altura, já tinha entrado no Parque Natural do Douro Internacional e o “canyon” do rio Douro já estava à vista. Uma curiosidade do concelho de Miranda do Douro é que as placas das localidades estão escritas em português e em mirandês.
Cheguei a Miranda do Douro por volta das 12h30, com 60km pedalados. Fiz uma paragem para almoçar e conhecer esta bela cidade que nunca tinha visitado. Gostei particularmente da zona antiga à volta da Sé e fiquei maravilhado com as espetaculares vistas para o Douro. A viagem prosseguiu, cruzando várias aldeias ribeirinhas do rio Douro, como Freixiosa, Cércio, Picote, Sendim e Bemposta. Pelo caminho passei pelas ruínas de antigas de antigas estações do comboio da antiga linha do Sabor, que ligava Miranda do Douro ao Pocinho.
Eram quase 19h00 e já tinha 104 km nas pernas quando entrei na aldeia de Vilarinho de Galegos e ainda não fazia ideia do local onde iria dormir. Ao passar no Parque de Lazer da aldeia, numa antiga escola primária requalificada, não resisti a um mergulho na piscina. Perguntei ao nadador-salvador se podia pernoitar no alpendre da escola…ele falou com o presidente da junta… e a resposta foi positiva. O pior foi o jantar, pois não havia qualquer restaurante nas redondezas e o café da aldeia só vendia bebidas, gelados e aperitivos.
Foi uma etapa comprida, mas sempre em planalto, num percurso ondulado, mas com desníveis poucos acentuados. 6 - Vilarinho de Galegos – Vilar Formoso (122km) Depois de ter pernoitado no alpendre da antiga escola primária, em cima de uma colchonete e dentro de um saco-cama, comecei a pedalar às 8h30 e continuei com o rio Douro por perto, mas só na aldeia de Lagoaça voltei a fazer um desvio para ir espreitar o rio no miradouro da Cruzinha.
Regressei à N221 e depois de alguns quilómetros num sobe e desce suave, desci até à bonita vila de Freixo de Espada à Cinta, onde parei para beber uma coca-cola e comprar comida para o almoço.
De volta à estrada, e depois de subir até um cruzamento, um motard abordou-me e perguntou-me se queria continuar para Barca de Alva pelo caminho mais curto ou pelo mais bonito. Claro que optei pelo caminho mais bonito, seguindo pela estrada do Candedo. E lá fui eu a descer durante vários quilómetros, sem me cruzar com carros ou pessoas ou casas. No fundo do vale virei à direita e mergulhei num espetacular e imponente desfiladeiro, por onde no tempo das chuvas corre a ribeira do Mosteiro - um dos afluentes do Douro - uma verdadeira maravilha da natureza.
De regresso à N 221 voltei a ter a companhia do rio até Barca de Alva, onde depois de um mergulho no Douro, almocei e dormi uma sesta nas sombras do jardim. Continuava bastante calor (35º), mas tive que voltar à estrada e esperava-me uma subida bem comprida. Foram 6km sempre a subir até Escalhão, com algumas paragens nas sombras que íam aparecendo. Parei no café Central, em frente da igreja matriz de traça manuelina, para beber um panaché.
E foram mais 6km, embora com subidas menos acentuadas, até Figueira de Castelo Rodrigo. O próximo destino era Almeida e optei pelas estradas mais perto da raia, passando pelo Convento de Santa Maria de Aguiar e pela barragem com o mesmo nome e continuando por Verrigosa.
Cheguei a Almeida eram quase 19h00, com 110km percorridos. Depois de uma volta por esta bela e peculiar vila-fortaleza, procurei alojamento, mas estava tudo cheio. Disseram-me que só em Vilar Formoso, a cerca de 12km, encontraria local para dormir.
Foi com sol a pôr-se no horizonte, que me pus ao caminho, já com luzes ligadas, depois de ter jantado um bitoque num restaurante em Almeida. Em Vilar Formoso também não foi fácil arranjar dormida. Já sem grandes alternativas, acabei encontrar uma pensão barata, onde pude descansar depois de 122km em cima da bicicleta.
Regresso a casa: No dia seguinte levantei-me cedo para apanhar o autocarro das 7h45 para a Guarda (este autocarro está ao serviço da CP enquanto a linha da Beira Alta estiver em obras), onde apanhei o comboio intercidades para Santarém.
Balanço: Foi mais uma espetacular expedição de descoberta dos encantos de Trás-os-Montes e Alto Douro. Nos primeiros dias pelo Parque de Montesinho, cruzando aldeias remotas, atravessando locais de enorme beleza, onde mergulhamos numa natureza intacta, onde o isolamento e a paz, são um privilégio raro. E fiquei fascinado pelas beleza e grandiosidade das escarpas sobre o rio Douro e a beleza e austeridade do desfiladeiro do rio Mosteiro foram uma descoberta fantástica. Agradeço ao grupo que me acompanhou nas primeiras 4 etapas, pois foi sempre em clima de boa disposição e companheirismo que superámos as muitas dificuldades do percurso.

Trekking nas Dolomitas (Itália) …uma das mais belas montanhas do mundo

O desafio deste verão foi descobrir alguns dos lugares mais incríveis das montanhas Dolomitas, bem no coração de Cortina d'Ampezzo. No...