terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Costa da Andaluzia em bicicleta (Agosto de 2014)


1 - Introdução

Em 2012 iniciámos o projeto “Volta à Península Ibérica em bicicleta”, pedalando durante 8 dias pela costa norte de Espanha desde Irun até Santiago de Compostela, num total de 951kms. Como grande parte deste percurso coincidia com o caminho de Santiago do Norte, decidimos viajar como peregrinos e pernoitar nos albergues e em Ribadeo desviámos para o interior em direção a Santiago de Compostela.
 
Em 2013, continuámos o projeto recomeçando em Ribadeo e durante 9 dias pedalámos pela costa da Galiza até à fronteira com Portugal (760kms) e continuámos pela costa portuguesa até Aveiro, onde apanhámos o comboio de regresso a casa, o que deu um total de 955kms.
Durante os primeiros meses de 2014 pedalámos pela costa portuguesa e na primeira semana de Agosto de 2014 continuámos este projeto pela costa da Andaluzia, de Tavira até Almeria, durante 7 dias, num total de 791 km.
 
 
2 – Andaluzia

A Andaluzia (em espanhol: Andalucía) é uma comunidade autónoma de Espanha localizada na parte meridional do país e a sua capital é a cidade de Sevilha. O seu nome provém de Al-Andalus, nome que os muçulmanos davam à Península Ibérica no século VIII. É uma terra de cultura, história, festas, natureza e boa comida, com monumentos impressionantes e um ambiente natural cheio de contrastes, celebrações populares genuínas e uma gastronomia

3 - As etapas

A costa da Andaluzia tem mais de 900 quilómetros, porém, por razões logísticas começámos em Tavira, onde deixámos o carro e terminámos em Almeria, para poder regressar de comboio.

Etapa 1  - Tavira – Mazágon   (126km)

Viajámos para o Algarve de carro na sexta feira à noite, dia 1 de Agosto e dormimos no sótão da casa de uns amigos em Tavira.
No sábado acordámos cedo, preparámos os alforges, tomámos o pequeno almoço numa pastelaria e iniciámos a viagem por volta das 8h30 com a primeira foto sobre a ponte da ria de Tavira.


O tempo estava fresco e com nuvens e apanhámos alguns pingos de chuva durante os primeiros quilómetros. Seguimos pela N 125, passando por Manta Rota, Altura, Monte Gordo. Em Vila Real de Santo António, depois de 23 km pedalados, atravessámos o rio Guadiana de ferry e eram 11 horas quando chegámos a Ayamonte, onde começou a viagem pela Andaluzia. Seguimos em direção a Huelva, passando por muitos laranjais muito bem tratados. Após 10km virámos em direção a Isla Cristina, onde fizemos uma paragem para comprar comida e almoçar em frente da ria.


Continuámos junto ao mar, pela praia de Isla Antilha, com uma bela e original igreja e muitas vivendas em cima da praia. Entretanto a meteorologia melhorou, o sol apareceu, mas a temperatura continuava amena e o vento favorável.
Atravessámos Cartaya, onde merece destaque o seu castelo, e continuámos por uma estrada ao lado das lagoas de El Portil com ótima vistas para as belas praias.


Entretanto virámos em direção a Huelva e seguimos pela espetacular via verde que segue sempre próximo da ria. Mais à frente passámos por uma lagoa com uma espetacular tonalidade cor de rosa, a fazer lembrar o famoso Lac Rose, onde terminava o rallye Paris-Dakar.


Cruzámo-nos com muita gente a andar a pé e de bicicleta. Depois de atravessar a ponte de Huelva, virámos de novo em direção à costa sempre pela espetacular via verde.

 
À entrada do porto de Huelva passámos junto do monumento em homenagem a Cristóvão Colombo, oferecido pelos Estados Unidos ao povo espanhol. Continuámos pela zona portuária, ao lado de refinarias e depósitos de carvão, e o primeiro dia terminou no camping de Mazágon, muito bem localizado em frente do mar.
Depois de montar as tendas e de tomar um banho, jantámos no restaurante do parque e fomos para a cama por volta da meia-noite.


2º dia - Mazágon – Puerto de Santa Maria (110km)

Acordámos por volta das 8h00 e depois de tudo preparado e de tomado o pequeno-almoço, começámos a pedalar por volta das 9h30, numa ciclovia muito tranquila. Era meio-dia e meio quando passámos por Matalascãnas, onde fizemos uma paragem para dar um mergulho e para comer um gelado. Estava sol, mas a temperatura amena o que era ótimo para pedalar.

 
A partir daqui haviam duas opções:
- pelo interior contornando o Parque Nacional de Doñana, (um território com mais de 100.000 hectares de área protegida, considerada uma das zonas mais valiosas do continente europeu) e pedalar cerca de 150km.
- ou aproveitar a maré baixa e pedalar cerca de 30km pela praia e atravessar de ferry o rio Guadalquivir para a cidade de Sanlúcar de Barrameda.
 

Optámos por ir pela praia e acabou por ser uma experiência espetacular. Foram cerca de 4 horas a pedalar (e com a bicicleta à mão!) por praias desertas. Depois de tirarmos algum ar aos pneus tornou-se bastante mais fácil pedalar na areia e as paragens foram menos frequentes. Apesar de estarmos com sede e com fome, pois só tínhamos almoçado uma melancia, não podíamos parar pois se a maré subisse tornar-se-ia impossível pedalar e iríamos demorar muito mais tempo.
 

Na parte final fomos abordados pela Guarda Civil espanhola, que nos obrigou a uma paragem de cerca de 20 minutos. Pediram-nos a identificação e averiguaram o nosso cadastro.
A travessia para Sanlúcar de Barrameda na desembocadura do rio Guadalquivir foi rápida mas o preço um pouco exagerado…10€ para uma travessia com cerca de 200m. Na outra margem parámos para descansar, tomar um banho na praia e lanchar pão com presunto e melão.
Como já passava das 18h00 e o objetivo era chegar a Puerto de Santa Maria, optámos por seguir pelo caminho mais curto e por isso não passámos pelas praias de Chipiona e Rota. Foi uma etapa dura, pois o pedalar na areia tinha-nos rebentado com as pernas, mas o vento pelas costas foi uma preciosa ajuda.
 
Eram cerca de 21h00 quando chegámos ao camping, mesmo em frente da praia. Depois de montar as tendas e tomar um banho fomos a pé até ao centro de Puerto de Santa Maria onde comemos um delicioso sortido de marisco e umas “cañas”.
Foi uma etapa dura, pela sua extensão (110km), mas principalmente pelo pedalar na areia, pelo que quando caímos na cama adormecemos quase de imediato.
 
3º dia – Puerto Santa Maria – Zahara de los Atunes (99km)

Eram cerca de 9h30 quando iniciámos a 3ª etapa. Tínhamos duas alternativas para chegar a Cádis: por terra ou por mar. Optámos pela travessia em catamaran que nos levou diretamente ao centro desta bela cidade.

 
Pedalámos pelo centro histórico, visitámos a catedral e a fortaleza, passámos pelas praias e à saída comprámos comida e almoçámos à sombra num jardim. Passava das 14horas quando atravessámos a língua de areia de 7kms que nos leva a San Fernando e foi aqui que tivemos o primeiro furo da viagem.


A seguir e para chegar a Chiclana de la Frontera tivemos que pedalar na ponte da autovia, a única hipótese de atravessar o rio.
Um pouco depois, quando estávamos a 10km de Conil de la Frontera, saímos da autoestrada e entrámos num pinhal para “aliviar a tripa”, quando mais uma vez fomos abordados pela Guarda Civil que de novo nos pediu a identificação e nos alertou que aquela era um zona perigosa de droga e prostituição.
Depois de Conil de la Frontera, passámos perto do farol de Trafalgar, e depois tivemos que enfrentar uma enorme subida, e quando olhámos para trás desfrutámos de uma espetacular vista para o farol.

 
No final da subida parámos num parque de lazer para lanchar e depois foi descer até Barbate onde passámos pelas 19h30.
Continuámos em direção a Zahara de los Atunes, numa estrada magnífica, sempre à beira mar, com o vento a ajudar. Passámos por alguns bunkers defensivos do tempo da guerra.
Depois de instalados no camping de Zahara de los Atunes, fomos jantar ao centro da povoação para experimentar a especialidade da região o atum vermelho – uma delícia! Fomos dormir por volta das 23h30.
 
 4ºdia – Zahara de los Atunes – Manilva  (106 km)

Iniciámos esta jornada por volta das 10h00 da manhã e tivémos que nos afastar cerca de 10km para o interior da costa para apanhar a estrada N 340 para Tarifa. Passámos perto das ruínas romanas de Baelo Claudia, junto à praia de Bolónia, mas como era muito a subir, optámos por não ir lá.
 
Alguns quilómetros depois passámos pelo centro da cidade boémia de Tarifa, um dos locais na moda em Espanha, a capital europeia do Windsurf e do Kitesurf, onde fizemos uma paragem para almoçar. 
Estávamos a 18km de Algeciras, mas foi preciso subir bastante e passar dois portos de montanha para desfrutar de belas vistas para o estreito de Gibraltar …e Africa  ali tão perto.
 

Entretanto iniciámos a descida e é fantástica a primeira vista do rochedo de Gibraltar. A temperatura estava muito mais elevada em Algeciras, pelo que fomos obrigados parar num jardim da cidade, beber um refresco e dormir uma sesta no jardim á espera que a temperatura baixasse um pouco.
Regressámos à estrada e durante alguns quilómetros não tivemos alternativa do que circular na autovia para San Roque. A partir daqui continuámos por uma estrada secundária que nos levou ao condomínio de luxo Sottogrande, repleto de grandes vivendas, com enormes jardins. Quando chegámos à praia ficámos deslumbrados com a marina – uma pequena Veneza, onde os canais permitem que os barcos atraquem à porta das vivendas.

 
Eram 20h30 quando chegámos ao camping de Manilva – o mais luxuoso, mas também o mais caro, os três pagámos 56€.
Montámos as tendas e ainda fomos tomar um banho no mar no momento em que o sol se estava a pôr. Foi um mergulho rápido porque a água estava gelada. Jantámos num restaurante na praia próximo do camping.

5º dia –Manilva – Vale do Niza  (132 km)

Antes de levantar o acampamento assistimos a um espetacular nascer do sol no mar.


Depois fomos ao supermercado comprar comida para o pequeno almoço e fomos comer junto à praia.
Iniciámos a viagem e a primeira paragem foi em Estepona onde fomos aos correios enviar postais para casa.
Logo a seguir voltámos à movimentada autovia. Estávamos a 20km de Marbella e a 70 de Málaga.

 
Em Marbella circulámos por uma via verde de terra compacta que se prolonga por vários quilómetros, com muitos restaurantes junto às praias. Fizemos uma paragem para um mergulho e continuámos nesta ecovia.
Mais à frente fizemos uma paragem para almoçar numa pizzaria junto à praia.
Depois voltámos à stressante N-340 sempre com muito trânsito.

 
Próximo de Fuengirola optámos por ir mais perto do mar para mais tranquilidade. Nesta região apanhámos nevoeiro próximo e a temperatura ficou bem mais agradável para pedalar.
É bonita a aproximação do casario branco de Fuengirola, cuja praia é enorme com mais de 4 quilómetros.
Mais à frente outra bela praia Benalmadena, com muito turismo, belas praias e uma das belas marinas da Europa, onde os apartamentos se ligam com a marina, entra-se de carro num lado e no outro estão os iates.

 
Uns quilómetros à frente outra praia muito conhecida – Torremolinos – que nos tempos de estudante era o principal  destino das viagens de finalistas.
Passámos por Málaga uma cidade enorme que se estende por muitos quilómetros até chegar ao centro onde visitámos o centro. Perguntámos por um camping e ficámos a saber que o mais próximo ficava a mais de 20kms.


Já estava a anoitecer pelo que tivemos que nos pôr à estrada. e pudemos desfrutar de um belo pôr do sol, na praias de Málaga. Mais à frente ligámos as luzes e a viagem acabou por ser agradável, pois já havia menos trânsito e o fresco da noite tornou mais agradável com vistas bonitas sobre as cidades e praias iluminadas.
Neste dia fizemos 132km e foi já noite dentro que chegámos ao parque de Vale de Niza.


6º dia – Vale do Niza – Calahonda  (97km)

Passámos na praia de Ayamate e logo a seguir em Torre del Mar, onde parámos para o pequeno almoço. A praia também é muito bonita e a ciclovia muito agradável rodeada de palmeiras e com excelente piso para as bicicletas.

 
Depois passámos na praia de Lagos, por uma estrada bonita e tranquila.
Mais à frente passámos por Nerja uma cidade muito turística, fica numa colina e estende-se por ruelas até ao mar, onde uma das grandes atrações é o miradouro Balcon da Europa, mas como estava nevoeiro não fomos lá.
Continuamos pela N 340  por uma região montanhosa e fartámo-nos de subir  e atravessar o Túnel de Cierro Gordo. Depois de uma descida espetacular chegámos à praia de Herradura, onde parámos para descansar e beber uma “monster”.

 
Continuámos e voltámos a subir mais uma montanha e passámos o túnel de la Punta de la Mona e pudemos desfrutar de uma bela vista sobre Herradura. Descemos para a praia de Almuñecar com o castelo a encimar o casario branco e fizemos uma paragem para almoçar.
 

Depois de mais algumas subidas com vistas espetaculares, descemos até à praia de Salobreña e depois passámos ao largo de Motril. E foi a partir daqui que começámos a apanhar estufas. Continuámos pela costa até Calahonda passando por Torrenueva e Carchuna repleta de estufas que se estendem até ao mar. Como o parque ficava em Carchuna tivemos que andar cerca de 3km para trás.

7 dia - Calahonda – Almeria  121km

Saímos do parque de campismo eram 8h30, atravessámos Calahonda e começámos logo a subir por uma bela estrada de montanha ao lado do mar com vistas espetaculares e espetacular foi a chegada a Castell de Ferro com bonita vista para a praia e para as muitas estufas pela encosta acima.

 
Depois de passar esta praia tranquila voltámos a subir por mais uma espetacular estrada sobranceira ao mar. Em La Rijana fizemos uma paragem para tomar o pequeno almoço e depois descemos para Castillo de Baños e parámos em La Mamola.


 

Uns quilómetros à frente outra paragem na pequena e tranquila praia de Lance de la Virgen para mais um banho no mar. Entretanto chegámos à cidade de Adra, onde almoçamos e dormimos uma sesta.

 
Esta etapa está a ser um dos dias mais bonitos da viagem, por estradas com pouco movimento e sempre junto ao mar com paisagens magníficas.
 
 
Atravessamos Balermo, e continuamos por um extenso areal com praias de um lado e estufas do outro.
A partir de Balermo são vários quilómetros ao lado das estufas até à  muito turística cidade de Almerimar, com aldeamentos, uma marina muito interessante, campos de golfe, etc. Tivemos que voltar um pouco atrás para apanhar a estrada até Roquetas del Mar onde parámos para lanchar e remendar novo furo.


Continuámos no passeio marítimo da bela praia e tomámos mais um banho com a água a uma temperatura ótima.
Logo a seguir a enorme cidade de Aguadulce com uma praia e porto de pesca.

 
Mas para chegar a Almeria faltava percorrer mais uma espetacular estrada com falésias íngremes de um lado e o mar do outro. Imponente e espetacular, com falésias que caiam a pique sobre o mar.


Nesta altura o sol estava a pôr-se por detrás de Aguadulce e as cores do céu eram espetaculares.
O dia foi escurecendo e ligámos as luzes antes de passar 2 túneis  perto de Almeria.


Chegámos a Almeria de noite. Passava das 21h00 e o primeiro objetivo foi procurar a estação dos comboios para comprar bilhetes para conseguir regressar na madrugada seguinte. Por sorte conseguimos 3 bilhetes para as bicicletas (o limite máximo de bicicletas por comboio) para o comboio das 6h15. Como o camping ficava longe, chegámos à conclusão que não valia a pena o trabalho a montar e desmontar acampamento para dormir apenas 4 ou 5 horas.
 
 
A ideia inicial era tomar um banho na praia, mas como já era tarde, tomámos um banho à gato na casa de banho da estação jantámos um McDonalds e fomos descobrir a cidade, visitámos a catedral e o castelo E depois ficámos na avenida das Ramblas à conversa e a ver o pessoal que vinha dos bares… até chegar a hora de ir apanhar o comboio.

 
Regressámos de comboio até Sevilha (6h de viagem com paisagens muito bonitas). Em Sevilha tivemos que esperar algumas horas antes de apanhar o comboio para Huelva. Enquanto esperámos pelo comboio houve tempo para um passeio pela zona histórica.
 
 
E eram 19h quando os nossos amigos de Tavira nos foram buscar a Huelva…
 
 
Balanço

Foi uma semana muito bem passada, em ritmo tranquilo, quase sempre próximo do mar. Passámos por belas praias com águas limpas e  o mar sempre  flat. Quase sempre com excelentes ciclovias junto às praias.
Andámos quase sempre por estrada e algumas vezes tivemos que circular  nas autovias do Mediterrâneo, por ser a única estrada existente…mas era bastante stressante!
Acampámos sempre em parques de campismo junto ao mar e quase todos os dias terminaram com um mergulho no mar junto ao camping.
As bicicletas portaram-se bem… apenas 2 furos e um problema num desviador.
Quanto aos meus companheiros de viagem mais uma vez foram uma excelente companhia. Tomámos empre as decisões de forma consensual e reinou sempre a boa  disposição e o companheirismo



 
Próximas etapas

O projeto volta à península Ibérica em bicicleta irá continuar no próximo ano e o objetivo será pedalar por toda a costa leste, desde Almeria, até chegar aos Pirinéus passando por Cartagena, Alicante, Valência, Terragona, Barcelona… num total de cerca de 1100km.
 
Vítor Milheiro

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Costa da Galiza em bicicleta (Agosto 2013)

                           Costa da Galiza e Minho em bicicleta

3 a 11 de Agosto de 2013

 
 


Etapas

3 Ago
Ribadeo – Foz
36km
4 Ago
Foz – Valdoviño
138 km
5 Ago
Valdoviño - Sada
87km
6 Ago
Sada – Malpica de Bergantinos
95km
7 Ago
Malpica de Bergantinos- Finisterra
94km
8 Ago
Finisterra – Boiro
117km
9 Ago
Boiro – Redondela
110km
10 Ago
Redondela –(La Guarda) – Ofir
134km
11 Ago
Ofir – Porto - Aveiro
144km

                                                                                            TOTAL    955km

INTRODUÇÃO
Em 2012 iniciámos o projeto da Volta à Península Ibérica em bicicleta, pedalando pela costa norte de Espanha desde Irun até Ribadeo, que coincide com o caminho de Santiago do Norte, por isso, em Ribadeo  continuámos até Santiago de Compostela.
Em 2013 o desafio foi recomeçar em Ribadeo e pedalar 760kms pela Costa da Galiza até à fronteira com Portugal. Como ainda tínhamos 2 dias, continuámos até Aveiro onde apanhámos o comboio de regresso a casa, o que deu um total de 955kms.

Etapa 1 Ribadeo – Foz  (36km)
Saímos das Caldas da Rainha por volta das 7h30 da manhã e percorremos de carro os 650km que distam até à cidade de Ribadeo onde chegámos às 16h15 (hora de Espanha).Estamos muito agradecidos ao João e à Anabela que nos deram boleia até ao ponto de partida. Equipámo-nos, montámos os alforges nas bicicletas e começámos a pedalar às 17h00.
 
Foi um percurso tranquilo de 36km até à Foz, quase sempre plano e à beira do mar. Pelo caminho passámos por um antigo viveiro de peixe, por belas e tranquilas praias, envolvidas por campos verdejantes e muitas vivendas sobre o mar.
 
Existe uma espetacular ciclovia que passa pelas várias praias da região, das quais a mais bela e famosa é a praia Las Catedrales, que deve o seu nome turístico à forma peculiar das arribas no lado oriental, cuja forma faz lembrar uma catedral medieval devido aos arcos naturais, os quais só é possível apreciar a pé durante a maré baixa, pois durante a maré alta as grutas e parte dos arcos estão submersos.
 
 Etapa 2   - Foz – Valdoviño  (138km)
Como ontem nos deitámos tarde, hoje só começámos a pedalar pelas 10h00. Continuámos a passar por belas praias encaixadas entre falésias e rochas, como a praia da Areoura.
 
 
Passámos em Nois e em O Vicedo onde comprámos comida numa padaria, pois como era domingo estava tudo fechado. Próximo de Lieiro, passámos por uma grande fábrica de alumínio e por uns viveiros de peixe. Mais à frente na praia de Morás tomámos um banho e almoçámos numa sombra à beira-mar. Depois de passar Ortigueira havia a opção de visitar Estaca de Bares, o cabo mais a norte da península ibérica, mas não fizemos essa opção e continuámos em direção à praia do Porto do Barqueiro.
 
O objetivo era acampar em Cedeira, onde chegámos ao anoitecer. Decidimos jantar primeiro e depois procurar o camping. Mas constatámos que parque de campismo mais próximo ficava a 20 quilómetros, em Valdoviño. Ligámos as luzes e pedalámos mais 1h15 até Valdoviño, onde chegámos pelas 23h00. Montámos acampamento, tomámos um banho e enfiámo-nos na tenda, pois foi um dia muito cansativo. pedalámos 140km  num caminho muito ondulado e com subidas prolongadas... mas também espetaculares descidas.


Etapa 3  - Valdoviño – Sada  (87km)
Começámos a pedalar às 9h00 e voltámos a ter um dia duro com muitas subidas e alguns quilómetros sem ver o mar.  A cidade de Ferrol já se avistava ao longe, mas optámos por seguir pela costa e foi uma boa aposta, pois passámos por locais muito bonitos numa estrada secundária com espetaculares vistas para o mar e via-se La Coruña ao fundo. Foi espetacular a entrada na ria de Ferrol, guardada por duas imponentes fortalezas.
 
Chegámos a Ferrol pelas 15h00 e almoçamos nuna "tasca" da feira medieval, que estava a decorrer no jardim da cidade. Descansámos um pouco e continuámos pela N 651 passando por Pontedeume e por Miño. Quase ao final da tarde começou a chover e quando houve uma aberta procurámos chegar ao parque de campismo mais próximo, que ficava perto da praia de Sada.
 
Etapa 4 – Sada-Malpica de Bergantinos  (95km)
Levantámo-nos cedo, mas tivemos que esperar pelas 9h00, hora a que o rececionista se levantou. O dia acordou cinzento e a ameaçar chuva. Descemos até à cidade de Sada onde comprámos comida e tomámos o pequeno almoço no jardim.
 
Seguimos por Oleiros em direção à Coruña.  Atravessámos a cidade em direção ao centro histórico. Visitámos a Torre de Hércules (sec.II) - o farol  mais antigo do mundo ainda em funcionamento - e passámos pela bela praia da cidade, onde fizemos uma paragem para almoçar.
 
A partir daqui entramos na chamada Costa da Morte, assim chamada devido aos inúmeros naufrágios aqui ocorridos devido à traiçoeira costa rochosa.
 
Saímos da Coruña para oeste em direção às praias e o objetivo era chegar a Malpica de Bergantinos, onde havia um parque de campismo. Foi uma viagem muito agradável, com paisagens magníficas, sempre com o mar ao nosso lado. No fim de cada curva éramos surpreendidos por mais uma bela praia ou uma paisagem grandiosa. Espetacular a vista sobre a península onde fica a povoação e praia de Caión e muito bonitas as praias de Barrañan e de Alvite.
 
 
A seguir à praia de Razo optámos por seguir por um caminho de terra (a ruta dos pinos do mar) , por ser mais perto do mar e foi uma pequena aventura, pois o caminho era muito estreito e acidentado, com silvas e lama nalguns troços e algumas subida realmente duras e prolongadas.  Ficámos com alguns arranhões, mas a paisagem era espetacular. Ao fundo via-se a ilha de Sisarga.
 
Em Buño passámos por uma feira de louça tradicional da região e uns quilómetros depois chegámos à praia de Malpica de Bergantinos, que fica mesmo no final de uma comprida descida,  com prédios altos de cada  lado da estrada que tapam completamente a vista da praia.
 
O sol estava quase a pôr-se quando chegámos à praia de Malpica. Comprámos comida e voltámos a subir, pois o parque de campismo de Sisargas, tranquilo, espaçoso e com muitas sombras, ficava uns quilómetros afastado da cidade. Chegámos ao parque já o sol se tinha posto. No restaurante do parque havia um menú a 7€, pelo que decidimos comer no restaurante e guardar a comida comprada para o dia seguinte. Eram 23h30 quando fomos dormir.

Etapa 5  - Malpica de Bergantinos- Finisterra  (94km)
Depois de um boa noite de sono, apesar de ter caído alguma chuva durante a noite, levantámo-nos e desmontamos o acampamento quando parou de chover. Tomámos o pequeno almoço no parque, pois tínhamos comida do dia anterior. Durante a manhã, por causa da chuva tivemos que nos abrigar várias vezes, o que atrasou um pouco a viagem.
 
Optámos por estradas secundárias até Ponteceso e daí continuámos junto à costa até Laxe. É uma costa muito montanhosa e recortada, que de vez em quando nos surpreende com mais uma bonita e  tranquila praia. Em Ponte do Porto fizemos uma paragem para almoçar.


Dali seguimos em direção a Muxia, vila situada numa língua de terra que entra pelo mar e que é local de passagem obrigatória para os peregrinos de Santiago que culminam o caminho em Finisterra. De entre os edifícios religiosos, o mais conhecido é o Santuário da Virgem da Barca, local de peregrinação desde o século XI e que atualmente, durante a Romaria da Barca, combina celebrações religiosas e pagãs.



Continuámos por estradas tranquilas e com belas paisagens,  que de vez em quando nos deixavam ver o mar.

 
Passámos perto do cabo de Touriñan, que dizem ser um dos mais bonitos da Costa da Morte. Ao fim da tarde chegámos a Cee e descemos até à praia e porto de Corcubión que dá nome ao estuário que nos acompanha até ao cabo Finisterra. Ainda faltavam 7km para o parque de campismo, que ficava à frente de uma bela praia, na estrada entre Corcubión e Finisterra, onde chegámos ao pôr-do-sol. A visita a Finisterra ficaria para o dia seguinte.


Etapa 6  - Finisterra – Boiro  (117km)
O dia amanheceu com sol e o céu limpo. Saímos do parque às 9h20 em direção ao cabo Finisterra, sempre ao lado do mar e passando por belas praias. Em Finisterra visitámos o farol e alguns locais de grande simbolismo para os peregrinos de Santiago, como a “bota do peregrino” e o local onde os peregrinos queimam objetos que transportaram durante o caminho de Santiago. Comprámos algumas lembranças e regressámos a Corcubión pelo mesmo caminho.
 
Continuámos à beira mar, sempre com belas paisagens e o mar sempre ao nosso lado.  Muito bonita a praia de Vouga. Pedalámos mais 40km até Muros, onde parámos para almoçar num jardim e estivemos à conversa com um velho peregrino com um ar muito hippie, que nos falou das suas peregrinações a santiago e que era muito crítico em relação à excessiva comercialização dos Caminhos de Santigo.
 
E a viagem continuou, sempre com vistas fantásticas que nos faziam esquecer as subidas e os quilómetros percorridos. Ao longe ainda se avistava o cabo Finisterra, até que virámos para sul em direção a Muros.
 
Ainda passámos pela praia de Carivota e em Noia deixámos a costa e atalhámos para o interior em direção a Boiro onde chegámos ao final do dia, ainda a tempo dar um salto à praia para um mergulho. Jantámos uns hamburgers e uns pimentos de Padrón no restaurante do parque de campismo.


 
Etapa 7 Boiro – Redondela  (110km)
Saímos do camping em direção a Rianxo e andámos alguns quilómetros afastados da costa até chegarmos à entrada da Ria de Arousa. A ria de Arousa tem uma forte ligação às peregrinações de Santiago, pois de acordo com a lenda, foi por aqui que entrou a barca que levava os restos mortais do apóstolo Tiago em direção a Padrón.
 
 Da ponte sobre o rio Ulla avistam-se as ruínas de um antigo castelo Viking e as réplicas de alguns barcos vikings. Continuámos até à Vila Garcia de Arousa, sempre à beira da ria. Em Vila Nova de Arousa, comprámos comida e fomos para a praia que fica em frente da ilha de Arousa, onde depois de um banho, almoçámos e dormimos a sesta.
 
Depois seguimos até Cambados e daí até à muito movimentada praia de Sanxenxo, com muitas praias de água transparente e a costa repleta de vivendas debruçadas sobre o mar.
 
Uns quilómetros à frente e numa praia mais tranquila fizémos uma paragem para tomar mais uma banhoca e descansar, pois estava muito calor. Estávamos a 15 quilómetros de Pontevedra e foi num ápice que lá chegámos. Visitámos o centro histórico e tomámos uma bebida numa esplanada. Mas como o objetivo era chegar a Redondela, apanhámos a N 505, passámos por Arcade e chegámos ao parque de campismo pouco antes do pôr do sol, ainda tempo de tomar um banho na ria de Vigo, mesmo em frente da ilha de San Simon.
 
Etapa 8 - Redondela –(La Guarda) – Ofir
Desmontámos acampamento e tomámos o pequeno almoço no centro de Redondela. E seguimos em direção a Vigo. A estrada tem vistas magníficas sobre a ria. 
 
Atravessámos a cidade de Vigo e na zona ribeirinha estava a decorrer um festival de skate e BMX. Continuámos junto às praias que às 10h da manhã já estavam apinhadas de gente. Mais à frente apanhámos a ciclovia que passa pela baía de Tiguan e continua até Baiona.
 
Em Baiona fizemos uma paragem para comprar umas deliciosas empadas e almoçámos mesmo em frente ao mar. Depois continuámos sempre à beira mar pela espetacular ciclovia que liga Vigo até La Guarda. Descemos até à estação dos ferry, à beira do rio Minho. Enquanto esperávamos pelo ferry  bebemos uma coca-cola e comemos umas uvas. Ao passar a fronteira, terminava a viagem pela costa da Galiza, durante a qual pedalámos 760kms.
 
Entrámos em Portugal pelas 17h00 e pedalámos até à praia da Foz. Depois atravessámos a mata em direção à praia do Moledo, onde parámos para um mergulho. Continuámos por um caminho de terra à beira mar  que nos levou até Vila Praia de Âncora, onde apanhámos a N 13 em direção a Viana do Castelo. Depois de uma breve visita à cidade, atravessámos a ponte Eiffel e continuámos com destino a Ofir onde ficava o parque de campismo onde pretendíamos ficar. A determinada altura aproximámo-nos de 2 ciclistas de estrada que nos quiseram “despejar”, o que motivou um interessante despique durante vários quilómetros (apesar de já termos 120kms nas pernas e o peso das nossas bicicletas rondar os 25kg) a rolarmos a mais de 30km/h ...e não nos conseguiram fazer descolar. Chegados ao parque, montámos acampamento e jantámos uns deliciosos secretos de porco preto num restaurante mesmo em frente do parque de campismo.
 
Etapa 9  - Ofir – (Porto) – Aveiro  (144km)
Tomámos o pequeno almoço no bar do parque de campismo, enquanto esperávamos pela hora de abertura da receção. Tentámos pedalar junto à costa, mas as estradas eram todas em paralelo e com muita trepidação, pelo que voltámos à N 13. Só perto da Póvoa do Varzim voltámos a apanhar uma  excelente ciclovia. A praia da Póvoa é enorme e como era domingo, havia muita gente na praia e a caminhar ou andar de bicicleta no "calçadão". A partir de Vila do Conde acabou-se a ciclovia e voltámos à N 13 em direção a Matosinhos, onde almoçámos umas deliciosas sardinhas assadas.
 
 Atravessámos Leixões e a caminho da Foz do Douro voltaram as ciclovias à beira-mar. Entrámos no rio Douro, passámos pela Ribeira do Porto repleta de turistas e atravessámos o tabuleiro inferior da ponte D. Luís até Vila Nova de Gaia, que tem espetaculares vistas para a cidade do Porto.
 
Acompanhámos o rio Douro  até à foz durante cerca de 5km e partir daqui foram 20km de ciclovias espetaculares até Espinho. Próximo desta cidade pedalámos alguns quilómetros num passadiço de madeira. A partir de Espinho o objetivo era chegar a Aveiro a tempo de apanhar o comboio regional com destino a Santarém, onde estava a nossa boleia para casa.
 
Balanço
Foi uma viagem espetacular em todos os aspetos. A paisagem é deslumbrante, as praias magníficas, algumas muito tranquilas. Visitámos grandes cidades como Ribadeo, Ferrol, Corunha, Pontevedra e Vigo. No que se refere às dormidas acampámos sempre, mas no norte da Galiza existe uma menor oferta de parques de campismo, o que condiciona os locais de fim de etapa.
 
Em relação às refeições, só à noite jantávamos em restaurante. Durante o dia comprávamos comida em supermercados e comíamos tranquilamente em jardins ou junto às praias. Os meus companheiros de viagem foram espetaculares. Reinou sempre a boa disposição e um perfeito entendimento em relação  a todos os aspetos, mesmo nos momentos de algum stress ou de maior cansaço. E as bicicletas também se portaram muito bem, pois não se registaram quaisquer avarias.
 
Próximas etapas
O projeto Volta à península Ibérica  vai continuar no próximo Outono. Em Outubro, iremos pedalar entre  Espinho e Caldas da Rainha (240km), atravessando a ria de Aveiro em S. Jacinto. E no Carnaval ou na Páscoa iremos concluir a costa de prata e continuar pela costa alentejana e  algarvia.
 
Vítor Milheiro
 

 
 

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