domingo, 16 de outubro de 2011

Via da Prata e Caminho Francês (Ago 2011)


O Caminho Francés ou a rota das estrelas, é o Caminho de Santiago por excelência. È uma rota milenar, com quase 800 km, que partindo de Saint Jean Pied de Port, se dirige para Oeste sempre acompanhado pela Via Láctea. Passa por grandes cidades, como Pamplona, Burgos, Léon, Astorga, Ponferrada, Sarria, Melide e por muitas aldeias. É muito rico em termos paisagísticos, históricos e culturais. Era pelas estrelas que se guiavam os peregrinos da Idade Média. Nessa altura viviam de esmolas e do que apanhavam nos campos.

A Via da Prata é um percurso de cerca de 700 km que começa em Sevilha e segue para norte. Passa em grandes cidades, como Cáceres, Salamanca, Zamora, Benavente. Em Granja de Moreruela, os peregrinos têm duas opções, continuar para Norte em direcção a Astorga e apanhar o Caminho Francês, ou virar à esquerda e continuar pelo Caminho Sanabrês até Santiago de Compostela. Trata-se de um caminho milenário que foi construído durante o império romano, com fins militares e para facilitar a administração do império.
Ainda hoje existem muitos vestígios romanos (pontes, miliários, calçadas, etc.).
O nome “plata” nada tem a ver com o metal precioso, mas tem origem na palavra árabe “balaath” que significa pavimento empedrado.

Viagem Lisboa – Salamanca (de comboio) Ter 9 Agosto 2011

Este dia foi para viajar de Lisboa até Salamanca. O comboio SudExpress saiu de Santa Apolónia ás 16h30 e chegou a Salamanca ás 00h30 (hora espanhola). Tive que viajar em carruagem cama, pois os lugares sentados estavam esgotados. Levei a bicicleta numa caixa e foi fácil arrumá-la por cima dos beliches.

A aproximação à cidade de Salamanca é bonita, com o comboio a contornar uma parte da cidade, sempre com excelentes vistas da catedral iluminada.
Saí da estação e tive que montar a bicicleta (guiador, pedais, rodas e suporte de bagagem). Como faltavam dois parafusos para o encaixe do suporte, tive que improvisar com fitas até ao dia seguinte.

Era quase 1h30 da manhã e faltava arranjar sítio para dormir. Pedi um mapa na estação e fui à procura dum parque de campismo. Desci até ao rio Tormes, atravessei a ponte e ainda pedalei uns 4km até chegar ao parque de campismo “Régio”. Não havia portões, nem ninguém à porta. Montei a tenda e dormi lindamente, mas tive que vestir mais uma camisola, pois a noite estava fria (14º). No dia seguinte, saí do parque da mesma forma que entrei…ninguém deu pela minha presença.

Etapas
1ª etapa - 10 Ago Salamanca-Riego del Camiño (121km - 7h14)
2ª etapa - 11 Ago Riego del Camiño–Sta Catalina Samoza (122km - 7h01)
3ª etapa - 12 Ago Sta Catalina Samoza–Triacastela .....(125km - 8h04)
4ª etapa - 13 Ago Triacastela–Arzua (109km - 8h43)
5ª etapa - 14 Ago Arzua-Santiago (41km - 2h51)
TOTAIS 518Km - 35h53

1ª etapa - Qua 10 Ago 2011 - Salamanca – Riego del Camiño
(121km - 7h14)

Depois de sair do parque de campismo, por volta das 8h30, fui à procura de uma loja de ferragens. Alguns quilómetros à frente, passei por um Leroy Merlin. Mas tive que esperar pela hora de abertura (10h). Depois de comprar os parafusos e fixar bem o suporte, pude prosseguir viagem.


Entrei em Salamanca pela bela ponte romana (interdita a carros), visitei a Catedral e fui buscar a Credencial do Peregrino à “Casa da Iglésia”. Voltei à Catedral para o primeiro carimbo da peregrinação.
Com todas estas voltas, já eram 11h30, já tinha pedalado mais de 10km e ainda não tinha saído de Salamanca.
Passei na espetacular “Plaza Mayor” e finalmente sai de Salamanca, pela “calle Zamora” e continuei sempre em frente até à Praça de Touros”, onde comecei a apanhar sinalização do caminho. A primeira parte do caminho não é muito interessante e decorre sempre paralelo à N-630. Como não reparei na indicação de viragem para Aldeiaseca de Armuna, continuei pela N-630. Virei mais à frente para passar em Castellanos de Viliquera e fiz a primeira paragem para comer uma tortilha e uma coca-cola em Calzada de Valdunciel. Aproveitei também para apertar melhor o guiador.
A partir desta aldeia foram cerca de 20km sem passar em qualquer povoação e por isso sem qualquer possibilidade de abastecimento. O caminho segue sempre ondulado ao lado da N-630. O piso é de saibro grosso, com muito seixo solto, o que juntamente com o calor torna a viagem lenta e desgastante.

Cheguei a Cubo de la Tierra del Viño ás 14h, já sem água, pelo que bebi outra coca-cola e comprei uma garrafa de água.
A partir daqui o caminho afasta-se da N-630 e torna-se mais interessante, mais variado, com melhor piso e com algumas descidas divertidas. Até Zamora são grandes extensões abertas e amplos horizontes… sem sombras.
Na aproximação de Vilanueva de Campeán passei por vários miliários (modernos). Entretanto já se via Zamora lá bem ao fundo, continuava muito calor e eram muitos kms sem qualquer sombra.

Quando cheguei a Zamora, na margem esquerda do rio Douro, dei uns mergulhos na praia fluvial, que tem excelente vista para a Catedral do outro lado do rio. A água estava um espectáculo. Atravessei a ponte medieval, de onde se podem ver as ruínas da velha ponte romana. Visitei a zona antiga, a catedral, o castelo e a Igreja da Madalena e procurei a saída, pois já passava das 18h30 e ainda estava a cerca de 30km do destino.
Como estava de novo com fome fiz uma paragem à saída de Zamora, para beber uma imperial e comer outra tortilha.
Depois de retomar a viagem, passei por um supermercado e pensei que talvez fosse melhor comprar comida para o jantar e pequeno almoço do dia seguinte, pois a localidade de destino era uma pequena aldeia. Ainda bem que o fiz, pois se não tivesse transportado mais 3 kg de comida, durante 30km, teria ficado enrascado.
Ainda fiz uma paragem em Montamarta, junto á barragem de Riobayo, para mais uma imperial e umas tapas de polvo.
Logo a seguir o caminho levava-nos a contornar a barragem e ao longe viam-se as ruínas do castelo de Castrotorafe. E foi neste belo cenário e ao pôr do sol que furei … em 3 lados, pelo que tive que substituir a câmara de ar.

Como eram quase 21h e o sol já se estava a esconder no horizonte, fiz os restantes quilómetros pela estrada N-630.
Já passava das 21h30 quando cheguei ao albergue de Riego del Camiño, onde estavam apenas 2 peregrinos. Fiquei sozinho num quarto para estar mais à vontade, fugir dos roncadores e também porque no dia seguinte eles iria sair mais cedo do que eu.
Telefonei para casa, tomei uma banho delicioso e finalmente jantei … escrevi o diário e fui dormir.

2ª etapa - qui 11 Agosto 2011 Riego del Camiño – Sta Catalina Somoza
(122km – 7h01)


Acordei às 7h30 e comecei a pedalar às 8h30. A manhã estava fresca e até Benavente não senti os efeitos do calor.
Rapidamente cheguei a Granja de Moreruela, onde o caminho bifurca para Astorga ou para Sanábria. A partir daqui foi pedalar a bom ritmo nuns estradões com bom piso. O livro falava de uma ponte de ferro, mas as setas mandaram-me para norte, passei por cima da auto-estrada e só depois virei à esquerda para Benavente. A estrada secundária era muito agradável e passei por mais uma bela ponte romana.
Em Benavente fiz a primeira paragem num jardim. Era dia de feira e comprei umas laranjas, que comi enquanto descansava deitado na relva do jardim.

Foi complicado sair da cidade, por não haver sinalização dentro das localidades e porque era dia de feira.
Entre Benavente e Vilabrazaro, foi sempre a pedalar bem, pois a estrada era de bom piso e sem tráfego.
Em Alija do Infantado, povoação muito interessante, fiz uma visita á fonte termal, onde enchi os cantis com uma água fresca e muito saborosa e visitei a parte antiga, onde ficam as grutas que os habitantes usam para conservar o vinho e outros alimentos.

A partir daqui foram muitos quilómetros, sempre na margem direita do rio Orbigo.
Gostei muito de La Bañeza, onde passei em plena hora do calor e onde parei numa esplanada par descansar e beber uma coca-cola.
Passei noutra ponte romana, a ponte de la Vizana, onde estavam jovens a tomar banho… e apeteceu-me fazer o mesmo.

Mas alguns minutos voltei ao caminho, debaixo de um enorme calor. A estrada era de bom piso e atravessava um campo de azinheiras. Já próximo de Astorga, passei noutra ponte romana, que é o que resta da antiga estrada romana da via da Prata. Entretanto, ao fundo já se avistava a cidade de Astorga.
Com a chegada á bela cidade de Astorga, termina a via da Prata e terminam as enormes planícies sem sombras e com um sol escaldante. A partir daqui a nossa viagem continuou pelo caminho francês. A sinalização melhorou substancialmente.

Comprei uns bolos e um sumo natural e estive a descansar em frente do Paço Episcopal - bela obra de Gaudi, onde tirei umas fotos. Comprei umas lembranças.
Já eram 19h30 e eu já pedalava desde as 8h40.
Ainda faltavam cerca de 11km para o meu destino, a aldeia de Santa Catalina de Somoza. A primeira parte foi rápida, mas nos últimos quilómetros o caminho foi subindo progressivamente. Eu sentia a bicicleta pesada, mas não me apercebia que estava a subir. Pensei que já era falta de força depois de tantas horas a pedalar, mas estava mesmo a subir. Em Santa Catalina de Somoza, arranjei logo albergue à entrada da aldeia (6€) e foi lá que jantei uma deliciosa carne estufada regada com duas imperiais.



3ª etapa – 12 Agosto Santa Catalina de Somoza -Triacastela
(125km - 8h04)

Hoje foi o dia em que saí mais cedo. Eram 8h10 e já estava a pedalar. O objectivo era fazer as duas maiores subidas do caminho francês.

Como não tinha fome, andei alguns quilómetros, até parar em El Ganso onde tomei o pequeno almoço.

Durante toda a manhã fui passando por algumas centenas de peregrinos. Como o caminho segue paralelo à estrada, optei por pedalar na estrada, porque o piso era melhor e também porque havia imensos peregrinos no caminho e era preciso estar sempre a avisar “bici”.
Já estavam acima dos 1000m e foi sempre a subir até aos 1500m. Passou um grupo de espanhóis por mim, ainda tive a tentação de ir com eles, mas optei por ir no meu ritmo, pois ainda estava no início da jornada.
É uma subida muito dura, mas a chegada à Cruz de Ferro, um dos locais mais míticos do caminho francês, é sempre muito emocionante. É um local bonito, onde de acordo com a tradição cada peregrino deve depositar uma pedra trazida de casa, que deve ter um peso equivalente aos seus pecados!

A partir daqui foram 20km de descida estonteante até Molinaseca por vezes a velocidades superiores aos 60km/h.
Atravessamos a bela aldeia de El Acebo e a descida continuou até Molinaseca, uma vila muito bonita, com uma aprazível praça junto à ponte romana e com uma enorme oferta de restaurantes, bares e residenciais. Fiz uma paragem para descansar e comi um bocadillo e uma coca-cola.

Á saída de Molinaseca encontra-se o albergue municipal que tem um excelente aspecto, com a particularidade de ter algumas camas montadas no alpendre.

A passagem por Ponferrada, uma grande cidade, de grande importância industrial, foi muito tranquila. Comprei umas lembranças junto ao majestoso castelo dos Templários e numa loja com saldos, aproveitei para comprar uns lençóis baratos (6€) para substituir o saco-cama que era demasiado quente.

A partir de Ponferrada o caminho continua por estradas de alcatrão planas e tranquilas até Cacabelos. Aqui almocei uma pizza e 2 cañas. Nesta altura já tinha feito 62km e era 13h50.
Á saída de Cacabelos, fica o albergue municipal, construído em redor do adro da Igreja da Virgem das Angustias, com cabines duplas (4€).

A povoação seguinte é Vila Franca del Bierzo. A partir daqui o caminho é praticamente plano, ao lado do rio Valcarce e da Estrada Nacional. Para segurança dos peregrinos foi construída um passeio pedonal com um separador em betão.
Estava imenso calor e o que ía valendo eram as sombras das árvores do lado esquerdo. Em Vega de Valcarce comprei umas bananas e comi um gelado. Um pouco mais à frente, as setas indicam a descida para Las Herrerias, uma aldeia verdejante, mesmo no fundo do vale, com vacas a pastar e um ribeiro a correr. Estava a 725 m de altitude e o alto do Cebreiro a 1340m. À saída de Las Herrerias, as setas mandam os ciclistas pelo alcatrão, enquanto os peregrinos a pé vão pela esquerda, por um trilho de montanha inacessível a ciclistas.
A partir daqui é sempre a subir. São cerca de 11km, sempre com inclinações a rondar os 10%. Demorei mais de 2 horas a chegar ao alto. O sol não dava tréguas, continuava acima dos 30 graus, não havia sombras e meu conta-quilómetros marcava 6-7 km hora. Tive que fazer várias paragens, para recuperar. A determinada altura da subida havia duas opções e eu fui pela recomendada para ciclistas, a que passava por La Laguna de Castilla, a última povoação da província de León. A partir do Cebreiro entramos na província da Galiza e o caminho passa a estar marcado com marcos de 500 em 500m, indicando a distância que falta para Santiago. A subida é duríssima, mas a paisagem é magnífica.

Foi com emoção e alívio que cheguei ao Cebreiro, um local muito bonito e um dos mais emblemáticos do caminho francês. Foi aqui que foi construído o primeiro albergue de peregrinos, no ano 836. Existem também, bares, lojas de lembranças e cabanas celtas em perfeito estado de conservação.

O Cebreiro é também conhecido pelo “milagre do cálice”. De acordo com a lenda, no ano 1300 durante a missa, um monge que levava a cabo a celebração da missa, mas fazendo-a com pouca fé, e depreciando o sacrifício dum camponês, a única pessoa presente, quando lhe estava a dar a hóstia, esta transfornou-se em carne e o vinho em sangue. O cálice do milagre ainda existe é a mais valiosa relíquia da igreja pré românica de “Santa Maria la Real”, que tem quase 1000 anos (ano 1072).
O camponês devoto e o incrédulo celebrante estão sepultados na Capela dos Milagres no Cebreiro.
Consta que a rainha Santa Isabel, no ano de 1488, quando regressava da peregrinação a Santiago, quis levar o cálice para um local mais seguro. Mas poucos quilómetros à frente, os cavalos recusaram-se a continuar. A rainha entendeu isto com um sinal divino de que o cálice deveria permanecer no Cebreiro.
Depois de saborear esta passagem pelo Cebreiro, e porque o sol ainda estava alto, e pensando eu que a partir daqui era sempre a descer, decidi prosseguir e continuar mais alguns quilómetros.
Mas ainda haviam algumas subidas e depois de descer, tive que voltar a subir para o Alto do Poio (1355m), o mais alto local do caminho na Galiza.
Fui pedalando, atento a algum albergue. Encontrei apenas algumas casas de turismo rural, pelo que decidi continuar até Triacastela. Para terminar o dia em beleza, voltei a desfrutar de mais uma descida espectacular até Triacastela, dos 1355m até aos 735m. Aqui uns peregrinos disseram-me que os albergues estavam todos cheios, e que a única alternativa era acampar nos relvados em redor do albergue municipal. Era mesmo o que eu queria, pois nas noites anteriores não dormi lá muito bem, pelo calor e pelos roncadores. Montei a tenda num sítio sossegado próximo da tenda de outra família que também estava a fazer o caminho de bicicleta e com um atrelado “bob”. Paguei 5€ para poder usar os balneários.

E para acabar o dia em beleza e para repor as calorias gastas, nada melhor do que jantar um menu do peregrino (salada mista, ovos mexidos com batatas fritas e uma caña).

5º dia – 12 Agosto 2011 - Triacastela - Arzua
(109 km - 8h43)


Esta noite acampei em Triacastela e apesar de o colchão não ser o melhor, dormi bem, sem calor e sem roncadores.
Quando acordei estavam 9 graus e comecei a pedalar por volta das 8h30. Estava mesmo frio.
O caminho até Samos é espectacular, tranquilo, com muitas sombras, com uns riachos nos prados verdejantes. Convida a pedalar nas calmas.
A descida para Samos, com vistas espectaculares sobre o imponente mosteiro, é imperdível. Foi aqui, numa esplanada em frente ao mosteiro que tomei o pequeno almoço.

Continuei e os trilhos são espectaculares, com muitas sombras e prados verdejantes, a lembrar o caminho português.
Muitas vacas a pastar e muito cheiro a bosta pelas aldeias por onde passava.
Depois de Sarria, apanhei algumas subidas, o caminho é mais ondulado, mas sempre tranquilo e com sombras.
Em Ferrarias parei para almoçar uns ovos com chouriço e batatas fritas e uma caña. E tive a companhia de um peregrino muito conversador, que estava a fazer o caminho francês pela 7ª vez, desta vez acompanhado pela esposa.

Já estava perto de Portomarin, povoação muito bonita, na margem direita do rio Minho, em que se destaca a Igreja Fortaleza.

Depois de ter descansado um pouco no jardim de Portomarin, carimbei a credencial, tirei umas fotos e continuei o caminho.

Estava muito calor e era a subir, pelo que optei por ir por terra, onde haviam mais sombras e os caminhos eram mais agradáveis.
Passei em Ligonde, e enchi os cantis com água fresca da fonte do peregrino.
Uns quilómetros depois de Palas del Rei, falhei uma indicação e andei algum tempo perdido. Optei por avançar e tentar retomar o caminho mais à frente. Tive que perguntar pelo caminho para Melide e só voltei a encontrar setas amarelas em Coto, a primeira aldeia da Coruña. Aqui reecontrei um restaurante onde tinha almoçado em 2007, da primeira vez que fiz o caminho francês.
Entretanto, com o fresco do entardecer, foi óptimo pedalar tranquilamente… mas ainda tive umas subidas boas até chegar a Melide.

Melide é uma grande vila, e aproveitei para ir a um supermercado comprar comida.
Como me estava a saber bem pedalar com o fresco, continuei até Arzua, para ficar mais perto de Santiago. Ainda parei no pitoresco albergue de Ribadiso, que fica mesmo á beira dum rio e rodeado de árvores. O albergue estava cheio, ma disseram-me que em Arzua podia pernoitar no pavilhão municipal. Foi o que fiz, pedalei mais 3km até Arzua, instalei-me no pavilhão, em cima duns colchões de ginástica, tomei um banho e jantei.


6º dia – 14 Agosto 2011 - Arzua – Santiago de Compostela
(41km – 2h 51)

Depois de uma noite bem dormida num confortável colchão no Pavilhão Municipal de Arzua, levantei-me cedo e antes das 8h30 já estava a pedalar.
Como tinha comida, tomei o pequeno almoço no pavilhão.

O dia amanheceu fresco, com nevoeiro e chuva miudinha. Havia muita gente no caminho e notava-se que o passo era mais apressado, pois todos queriam chegar a Santiago neste dia. Passei por alguns belos trilhos de floresta, fiz algumas paragens para carimbar a credencial de peregrino e estive mais algum tempo junto à Capela do Monte do Gozo, onde tirei as últimas fotos antes de chegar a Santiago.

O dia continuava chuvoso, mas era chuva miudinha e não incomodava a progressão. Desci do Monte do Gozo, atravessei a parte alta da cidade de Santiago e cheguei à zona antiga por volta das 11h. Como era domingo, a praça do Obradoiro, assim como as ruelas que lá vão desembocar, estavam repletas de peregrinos e turistas.
Apesar de não ser a primeira vez, a chegada à catedral de Santiago é sempre emocionante. Foi a primeira vez que cheguei a Santiago a tempo de assistir à missa do peregrino.

Pedi para me tirarem uma foto à chegada e fui à oficina do peregrino, buscar a minha 9ª “Compostela”, a segunda pelo caminho francês. Esperei pela minha esposa para juntos assistirmos à missa do peregrino, que ocorre todos os dias ao meio-dia. A catedral estava completamente cheia e ambiente é único.

Depois da missa já chovia com mais intensidade em Santiago, comprámos umas lembranças, e comemos umas tapas numa esplanada da zona antiga.
Montei as barras no carro que estava no estacionamento subterrâneo, e só depois de ele sair é que pude montar a bicicleta.

Balanço final
Correu tudo muito bem. A bicicleta esteve impecável, apenas um furo a registar
Os caminhos da Via da Prata são bons e tranquilos, com poucas subidas e enormes rectas pelo meio de campos de restolho de trigo. Mas as poucas sombras e o calor tornam este caminho desgastante e monótono. É raro ver um peregrino. Em 2 dias e 220km apenas passei por 5 peregrinos.

As cidades de Salamanca, Zamora e Benavente são espectaculares e merecem que se gaste algum tempo, nas ruelas e a visitar os monumentos. O banho que tomei no rio Douro, em Zamora, foi um dos bons momentos desta viagem.
No caminho francês adorei os caminhos, sempre agradáveis e variados, com sombras e com bom piso. Achei fantástico a quantidade de peregrinos pelos quais fui passando e com quem fui conversando ou simplesmente cumprimentando.
Os peregrinos têm de uma maneira geral um comportamento impecável e respondem com um sorriso à saudação de “bom camiño”
Existe uma enorme oferta de albergues privados ou municipais e quartos a preços razoáveis. Há também muitos bares e restaurantes, com menú do peregrino a preços a rondar os 8€.
Foi um boa experiência fazer os caminhos sozinho, pois tive mais tempo para estar concentrado nos meus pensamentos e senti-me completamente livre, para fazer o “meu” caminho, à minha maneira e no meu ritmo.
E passei em locais muitos bonitos – Zamora, Astorga, Cruz de Ferro, El Acebo, Molinaseca, Samos, Cebreiro, etc.

Espectacular.

Vitor Milheiro

sábado, 29 de janeiro de 2011

Expedição Atlas - Toubkal (Abr 2007)





Toubkal Páscoa 2007
Na semana que se seguiu à Páscoa, um grupo de alunos, antigos alunos e professores do Curso de Desporto de Natureza e Turismo Activo da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, realizou uma expedição de montanhismo ao cume do Thoubkal, o ponto mais alto da Africa do Norte, que fica situado na cordilheira do Alto Atlas em Marrocos e tem uma altitude de 4167m.. Entre os 11 montanhistas estavam 3 caldenses – Luís Carvalhinho, Henrique Frazão e Vitor Milheiro

Foi uma semana espectacular em que passámos por locais maravilhosos e paisagens deslumbrantes.

O primeiro momento alucinante foi a travessia da cidade de Marrakech, com um trânsito infernal em que nos cruzamentos avançam todos ao mesmo tempo.

Após dois dias de viagem, junto à costa, já o sol estava escondido por detrás de montanhas, quando chegámos ao refúgio de montanha de Imlil, que fica a 1720m.

O 3º dia foi o dia em que subimos ao refúgio de Nelter, que fica a 3207m. Foi uma caminhada de quase 6 horas (16km), muito agradável, sempre á beira de um rio, num vale rodeado por montanhas com mais de 3000m. Alugámos 3 mulas para nos levarem o equipamento de montanhismo e a comida para 3 dias.

Quando chegamos ao refúgio começou a nevar e continuou durante toda a noite.
No dia seguinte estava tudo coberto de neve e foi o dia da subida ao cume do Thoubkal, mas as condições climatéricas não estavam nada favoráveis.
Como estávamos todos motivados e determinados em ir lá cima, às 6h da manhã fomos os primeiros a sair do refúgio em direcção ao cume. No início a visibilidade estava boa e até o sol deu uma espreitadela.
Ainda deu para tirar algumas fotos, mas à medida que fomos subindo o vento começou a soprar cada vez com mais força, com rajadas que nos lançavam partículas de gelo a grande velocidade. As rajadas de vento e a falta de visibilidade obrigavam a um andamento mais lento, o que fez com que alguns elementos do grupo começassem a sentir muito frio.

Com aquelas condições havia muitos riscos; quedas, hipotermia ou alguém perder-se do grupo e não encontrar o caminho de regresso. Lembrámo-nos das palavras sábias do João Garcia - o objectivo só está atingido quando subimos e descemos em segurança.
O líder da expedição, Luís Carvalhinho, acabou por tomar a sensata decisão de abortar a subida e fazer descer todo o grupo para o refúgio. Foi uma decisão que deixou alguma frustação, pois estávamos a apenas 300m do cume. Mas valeu pela fantástica e inesquecível experiência de alta montanha.

Chegados ao refúgio, e como as previsões para o dia seguinte eram também de mau tempo, decidimos vir embora. Depois de almoçar, arrumámos as mochilas, carregámos as mulas e regressámos a Imlil, onde tomamos o primeiro banho quente em 4 dias!

Como tínhamos 3 dias para voltar a casa, optámos por regressar pelo interior de Marrocos… e fomos recompensados com um tempo magnífico, paisagens deslumbrantes, aldeias lindas e um povo simpático e hospitaleiro.

A beleza e monumentalidade da travessia do Atlas deixou toda a gente sem palavras. As cores, os contrastes e a luminosidade das paisagens são espectaculares, A seguir a cada curva havia sempre um motivo novo para tirar mais uma bela fotografia. Pelo caminho muita gente a vender pedras preciosas e fosséis.
Parámos em Ouarzazate - a cidade do cinema marroquino - onde almoçamos, visitámos a Medina (cidade antiga) e fizemos as últimas compras.

Continuámos até Errachidia, onde chegámos já muito tarde. Aqui vivemos uma experiência única de hospitalidade do povo marroquino. Ao pedir informações a um indivíduo, este indicou-nos local para dormir, acompanhou-nos a um sítio para comer e quando íamos para pagar … já ele tinha pago!!!

No dia seguinte, continuou a viagem. Fomos deixando as montanhas e avançando para Norte. A paisagem foi-se tornando mais verdejante, mas também menos espectacular.

Como o mais importante numa viagem não é o chegar, mas sim o “caminho”, viemos todos encantados com a experiência. Não conseguimos chegar ao cume do Thoubkal, mas fomos recompensados com um país magnífico, de paisagens deslumbrantes e com um povo muito simpático e hospitaleiro.

…E o cume do Thoubkal com os seus 4167m, continua lá… à espera que lá voltemos um dia destes.


Vitor Milheiro

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lisboa-Algarve em BTT (Ago 2009)


Caldas da Rainha - Lagos em bicicleta















Dia 1 - Sab, 1 Agosto

A viagem começou nas Caldas da Rainha, onde ás 8h28, apanhámos o comboio regional para Lisboa.
Eram 11h30 quando descemos em Sete Rios e começamos a pedalar . Debaixo de alguns pingos de chuva, passámos pelo Aqueduto das Águas Livres, por Alcântara, pelas Docas e continuando na zona ribeirinha do Tejo até junto à estação fluvial de Belém.
Apanhámos o cacilheiro às 12h20. Pensando que já era a Trafaria, saímos em Porto Brandão. Quando demos por isso já era tarde … o resultado foi apanhar logo uma enorme subida e fazer mais meia dúzia de quilómetros até à Costa da Caparica, debaixo de uma chuvada que entretanto começava a cair com mais força.
Almoçamos numa pizzaria na Costa da Caparica e eu aproveitar para comprar um chuvisco numa loja chinesa.
Continuámos por estrada até à Fonte da Telha e aqui optámos por seguir até à lagoa de Albufeira, pedalando à beira mar, por vezes com a bicicleta à mão e com umas quedas pelo meio, quando a areia não avisava que era muito macia!
Entretanto a chuva parou e o tempo ficou espetacular. Fizemos uma paragem para tomar um banho naquela praia fantástica, um pouco à frente do local onde nos havíamos cruzado com um casal de nudistas “ gay”.

A travessia da lagoa de Albufeira com as bicicletas ás costas foi fácil, pois a água estava abaixo da cintura.



















Prosseguimos a nossa viagem passando pela aldeia do Meco e fomos visitar o cabo Espichel. Depois foi pedalar em direção ao parque de campismo de Sesimbra.
Tinha sido uma jornada longa. Há 12 horas que estávamos em viagem. Depois de montar as tendas e tomar banho, deliciámo-nos com um saboroso bitoque no restaurante do parque. Fomos dormir por volta das 23h30.

 
Dia 2 – Dom, 2 Agosto

Levantámo-nos sem grande pressa e já passava das 9h20 quando saímos do parque de Campismo de Sesimbra.
Tomámos o pequeno almoço numa pastelaria junto à praia.
E começamos a subir para sul da cidade … as vistas são espectaculares.
Tentámos atalhar pelas pedreiras, mas o trilho estava muito fechado e tivemos que voltar para trás.
A travessia da Serra da Arrábida, é repleta de subidas, mas também de paisagens magníficas. Fizémos uma paragem no Portinho da Arrábida para tomar uma bebida e dar um mergulho. Continuámos até Setúbal sempre junto ao mar. Em Setúbal, um almoço rápido no McDonald´s antes de apanhar o ferry para Tróia.
 



















A paragem seguinte foi na praia da Comporta … mais uma cerveja e outro mergulho… a água estava óptima.
Lanchámos na Comporta e continuámos a viagem até ao Carvalhal, mas fora de estrada, pelo meio dos verdejantes campos de arroz.
Até Melides foi sempre a pedalar a bom ritmo. Continuámos até à lagoa de Santo André por um atalho pelo meio dos pinhais.
Por não termos carta de campista, não nos foi permitido acampar no parque de Melides nem no de Santo André.
Como já estava a escurecer, decidimos ir jantar e só depois procurar um local para pernoitar. Acabámos por montar as tendas debaixo de uns sobreiros, junto ao restaurante onde jantámos.
 




















3º dia Seg, 3 Agosto


Depois de uma noite tranquila junto ao restaurante, acordámos cedo e ás 9h00 já estávamos na estrada. Tomámos o pequeno almoço numa pastelaria em Santo André e entrámos na via rápida de Sines. Passámos pelo centro de Sines e continuámos pela marginal. Passámos pela praia de S. Torpes e logo a seguir as belas praias de Porto Covo, onde fizemos uma paragem para tomar uma bebida e comprar comida para o almoço.
Atravessámos o porto e continuámos por um estradão de terra até à famosa ilha do Pessegueiro, onde parámos para dar um mergulho, almoçar e dormir uma sesta.
Estava-se bem na praia, mas o nosso destino ainda estava a 60km, pelo que tivemos que nos fazer ao caminho. Seguimos por uma atalho de terra que nos levou até à estrada para Vila Nova de Milfontes. Só parámos na praia de Almograve, onde demos mais um mergulho.
Continuámos em direcção ao cabo Sardão, local com vistas magníficas, mas onde o mar mete respeito. Seguimos para a Zambujeira do Mar, por um caminho espectacular, junto à costa, que o faroleiro nos disse ser ciclável.
Chegados a Zambujeira do Mar, assistimos a um magnífico pôr do sol. Seguimos para o parque de campismo e foi o ritual do costume - montar tenda, tomar banho e jantar.
Foram 101 km em 5h10.



















4º dia – Ter, 4 Agosto

Levantámo-nos cedo, tomámos o pequeno almoço numa pastelaria em Zambujeira do Mar e começamos a viagem por num estradão em direcção à praia do Carvalhal.
Voltámos à estrada nacional a caminho de Odeceixe. Depois de passar a ponte que faz fronteira entre o Alentejo e o Algarve, desviámos para a bela praia de Odeceixe. Tentámos continuar a pedalar junto ao mar, pois a paisagem era magnífica, mas a areia era muita e tivemos que voltar para atrás e seguir pela estrada.
Um pouco mais à frente, em Rogil comprámos comida e em Aljezur fizemos uma paragem para almoçar umas sandes bem guarnecidas.
Estava muito calor pelo que pedalámos mais uns quilómetros até à praia da Carrapateira, onde fizemos 2 horas de praia e dormimos uma sesta.
Eram 17h30 quando voltámos à estrada. O objectivo era pedalar até Vila do Bispo e daí seguir para o Cabo de S. Vicente. Porém, o vento forte, o frio e o nevoeiro que entretanto se faziam sentir, obrigaram-nos a alterar os planos e rumar para sotavento na direcção de Lagos, onde o céu continuava azul.
Chegámos a Lagos por volta das 20 horas, com 117 km percorridos.
Acampámos no parque junto ao campo de futebol. Depois de montar tendas e tomar banho, fomos a pé até ao centro de Lagos, onde jantámos uma deliciosa francesinha. Passeámos um pouco pelo centro histórico, sempre cheio de movimento e com muitos artistas de rua. E fomos dormir.





















5º dia – Qua, 5 Agosto
Era o nosso último dia no Algarve, pelo que decidimos aproveitar a manhã na “meia-praia”, onde ficámos até próximo das 13 h. Voltámos ao parque de Campismo, para desmontar as tendas e tomar um banho, antes de seguir para a estação de comboios de Lagos, para apanhar o comboio para Tunes às 14h10. Em Tunes esperámos até às 16h26 pelo comboio com destino ao Barreiro, onde chegámos pelas 20h15. Aqui, apanhámos o barco para o Terreiro do Paço, onde chegámos já depois das 21h00.
Como já não haviam comboios da linha do Oeste, tivemos que passar a noite no parque de campismo de Monsanto.
Ligámos as luzes e foi um belo passeio nocturno à beira do Tejo, pelo Cais do Sodré, Santos, Alcântara, Belém e Algés. E presenciámos um luar fantástico sobre a ponte 25 de Abril.
Tencionávamos jantar numa cervejaria muito conhecida em Algés - o “Relento”, mas era dia de folga. Tentámos outros restaurantes, mas como já passava das 22 horas, as cozinheiras já tinham ido embora. Como a fome apertava, só no restou comer uns hamburgers num centro comercial em Miraflores. Continuámos a pedalar, passámos junto à Decathlon e chegámos ao parque de campismo por volta das 23 horas. Apesar do ruído de fundo dos carros que circulavam na CRIL, foi a noite em que dormi melhor.




















6º dia – Qui, 6 Agosto
E viagem estava quase a chegar ao fim. Levantámo-nos cedo, desmontámos acampamento e rumámos na direcção de Sete Rios. Logo a seguir à Buraca apanhámos uma excelente ciclovia que contorna Monsanto até próximo do Aqueduto das Águas Livres. Chegados à estação, confirmámos a hora do comboio e tomámos tranquilamente um excelente pequeno almoço.
O comboio saiu ás 10h37 e chegou às Caldas cerca das 12h30, a tempo de vermos o final do programa “Há volta” da RTP 1. É que a 1ª etapa da Volta a Portugal tinha começado nas Caldas naquela manhã.




















BALANÇO FINAL

Foram 5 dias muito bem passados. Práticamente tudo decorreu de acordo com o previsto, não houve avarias, nem lesões, nem situações de stress.
O meu companheiro de viagem, foi sempre uma boa companhia e as conversas foram interessantes.
E passámos por sítios fantásticos, com a vantagem de o fazermos ao ritmo da bicicicleta, sentindo os cheiros e o colorido das paisagens.
Falando de números, pedalámos mais de 450km, e cada um de nós gastou 35€ em transportes (comboios e barcos), 38€ em parques de campismo e 97,5€ em comida.

Vitor Milheiro
Ago ´09

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Conselhos para fazer o Caminho de Santiago em BTT -

O Caminho de Santiago não é uma competição, há que desfrutar com calma da experiência, dos lugares que atravessamos e suas paisagens. As pernas, o corpo e o espírito agradecerão.

Não é necessário ser um campeão de BTT para fazer o caminho, porém, não nos devemos atirar de forma ligeira a fazer o Caminho. É preciso preparação física e mental para que esta experiência seja satisfatória. Se terminarmos em segurança pensaremos em voltar a fazer o caminho.

Se fizermos regularmente passeios à volta de 40-50 km estaremos preparados para o caminho.

Se formos em autonomia, nas últimas semanas é aconselhável montar os suportes e os alforges (carregados), para nos irmos habituando ao peso extra que temos que levar e treinar a condução com os alforges.

Recomendamos fazer o caminho pela rota original ainda que isso nos custe alguma subida ou quilómetro extra. A estrada não é boa companheira para o caminho e recordar que não temos nenhuma pressa em chegar.



Anotar as vivências do caminho num gravador ou num bloco de notas, servirá para revivê-lo e dentro de uns anos recordá-lo com mais detalhe.

Não definir objectivos ambiciosos para as etapas.

Devido à dureza de alguns troços do caminho português, a escolha da bicicleta a utilizar é importante. Deverá ser de BTT, o mais leve possível, equipada com pneus de terra, fiável nos equipamentos de que é montada, tendo sempre em conta a facilidade de manutenção e com um bom suporte para a bagagem.

Convém levar um cadeado para trancar a bicicleta para poder visitar igrejas ou monumentos e passear pelas cidades, em segurança e tranquilidade.
Levar sempre água ou bebidas energéticas em quantidade suficiente.
Levar barras energéticas, frutos secos e chocolate para ir comendo ao longo das etapas. É muito importante uma boa nutrição para aguentar as longas e por vezes duras etapas do caminho.
As principais refeições são o pequeno almoço e o jantar. Ao pequeno almoço recomenda-se a inclusão de cereais.
Os almoços dverão ser à base de sandes e fruta.

Principais Albergues no Caminho Português
- Porto ....................260 Km
- S Pedro de Rates ....220
- Ponte de Lima ........160
- Rubiães ................140
- Valença ................115
- Tuy .....................110
- Redondela ..............80
- Pontevedra ............62
- Caldas de Reis ......
..38
- Padron ..................22
- Téo ......................12
- Santiago




Principais albergues em Portugal

Albergue de S. Pedro de Rates - localiza-se a 30 km do Porto e a 14km de BarcelosAlbergue de Rubiães - localiza-se a 19 km de Ponte de Lima e a 17 km de Valença do Minho.Albergue de Peregrinos S. Teotónio – Valença - Localiza-se em Valença do Minho (Junto aos Bombeiros).

Equipamento BTT
Uma semana antes de iniciar o Caminho fazer uma revisão e limpeza completa à bicicleta.
Durante as etapas aconselha-se os participantes a transportarem pelo menos:

- Uma câmara de ar
- Caixa de reparação de furos
- Jogo de desmontas
- Descravador de correntes
- Jogo de chaves tipo canivete
- Bomba
- Lubrificante para a corrente
- Um pedaço de arame ou cordeleta

Lubrificar todos os dias a corrente; fazer reparações ou ajuste na bicicleta todos os dias ao chegar ao local onde vamos passar a noite; ir verificando regularmente a pressão dos pneus.

Equipamento básico adequada à prática do BTT:
- 2 jersey’s de ciclismo de material transpirável
- 2 calções almofadados
- 1 impermeável ligeiro (tipo corta-vento)
- luvas
- capacete
- óculos
- sapatos de sola rígida
- meias transpiráveis
- camel-bak ou cantil
Documentos- Caderno de notas e esferográfica.
- Credencial do Peregrino.
- Bilhete de Identidade.
- Cartão de Segurança Social.
- Telemóvel ou cartão de telefone.
- Dinheiro e cartão de crédito.
- Seguro de acidentes pessoais

Para camping
- Tenda
- Almofada de encher

- Saco cama
- colchonete
Outros equipamentos- canivete multiusos
- lanterna ou frontal
- kit de higiene
- papel higiénico.
- toalha de banho
- chinelos para o duche
- estojo de primeiros socorros
- muda de roupa para depois das etapas
- protector solar
- baton cieiro

Etapas S. Pedro de Rates - Santiago (220km)


Etapa 1 S.Pedro de Rates - Rubiães (66 km)





















 
Etapa 2 Rubiães - Pontevedra (70 km)
 
















 

Etapa 3 Pontevedra - Santiago (65 km)

História do Caminho Português de Santiago


Entre a diversidade de itinerários jacobeus provenientes de todos os cantos da Europa, alguns têm origem em Portugal. Mas entre todos assume particular relevo a estrada real Porto-Barcelos-Valença, onde confluem quase todos os demais, reforçando este percurso como a espinha dorsal dos caminhos portugueses de Santiago.
Foi este o itinerário escolhido pela maior parte dos peregrinos que demandaram Santiago, pelo menos a partir do início do séc. XIV, o que bem se demonstra pelos inúmeros relatos que se conservam nos arquivos compostelanos e nas referências conhecidas aos seus caminheiros mais ilustres a Rainha Santa Isabel, Leão de Rotzmithal, Jerónmo Münzer, el-Rei D. Manuel, Confalonieri, Albani, e provavelmente também S. Francisco de Assis, o Beato Francisco Pacheco e tantos outros egrégios peregrinos que a memória não registou.
Com efeito, com a conclusão da ponte de Barcelos em 1325 e a remodelação da de Ponte de Lima na mesma época, foi possível criar um percurso rectilíneo que evitava a inflexão por Braga e a travessia a vau ou em barca dos rios mais perigosos.
Rates, Barcelos, Ponte de Lima, Valença, Tui, Redondela, Pontevedra e Caldas de Reis definiram o novo itinerário medieval do Porto a Santiago, tendo apenas em comum com a velha via militar romana um ou outro troço urbano e as pontes ainda em uso para vencer as ribeiras mais buliçosas.
No sec XVIII, com a política de melhoramentos empreendida por Fontes Pereira de Melo uma nova estrada alcança Viana do Castelo, transpõe o Lima numa soberba ponte metálica e prolonga-se até Caminha e Valença. Enquanto isto, também a linha dos Caminhos de Ferro vai crescendo atinge Valença em 1882 e penetra em Espanha quatro anos depois.
Barcelos e Ponte de Lima deixarão de ser pontos de passagem obrigatória nas deslocações norte-sul e Viana do Castelo assume claramente a hegemonia e a liderança política e administrativa do Alto Minho.
Este percurso, por isso mesmo, perdeu o interesse, foi abandonado e rapidamente esquecido. O manifesto desinteresse da ligação Barcelos-Ponte de Lima-Valença, preterida por outros acessos mais francos à fronteira, valeu-lhe, assim, alguma preservação, já que os outros percursos que justificavam benfeitorias conservam hoje do original pouco mais que um vago traçado.
No remanso duma paisagem que se tem mantido incólume com o correr do tempo, o caminho foi-se apagando, lentamente, nos lameiros das veigas e nas encostas esqueléticas da Labruja, onde até o mato mal resiste à erosão. Mas o traçado estava lá, razoavelmente conservado, adivinhando-se num cruzeiro, numas alminhas, nuns restos de calçada trilhada por fundas relheiras e quase sempre bem registado na memória da população local.
Quando no início dos anos sessenta, o Pároco de O Cebreiro, D. Elías Valiña Sampedro, apregoava o Milagre Eucarístico na sua Igreja de Santa Maria la Real, estava a dar novo alento às antigas peregrinações jacobeias que celebrizaram aquela intervenção divina. Tomou então este encargo como uma missão, organizou congressos, promoveu associações, reconheceu o Caminho e sinalizou-o, pintando setas amarelas, que ainda hoje se têm como a mais conhecida e segura identificação de um itinerário jacobeu.
Fazia mais de dez séculos que multidões de devotos a Santiago peregrinavam ao seu túmulo e só nos anos mais recentes esta prática esmorecera e quase se extinguira.
Com a sinalização do Caminho Francês o fenómeno disparou, aumentando progressivamente, mês após mês, ano após ano, o número de peregrinos que de todo o mundo e nomeadamente da Europa ocorriam a Santiago de Compostela, calcorreando os velhos caminhos que os estudos e as guias sugeriam. Reabrem-se antigos e novos albergues, editam-se roteiros e mapas, proliferam os estudos monográficos, organizam-se congressos e seminários, constituem-se Associações de Amigos, especializa-se, inclusivamente, a oferta turística das cidades históricas servidas por este itinerário. E o sucesso foi de tal dimensão, que em 1987 o Conselho da Europa o galardoa como Primeiro Itinerário Cultural Europeu e em 1993 a UNESCO classifica-o já como Património da Humanidade.
A Xunta de Galicia, consciente da dimensão universal deste entusiasmo e da sua acção catalizadora da integração europeia, decide explorar outros itinerários jacobeus de reconhecido sentido histórico e promover igualmente a sua reutilização. Inicia as diligências com o velho Caminho Português, indiscutivelmente considerado o mais importante das chamadas rotas secundárias, abrindo concurso público para a sua identificação, caracterização e valorização. E no Ano Santo de 1993 é pela primeira vez divulgado o itinerário entre Tui e Santiago que os Peregrinos preferencialmente utilizavam quando provinham de Portugal.
Este magnífico trabalho foi realizado por uma equipe da Asociación Galega de Amigos do Camiño de Santiago, que em boa hora entendeu que o Caminho Português não se esgotava na Galiza, e diligenciou todos os esforços para obter apoio na investigação em Portugal. Assim se alargou a equipe, primeiro em Valença, onde nasceu a Associação local dos Amigos do Caminho, e depois em Ponte de Lima. E passados quatro anos de rebuscada investigação e trabalho de campo, foi possível fixar o velho caminho para norte de Ponte de Lima, iniciando-se desde logo os trabalhos para sul daquela vila em direcção a Barcelos e ao Porto.
Actualmente, podemos considerar este itinerário definido e fixado entre o Porto e Santiago e em curso um conjunto de actividades que têm em vista a sua recuperação, sinalização e divulgação, promovidas pela Associação dos Amigos do Caminho Português de Santiago, que tem a sua sede em Ponte de Lima.
A recuperação não envolveu ainda e muito menos de uma forma programada, a totalidade do itinerário, como sucede no troço galego por iniciativa da Xunta. São as respectivas Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia que, por solicitação da Associação, realizam acções pontuais de limpeza e redobram cautelas no licenciamento de intervenções públicas e privadas. Mas outros projectos estão também a arrancar a criação de pelo menos dois albergues de Peregrinos; a proposta de classificação do Caminho Português como Património Cultural; e a edição de um roteiro prático, cartografado a escala conveniente, que será um excelente complemento da Guia recentemente publicada em Pontevedra.
A sinalização poderá vir a ter um carácter definitivo, uma vez que o Caminho tem já uma identificação precária com as inconfundíveis setas amarelas, que o tornam acessível a qualquer caminheiro, prevendo-se ainda acrescentar à indicação de Santiago de Compostela a direcção oposta do Santuário de Fátima, esta talvez com uma seta azul. De facto, o Caminho Português de Santiago, no seu retorno, é um Caminho de Fátima, com afluência crescente de Peregrinos que, por devoção à Virgem Maria prosseguem viagem depois de alcançar Compostela

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